Com a chegada do verão, praias, clubes e academias ficam mais cheios, impulsionados pela prática de esportes como natação, beach tennis e vôlei. A estação favorece a atividade física e traz benefícios importantes para a saúde, mas também acende um alerta: o aumento da prática, muitas vezes sem preparo físico adequado, eleva o risco de lesões, especialmente no ombro, uma das articulações mais exigidas nessas modalidades.
Lesões mais frequentes durante a estação mais quente
Nos meses mais quentes, aumentam as queixas de dores no ombro. As mais frequentes envolvem a tendinite do manguito rotador e a bursite subacromial, inflamações que afetam os tendões e o tecido que reduz o atrito na articulação. Também são comuns lesões musculares, distensões por esforço repetitivo e o impacto subacromial, conhecido como pinçamento. Em casos de quedas ou movimentos bruscos, podem ocorrer luxações e instabilidade do ombro.
Em geral, os sintomas começam de forma discreta, com dor que se intensifica ao levantar o braço, especialmente em atividades acima da cabeça, comuns em esportes de areia e na natação.
Modalidades sobrecarregam o ombro
O ombro é uma articulação extremamente móvel e, por isso mesmo, relativamente instável. Ele depende do equilíbrio entre músculos e tendões para manter alinhamento e funcionamento adequados. Na natação, os movimentos amplos dos braços se repetem em alta frequência. No vôlei, há elevação e rotação do braço com velocidade e impacto. Já no beach tennis, o ritmo rápido do jogo exige aceleração e desaceleração intensas do braço para golpear a bola. Essa combinação de repetição, velocidade e, muitas vezes, falta de preparo físico acaba sobrecarregando tendões e músculos, favorecendo dor e inflamação.
Dor muscular ou sinal de lesão
Após um período sem treinos, é comum sentir desconforto muscular, conhecido como dor muscular tardia. Ela surge entre 12 e 48 horas após o exercício, é mais difusa, dá sensação de peso no corpo e tende a melhorar com o descanso. Já os sinais de lesão no ombro se manifestam de forma diferente: dor aguda durante o movimento, limitação para levantar o braço, inchaço, sensação de calor ou estalos, além de dor que não melhora com repouso ou piora à noite. Quando o incômodo persiste por mais de uma semana, interfere nas atividades do dia a dia ou aparece mesmo em repouso, o quadro merece atenção.
Aquecimento, fortalecimento e descanso como aliados
A prevenção passa por cuidados básicos. O aquecimento prepara músculos e tendões para o esforço, aumenta a circulação e reduz o risco de microlesões. De cinco a dez minutos de movimentos leves e mobilizações articulares já são suficientes para fazer diferença. O fortalecimento também é fundamental, especialmente dos músculos do manguito rotador e da escápula, que garantem estabilidade ao ombro. Exercícios regulares focados nessas regiões reduzem o risco de lesões, melhoram o desempenho e protegem a articulação. O descanso completa esse tripé, permitindo que o corpo se recupere. Alternar intensidade de treinos, escalonar atividades e respeitar sinais de fadiga ajudam a evitar a progressão das dores.
É possível continuar praticando com dor no ombro?
A resposta depende da intensidade do sintoma. Em casos de dor leve e transitória, geralmente é possível manter a prática com ajustes, como reduzir intensidade, tempo de treino e número de repetições. Já quando a dor é forte, persistente ou limita os movimentos, não é indicado continuar forçando. Manter a prática intensa nessas condições pode agravar a lesão e prolongar o tempo de recuperação. Dor que altera o padrão normal de movimento ou aumenta progressivamente deve ser encarada como um sinal de alerta.
Avaliação médica
A orientação é procurar um ortopedista quando a dor no ombro persiste por mais de sete a dez dias, mesmo com repouso, quando há limitação de movimento, fraqueza ou perda de força ao levantar o braço, além de inchaço, dormência, formigamento ou sensação de instabilidade. Situações em que a dor surge após trauma, como quedas ou pancadas, também exigem avaliação. O especialista poderá identificar se há lesão tendínea, bursite, instabilidade ou outra condição que demande fisioterapia, exames complementares ou tratamento específico.
O verão é um convite à atividade física, benéfica para o corpo e a mente. No entanto, o ombro, por sua grande mobilidade, é mais suscetível à sobrecarga. Com aquecimento adequado, fortalecimento muscular e respeito ao descanso, é possível aproveitar a estação sem dores. Diante de qualquer sinal de alerta, buscar orientação médica de forma precoce faz toda a diferença.