21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Economia

Presidente da ACCIE lamenta alta de taxas de juros para investimentos

“Nossa expectativa era para que houvesse um corte e que se chegasse até a metade de 2026 com 12% ou 12,5% ao ano, o que seria uma taxa aceitável”, aponta Darlan Dalla Roza

teste
ACCIE 2025 03.jpeg
Por Carlos Silveira
Foto Arquivo BD

O setor industrial do Rio Grande do Sul segue desempenhando papel crucial na economia estadual, mas também enfrenta desafios que moldam as perspectivas para 2026. Dados oficiais recentes mostram que a indústria gaúcha tem registrado crescimento, apesar de oscilações em outros segmentos da economia.

 Segundo estatísticas do Departamento de Economia e Estatística do Estado (DEE), o industrial avançou no acumulado de 2025, contribuindo para o crescimento moderado do Produto Interno Bruto (PIB) estadual nos últimos 12 meses.

No terceiro trimestre de 2025, o PIB do Rio Grande do Sul cresceu 4,5% em relação ao trimestre anterior, com destaque para a indústria que teve alta, assim como o setor de serviços — apesar da agropecuária enfrentar retração em função de condições climáticas adversas no ano anterior.

 Além disso, no acumulado de janeiro a setembro de 2025, o setor industrial e os serviços tiveram expansão de 2,0% cada, sustentando a atividade econômica estadual, mesmo diante de desafios externos e de demanda.

 As projeções para 2026 são positivas. A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) estima que o PIB do Estado deve crescer cerca de 2,9% em 2026, cenário que seria puxado, em parte, pela recuperação econômica após oscilações recentes nos mercados e estímulos a investimentos e produção industrial.

Erechim: crescimento industrial e posição no RS

 No contexto local, Erechim tem se destacado como um dos polos industriais mais importantes do Estado. Nos últimos anos, o município consolidou-se como a 7ª maior força industrial do Rio Grande do Sul, posição calculada com base em empregos gerados e na participação no setor produtivo estadual.

 Esse resultado reflete um esforço conjunto entre iniciativa privada e poder público para fortalecer a economia local, por meio de programas de incentivo ao empreendedorismo e simplificação de processos para abertura e manutenção de empresas. A criação do Distrito Industrial Giácomo Madalozzo é um exemplo de ação estratégica que vem atraindo investimentos e ampliando a

 Em levantamento mais amplo, Erechim também figura entre os municípios do Estado com maior número de empresas destacadas em rankings regionais de desempenho econômico.

Desafios e oportunidades

 Apesar dos sinais positivos, especialistas alertam para desafios que ainda influenciam o setor industrial gaúcho e local — como a necessidade de modernização de processos, automação, capacitação de mão de obra e adaptação às exigências de competitividade global. Programas como de incentivo à automação e investimentos em tecnologia industrial tendem a ganhar importância no cenário de 2026.

Presidente da ACCIE Darlan Dalla Roza

         Em contato com o presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), Darlan Dalla Roza, o mesmo destaca que o CUPOM teve, na última semana, a decisão sobre as taxas de juros do ano e, lamentavelmente para o setor industrial, ele manteve a taxa de juros a 15% ao ano, o que para qualquer negócio e investimento é uma taxa de juros muito elevada.

         “Nossa expectativa era para que houvesse um corte e que se chegasse até a metade do ano, ou seja, agosto e setembro com 12% ou 12,5% ao ano, o que seria uma taxa aceitável. Hoje, qualquer crescimento na indústria necessita de investimento para que a empresa se modernize para fazer frente à concorrência nacional e internacional, como existe a questão da mão de obra que atualmente não tem qualificação”, aponta.

         Darlan exemplifica a região do Alto Uruguai sofre com a questão de mão de obra qualificada para atender a atual demanda, dependendo de mão de obra estrangeira que corre o risco de voltarem para casa, a exemplo da Venezuela.  “Somente em Erechim existem hoje cerca de cinco mil venezuelanos. Pelo que temos conversado com estes trabalhadores, muitos ou a sua maioria estarão voltando para a sua terra natal quando a mesma demonstrar estabilidade financeira. Vamos, portanto, ter um histórico de mão de obra agravado”, alerta.

         “O que a indústria precisa fazer! Automatizar e modernizar as suas plataformas industriais, e para isso existe a necessidade de investimento, e este com a parte de juros nas alturas como estamos vivendo é quase que impossível. Vejo um ano desafiador pois os investimentos estarão muito limitados, tanto em tecnologia, como em aumento de produção. Existem alguns setores que estão bem e outros, como o primário, a exemplo da agricultura e agronegócio com bastante problema.

 Suínos e aves estão relativamente bem. Estamos buscando, como ACCIE focar também no mercado externo, motivando as empresas a buscar esta fatia, pois o interno está com muitos altos e baixos. Existem meses que parece que as coisas vão bem, com bastante pedidos, mas posteriormente entram em uma estagnação ou piora nas vendas”.

A expectativa, segundo ele, é que na segunda reunião do CUPOM é que tenha algum corte de juros e ajuste na atual taxa para que fique próximo ao mercado mundial para que se façam os investimentos necessários nos mais diferentes setores, principalmente para a modernização e automação, o que garantiria um melhor resultado, mesmo com carência de mão de obra.

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;