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Saúde

Endometriose afeta milhões de mulheres e ainda desafia a medicina

Doença pode causar dores intensas, infertilidade e perda de qualidade de vida

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Dor e infertilidade estão entre os principais sinais da endometriose, uma condição que afeta cada mu
Por Redação
Foto Divulgação

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina. Esse tecido pode se instalar em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestinos e bexiga, provocando uma série de sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida das mulheres.

 

Como a doença se desenvolve

Durante o ciclo menstrual, o endométrio se torna mais espesso para possibilitar a implantação de um óvulo fecundado. Quando a gravidez não ocorre, esse tecido descama e é eliminado na menstruação. Uma das principais teorias para explicar a endometriose sugere que parte desse sangue menstrual pode migrar no sentido oposto, alcançando a cavidade abdominal ou os ovários, onde passa a se desenvolver de forma inadequada. As causas desse fenômeno ainda são desconhecidas, mas há evidências de maior risco em mulheres com histórico familiar da doença, especialmente quando mães ou irmãs são diagnosticadas.

 

Quem pode ser afetada

A endometriose acomete mulheres desde a primeira menstruação até a última, sendo mais frequentemente diagnosticada por volta dos 30 anos de idade. No Brasil, estima-se que cerca de seis milhões de mulheres convivam com a doença. Dados da Associação Brasileira de Endometriose indicam que entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva podem desenvolvê-la, e aproximadamente 30% delas apresentam risco de infertilidade.

 

Sintomas que variam de mulher para mulher

Dor e infertilidade são os principais sintomas da endometriose, que afeta mulheres de formas variadas. Enquanto algumas sentem apenas um dos problemas, a maioria convive com ambos, em intensidades que vão de leve desconforto a dores incapacitantes. Entre os sintomas mais comuns estão cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual, fadiga, alterações no fluxo menstrual e distúrbios intestinais ou urinários, muitas vezes dificultando o diagnóstico precoce.

Desafios no diagnóstico

O diagnóstico da endometriose é complexo e envolve avaliação clínica, exame ginecológico e métodos complementares. A ultrassonografia endovaginal especializada e exames laboratoriais são usados inicialmente, enquanto o exame de toque é essencial em casos de endometriose profunda. Em situações específicas, exames como ressonância magnética ou colonoscopia podem ser solicitados. A confirmação da doença geralmente depende de procedimentos cirúrgicos diagnósticos, como laparoscopia ou laparotomia.

 

Exames e procedimentos cirúrgicos

A laparoscopia é considerada um dos principais recursos para diagnóstico e tratamento da endometriose. Realizada por meio de pequenas incisões no abdômen, permite visualizar os focos da doença, remover lesões e coletar material para análise histológica, com menor tempo de internação e recuperação. Já a laparotomia, mais invasiva, envolve uma incisão abdominal maior e é indicada em casos específicos, conforme a avaliação médica.

 

Prevenção ainda incerta

Por não haver consenso científico sobre as causas da endometriose, a prevenção direta da doença ainda não é possível. Estudos apontam alguns fatores de risco, como fluxo menstrual intenso e frequente, histórico familiar, consumo elevado de álcool e cafeína. Em contrapartida, a prática regular de atividade física parece reduzir as chances de desenvolvimento da doença.

A relação entre o uso de anticoncepcionais orais e a endometriose permanece controversa, sem evidências conclusivas de causa e efeito. Pesquisas genéticas também tentam esclarecer o papel da hereditariedade, embora fatores ambientais e étnicos também sejam considerados relevantes.

 

Tratamentos e cuidados contínuos

O tratamento da endometriose tem como principal objetivo aliviar a dor, reduzir as lesões e melhorar a fertilidade, já que não existe cura definitiva para a doença. As abordagens incluem o uso de medicamentos, como analgésicos, anti-inflamatórios e terapias hormonais, além do tratamento cirúrgico em casos mais graves. Muitas vezes, essas estratégias são combinadas de acordo com a gravidade e os objetivos da paciente.

Para mulheres que desejam engravidar, pode ser indicado o encaminhamento para centros de reprodução humana, sendo a fertilização in vitro uma alternativa eficaz, já que a endometriose não compromete as taxas de sucesso desse método.

 

Conviver com a endometriose

O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar a eficácia do tratamento e reduzir o impacto dos sintomas. Por isso, especialistas reforçam a importância do acompanhamento ginecológico regular e da atenção aos sinais do próprio corpo. Relatar dores intensas, alterações menstruais ou dificuldades para engravidar pode ser decisivo para identificar a doença mais cedo e garantir melhor qualidade de vida às pacientes.

 

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