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Economia

Quando ninguém vê

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Clovis Lumertz
Por Clóvis Lumertz – Empresário
Foto Clóvis Lumertz

Tem coisas que não aparecem no relatório, mas aparecem no caráter.

Outro dia, no restaurante, me peguei naquele velho dilema: juntar ou não os pratos? A etiqueta diz que não. O impulso diz que sim.

E, no meio disso, a provocação das filhotas: “Pai, deixa de juntar as coisas na mesa. O garçom resolve. Ele sabe organizar os pratos. Assim você atrapalha. É feio fazer isso”.

Mas confesso que é difícil para quem tem TOC, que arruma cama de hotel, que estica as toalhas milimetricamente. Arrumo a mesa quando ninguém está vendo, senão é falta de etiqueta.

O que me fez pensar.

Talvez a questão central não seja sobre “fazer” ou “não fazer”, mas sobre o que a gente tolera como etiqueta.

Devolver o carrinho no supermercado, levar a bandeja no fast-food, jogar o lixo seletivo no lugar certo não são grandes virtudes. São mínimos aceitáveis. Mesmo sem ninguém te elogiar, mesmo sem recompensas, mostram um padrão de comportamento.

O problema começa quando o mínimo vira opcional.

Quando deixar para o outro resolver passa a ser confortável. Quando o desalinhado deixa de incomodar. Quando o “não fui eu” vira justificativa suficiente.

E é exatamente assim que culturas se constroem ou se deterioram.

Não nos grandes erros, mas nas pequenas concessões diárias.

Um processo ignorado. Um detalhe não conferido. Um combinado flexibilizado “só dessa vez”.

Nada disso derruba uma empresa no dia seguinte, mas tudo isso, somado, corrói qualquer consistência no longo prazo. Empresas quebram por falta desses detalhes no dia a dia.

No restaurante, pode até ser que o garçom resolva.

Na empresa, sempre tem alguém que resolve. Até o dia em que ninguém mais resolve nada.

Porque a régua foi baixando, devagar, silenciosamente.

No fim, não é sobre quem está olhando.

É sobre o que você aceita deixar passar.

Então, faça o certo, mesmo contra a etiqueta, mesmo se ninguém estiver vendo.

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