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Saúde

Além do balcão, farmacêutico hospitalar garante segurança no tratamento dos pacientes

No dia do Farmacêutico, profissão é lembrada pela atuação na oncologia e na assistência direta ao paciente hospitalizado

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Medicamentos sendo colocados para o próximo processo, que seria a manipulação dos quimioterápicos
Farmacêutica fazendo a manipulação dos quimioterápicos para atender a demanda dos pacientes
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Marcelo V. Chinazzo

No Brasil, o Dia do Farmacêutico é comemorado em 20 de janeiro, já no âmbito internacional, a data escolhida é 25 de setembro, conforme a Federação Internacional Farmacêutica (FIP). A data nacional foi instituída em 1941 e oficializada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) em 2007, em homenagem à fundação da Associação Brasileira de Farmacêuticos (ABF), criada em 20 de janeiro de 1916. O objetivo é destacar a importância do farmacêutico, que atua em farmácias, hospitais, indústrias e na orientação direta ao paciente.

Os farmacêuticos adquirem durante toda a sua formação o conhecimento científico necessário para desempenhar funções vitais para a segurança e o bem-estar dos pacientes.

Do balcão à farmácia hospitalar

Apesar de a imagem mais conhecida do farmacêutico ser a do profissional de drogarias, a atuação em hospitais é muito mais ampla e integrada à equipe de saúde. Sobre essa diferença, Carla Regina Zanella, farmacêutica oncológica na Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (FHSTE), destaca que “o que diferencia as duas áreas é a maior proximidade com o paciente e seu histórico de saúde”.

Na farmácia comercial, o foco do farmacêutico está na dispensação de medicamentos, um segmento essencial da profissão. No entanto, a alta rotatividade de pacientes acaba prejudicando a assistência farmacêutica, que geralmente se limita a serviços como aplicação de injetáveis e verificação da pressão arterial. Já na farmácia hospitalar, a atuação é mais complexa, o farmacêutico responde por toda a cadeia de suprimentos, incluindo a padronização de medicamentos, a normatização dos processos de recebimento, armazenamento e transporte de insumos, além do fracionamento, manipulação e dispensação de medicamentos conforme dose e horário prescritos, com foco também na farmacoeconomia. “O farmacêutico hospitalar participa de várias comissões multidisciplinares com o intuito de garantir o melhor tratamento e atendimento ao paciente”, destaca Carla.

Integração multiprofissional e cuidado oncológico

“O farmacêutico é peça importante dentro da equipe multidisciplinar do hospital, participando ativamente na tomada de decisão para que o paciente, usuário final da cadeia de um hospital, receba o tratamento adequado para sua enfermidade”, explica Carla Zanella. E na oncologia, essa atuação se torna ainda mais crítica, pois além da manipulação de medicamentos quimioterápicos, o farmacêutico mantém contato constante com a equipe médica, auxiliando na avaliação de esquemas terapêuticos, organização de agendas e orientação de pacientes e familiares sobre possíveis reações adversas e infusionais.

Manipulação de quimioterápicos

O preparo de medicamentos quimioterápicos é uma função privativa do farmacêutico, regulamentada pela Resolução CFF nº 288/96. Carla esclarece que “o farmacêutico é responsável por revisar os esquemas, as prescrições (doses, diluições, incompatibilidades), garantir a qualidade dos medicamentos manipulados e treinar a equipe multiprofissional quanto às características e particularidades de cada medicamento”.

A especialização é fundamental, tendo em vista que “as terapias antineoplásicas demandam uma atenção especial, pois utilizam doses terapêuticas muito próximas das doses tóxicas, que podem ocasionar danos irreversíveis ou até a morte, já que os pacientes oncológicos são imunossuprimidos pela doença ou pelo próprio tratamento”, alerta a farmacêutica.

Formação e atualização constante

Para atuar na oncologia, o farmacêutico precisa de formação específica e de acordo com a Resolução CFF 640/17, é necessário que seja egresso de programa de pós-graduação latu sensu reconhecido pelo MEC, tenha residência na área de oncologia ou possua título de especialista emitido pela Sociedade Brasileira de Farmacêuticos em Oncologia (Sobrafo). Carla reforça que, além da titulação mínima, o profissional precisa “estar em constante busca de conhecimento e atualização, participação em congressos, trocas de experiências com outros farmacêuticos, serviços e outros profissionais que atuam na área”.

O cuidado humano

Além da expertise técnica, a atuação do farmacêutico oncológico envolve o cuidado humano, pois “o profissional precisa ser capaz de estabelecer vínculos confiáveis com o paciente e seus familiares, estar disponível e atento às suas necessidades durante todo o tratamento, que pode ser longo”, pontua Carla. As orientações dadas devem ser feitas em linguagem acessível, garantindo compreensão e segurança no uso dos medicamentos.

Desafios e perspectivas da farmácia hospitalar

O dia a dia do farmacêutico hospitalar na oncologia apresenta desafios significativos, como a necessidade de atualização constante sobre novos medicamentos, pressão do tempo devido à manipulação e tarefas administrativas, e a responsabilidade de lidar com os aspectos psicossociais do câncer. Para Carla, “ser um farmacêutico oncológico é rememorar a essência da profissão, da botica, a alquimia do preparo de doses individualizadas para cada paciente, o contato íntimo com o paciente, enfim, é dedicar-se ao próximo, ao seu cuidado”.

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