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Cultura

MENE destaca a importância do Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente

“Em cidades como Erechim, a população negra sempre esteve presente: trabalhando, construindo a cidade, produzindo cultura e resistindo”, pontua manifestação

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Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

 Celebrado no dia  24, o Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente, instituído pela Unesco, propõe uma reflexão sobre a importância histórica, cultural e social dos povos africanos e de seus descendentes na formação das sociedades contemporâneas. No Brasil, a data ganha significado especial, já que a herança africana está profundamente enraizada na identidade nacional.

 A cultura africana influenciou de forma decisiva a música, a dança, a religiosidade, a culinária, a linguagem e os saberes tradicionais do país. Muito além de elementos folclóricos, essas contribuições estruturam práticas cotidianas e valores que atravessam gerações, mesmo quando nem sempre são reconhecidos ou valorizados.

 Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população brasileira se autodeclara preta ou parda. Ainda assim, especialistas apontam que a cultura afrodescendente segue enfrentando desafios relacionados ao preconceito, à invisibilização histórica e à intolerância religiosa. Nesse contexto, o 23 de janeiro surge como uma oportunidade de reafirmar a diversidade cultural como patrimônio coletivo.

 Em Erechim, a presença da cultura afrodescendente se manifesta em diferentes espaços, seja por meio de expressões religiosas de matriz africana, iniciativas culturais, grupos de estudo, ações educativas ou debates promovidos em escolas e instituições. Embora muitas vezes discreta, essa presença contribui para a pluralidade cultural do município e para a construção de uma sociedade mais diversa.

 Para estudiosos do tema, valorizar a cultura africana e afrodescendente é também um exercício de memória histórica. Reconhecer o passado é essencial para compreender desigualdades ainda existentes e fortalecer o respeito às diferenças. A educação, especialmente no ambiente escolar, é apontada como um dos principais caminhos para ampliar esse debate de forma consciente e responsável.

 A data dialoga diretamente com outras pautas relevantes do calendário nacional, como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro. Religiões de matriz africana continuam sendo alvo frequente de preconceito, o que reforça a necessidade de informação e diálogo como instrumentos de transformação social.

 O Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente não se propõe apenas a celebrar tradições, mas também a promover reflexão crítica. Trata-se de reconhecer que a diversidade cultural fortalece a democracia, amplia horizontes e contribui para uma convivência mais justa e respeitosa.

MENE Erechim

Em nota enviada pelo MENE (Movimento Étnico-Cultural dos Negros de Erechim), no Sul do país, esse reconhecimento assume um significado ainda mais urgente. “A história oficial da região costuma valorizar quase exclusivamente a imigração europeia, o que contribui para o apagamento da presença negra e de suas contribuições sociais, culturais e econômicas. Essa narrativa incompleta reforça desigualdades e sustenta o racismo estrutural, ainda presente no cotidiano”.

 “Em cidades como Erechim, a população negra sempre esteve presente: trabalhando, construindo a cidade, produzindo cultura e resistindo. No entanto, sua história raramente ocupa os espaços de memória, os currículos escolares ou as políticas culturais. Valorizar a cultura africana e afrodescendente é, portanto, um ato de reparação histórica e de afirmação do direito ao pertencimento.

 A cultura negra não se limita a manifestações pontuais. Ela está nas formas de organização comunitária, nos saberes ancestrais, na música, na culinária, na religiosidade e na luta por direitos. Reconhecê-la é compreender que cultura também é política e que disputar narrativas é parte essencial do enfrentamento ao racismo.

 

 A data reforça, ainda, a importância de ações permanentes, como a efetiva aplicação da Lei 10.639/2003, que prevê o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas. Educação e cultura são ferramentas centrais para a construção de uma sociedade mais justa e democrática”, finaliza a nota.

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