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Cultura

Guilherme Mossini Mendel: escrita, educação e formação de leitores

Escritor erechinense constrói uma trajetória que une poesia, docência e incentivo à leitura

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Guilherme Mossini Mendel
Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas

A relação de Guilherme Mossini Mendel com a escrita não começou de forma precoce nem planejada. Nascido em Erechim, em 5 de julho de 1987, ele recorda que o primeiro incentivo veio do ambiente familiar, especialmente de uma tia professora e de um tio ligado à cultura, que lhe apresentaram livros, filmes e música ainda na infância. Na adolescência, o interesse estava mais próximo da música: escrevia letras de canções de maneira informal, sem imaginar que a poesia se tornaria central em sua vida.

O ponto de virada ocorreu aos 15 anos, quando escreveu um poema sobre a própria timidez. “Quando reli aquele texto, pensei: isso aqui está bom, dá para investir”, lembra. A partir dali a leitura se intensificou e a escrita passou a ser encarada com mais seriedade. Os elogios de amigos e leitores ajudaram a amadurecer uma ideia recorrente: a de publicar um livro.

“Eu não fazia ideia de como funcionava esse processo, mas as pessoas diziam que eu precisava publicar. Aquilo foi ficando na minha cabeça”, conta.

Da universidade ao primeiro livro

Durante a graduação em Letras, na Universidade Regional Integrada das Missões e do Alto Uruguai (URI) – Campus de Erechim, Guilherme integrou um projeto de iniciação científica orientado pela professora Helena Confortin. O trabalho resultou em uma extensa pesquisa sobre a origem do ensino superior na região do Alto Uruguai, baseada em jornais, revistas, livros e entrevistas.

Na época, a bolsa mensal recebida era guardada integralmente com um objetivo claro: financiar a publicação do primeiro livro. O acúmulo de tarefas quase levou à desistência. “Confessei que só estava no projeto porque queria juntar dinheiro para publicar meu livro”, relata. A conversa acabou abrindo caminhos concretos para que a primeira obra fosse publicada.

O livro de estreia saiu quando Guilherme tinha 20 anos e reuniu poemas escritos entre os 15 e os 20. A partir dele, construiu uma produção que hoje soma sete obras poéticas, além de participações em coletâneas.

Leitura, formação e referências

O interesse pela leitura se aprofundou ainda no ensino médio, quando obras como “Quincas Borba”, de Machado de Assis, chamaram sua atenção. A decisão de compreender melhor os processos de escrita o levaram ao curso de Letras, onde recebeu incentivo constante de professores, especialmente da professora Vera Beatriz Sass, apontada como referência fundamental em sua formação.

Na literatura, Guilherme destaca Mario Quintana como principal influência, além de nomes como Pablo Neruda, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina, Adélia Prado, Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos. Entre os contemporâneos, mantém diálogo com autores de diferentes regiões do país.

Seu estilo busca impacto imediato, com linguagem acessível e atenção ao ritmo e à sonoridade. “Eu acredito que o poema precisa impactar na hora. Se não mexeu contigo, não tem valor”, define. Para ele, a poesia deve convidar o leitor. “Não acredito em literatura feita para não ser entendida. O texto precisa chamar o leitor para perto.”

A docência como extensão da poesia

A atuação como professor de Língua Portuguesa na rede pública municipal de Erechim passou a ocupar um espaço central em sua trajetória. Atualmente, leciona há 10 anos na Escola Caras Pintadas e há 15 anos na Escola Luiz Badalotti, com turmas do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano.

Ver seus livros circulando nas bibliotecas escolares e nas mãos de alunos é um dos aspectos que mais o mobilizam. “Vejo alunos, até de turmas em que não dou aula, com meus livros na mão, e penso que algo está acontecendo ali”, afirma.

Dessa experiência surgiu “Poesia para a Escola”, lançado em 2023 e pensado exclusivamente como ferramenta pedagógica. A obra reúne poemas organizados por faixas etárias, além de textos infantis, juvenis e narrativos. Toda a tiragem foi custeada pelo autor e doada às escolas, acompanhada de um concurso literário que estimulou a produção dos alunos.

Escrita como permanência

Licenciado em Letras pela URI (2009) e mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade de Passo Fundo (2012), Guilherme define sua trajetória como silenciosa, porém contínua. Prestes a completar 20 anos como poeta, prepara um livro comemorativo.

“Talvez eu não seja amplamente conhecido, mas o impacto que tenho na vida dos alunos já é uma conquista enorme”, reflete. Entre livros, salas de aula e projetos de formação de leitores, a escrita segue como eixo central de um percurso construído com constância e sensibilidade.

Onde encontrar: O trabalho do autor pode ser acompanhado no site guilhermemossinimendel.recantodasletras.com.br, e também no Sebo Relicário.

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