A prática de atividade física desde os primeiros anos de vida desempenha um papel fundamental no desenvolvimento psicomotor das crianças. É por meio do movimento que elas passam a conhecer o próprio corpo, desenvolver controle motor e adquirir habilidades essenciais para a vida. Segundo a profissional de educação física, especialista em exercício físico infantil, Viviane Magnagnagno, “esses aspectos formam a base para muitas outras aprendizagens ao longo da infância”, destacando a importância de estimular equilíbrio, coordenação, força e noção espacial desde cedo.
Estímulos começam ainda na fase de bebê
Engana-se quem acredita que apenas crianças maiores se beneficiam da atividade física. “Desde os primeiros meses, é importante oferecer oportunidades para que o bebê se movimente livremente”, orienta a profissional. Atividades simples, como deixar o bebê no chão para rolar, engatinhar e alcançar objetos, contribuem diretamente para o fortalecimento muscular e o desenvolvimento da coordenação.
Ela também alerta para os riscos da imobilidade prolongada, que é quando os bebês que passam muito tempo em bebê conforto ou sempre na mesma posição podem apresentar dificuldades no desenvolvimento motor, além de possíveis desvios posturais.
Fase de descobertas e autonomia
Até aproximadamente os cinco anos de idade, o movimento é essencial para o aprimoramento de diversas habilidades. Nessa fase, brincar e se movimentar regularmente favorecem o desenvolvimento da coordenação motora, do equilíbrio e da agilidade.
Além dos aspectos físicos, há impactos importantes no comportamento e na autonomia. As atividades estimulam a criatividade, a autoconfiança e a capacidade de explorar o ambiente de forma independente.
Impactos no desenvolvimento cognitivo e emocional
A atividade física não beneficia apenas o corpo, mas também o cérebro. De acordo com Viviane, “atividades físicas ajudam na atenção, na organização do pensamento e na capacidade de resolver desafios”.
A interação em grupo também tem papel relevante, pois ao participar de jogos e brincadeiras coletivas, as crianças aprendem a lidar com regras, frustrações e cooperação, fortalecendo habilidades sociais e emocionais.
Ela reforça ainda que “quando a criança se movimenta, não está apenas exercitando o corpo, mas também fortalecendo processos importantes para o desenvolvimento cognitivo”.
Tempo de tela e sedentarismo
Com o avanço da tecnologia, o aumento do tempo de tela tem impactado diretamente o estilo de vida das crianças. O sedentarismo já é considerado um fator de risco importante para a saúde, tendo em vista que a redução do movimento compromete o desenvolvimento motor e aumenta as chances de sobrepeso e obesidade, podendo desencadear problemas ao longo da vida.
Educação física e esportes na fase escolar
Durante a fase escolar, a educação física ganha ainda mais relevância no desenvolvimento global das crianças. As atividades ampliam o repertório motor e estimulam capacidades como força, coordenação e trabalho em equipe. “Além disso, as atividades esportivas ajudam a desenvolver disciplina, respeito às regras e convivência social”, ressalta a educadora.
Outro ponto importante é a formação de hábitos saudáveis. As crianças ativas têm maior probabilidade de manter esse comportamento na vida adulta, contribuindo para a prevenção de doenças.
Benefícios na pré-adolescência e adolescência
Na transição para a adolescência, a prática de atividade física continua sendo essencial, tanto para a saúde física quanto mental. Durante os exercícios, o organismo libera substâncias como endorfina, dopamina e serotonina, associadas ao bem-estar e à regulação do humor. “O exercício também melhora a autoestima, a confiança e a interação social, fatores muito importantes nessa fase marcada por mudanças físicas e emocionais”, destaca.
O papel da família no incentivo ao movimento
Para incentivar hábitos saudáveis desde cedo, a participação da família é fundamental, portanto, criar oportunidades para o movimento no dia a dia faz toda a diferença.
Brincadeiras ao ar livre, jogos e atividades em grupo ajudam a tornar o exercício algo natural e prazeroso. Como conclui a educadora, “também é fundamental que os adultos incentivem e participem dessas atividades, mostrando que o movimento pode ser algo natural, prazeroso e parte da rotina da família”.