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Saúde

Degeneração macular relacionada à idade ameaça a visão após os 50 anos

Doença cresce com o envelhecimento da população e já é a principal causa de cegueira em idosos no mundo

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Além de manter um estilo de vida saudável, manter uma rotina de consulta regular com o oftalmologist
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI), também chamada de maculopatia relacionada à idade, é uma doença degenerativa que afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes. Trata-se da principal causa de deficiência visual e cegueira em pessoas com mais de 50 anos. Nos estágios iniciais, a doença pode não apresentar sintomas, mas, à medida que avança, provoca perda progressiva da visão central, dificultando atividades cotidianas como leitura e reconhecimento de rostos.

Os primeiros sinais

Na maior parte dos casos, a busca por ajuda médica acontece quando as alterações visuais começam a interferir na rotina. Os pacientes relatam distorção de linhas retas, surgimento de manchas escuras no campo de visão ou dificuldade para ler e identificar fisionomias. Esses sinais costumam gerar preocupação e funcionam como um alerta para a necessidade de avaliação oftalmológica.

Envelhecimento populacional explica crescimento dos casos

Dados publicados na revista The Lancet Global Health indicam que o número de pessoas com perda de visão atribuída à DMRI deve aumentar consideravelmente até 2050. Segundo o oftalmologista especialista em retina e vítreo do Instituto de Olhos Santa Luzia, Dr. Antonio Vaccaro, “a principal razão para o aumento projetado no número de pessoas afetadas pela DMRI é o envelhecimento da população global”. Ele explica que, à medida que mais indivíduos alcançam idades avançadas, cresce também a incidência de uma doença diretamente associada ao envelhecimento.

Estimativas históricas ajudam a dimensionar essa evolução. Em 1992, cerca de 5 milhões de pessoas conviviam com a DMRI no mundo. Em 2021, esse número chegou a aproximadamente 8 milhões, um aumento de cerca de 60% em 29 anos. A projeção até 2050 aponta um crescimento ainda mais acelerado, nos mesmos 29 anos, o total deve aumentar em torno de 162,5%, alcançando mais de 21 milhões de pessoas com perda visual relacionada à doença.

Uma doença silenciosa no início

A DMRI é frequentemente chamada de doença silenciosa nas fases iniciais justamente pela ausência de sintomas evidentes. De acordo com o especialista, “a DMRI é considerada uma doença silenciosa nas fases iniciais porque muitas vezes não apresenta sintomas perceptíveis até que a condição tenha avançado significativamente”. Como a perda visual ocorre de forma gradual, muitos pacientes só percebem o problema quando a visão já está comprometida.

DMRI seca e DMRI úmida

Do ponto de vista do paciente, a DMRI seca e a DMRI úmida apresentam evoluções bastante distintas. A forma seca é caracterizada pela presença de drusas, pequenos depósitos nas camadas da retina, e costuma provocar perda visual lenta e progressiva. Não há um tratamento curativo, mas o acompanhamento regular, suplementos vitamínicos e, mais recentemente, a fotobiomodulação a laser podem ajudar a retardar a progressão.

Já a DMRI úmida é considerada mais agressiva. Ela envolve o crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina, o que pode causar hemorragias e acúmulo de fluidos. Nesses casos, a perda visual tende a ser rápida e acentuada, exigindo tratamento com injeções intraoculares de medicamentos anti-VEGF.

Estilo de vida influencia o risco da doença

Os hábitos de vida exercem papel importante tanto no desenvolvimento quanto na progressão da DMRI. “Hábitos de vida, como uma dieta rica em frutas e vegetais, não fumar e manter um peso saudável, têm sido associados à redução do risco de desenvolvimento e progressão da DMRI”, afirma Dr. Antonio Vaccaro. Em contrapartida, o tabagismo e o sedentarismo estão claramente relacionados ao aumento do risco da doença.

Tecnologia como aliada no diagnóstico precoce

A tomografia de coerência óptica (OCT) é uma das principais ferramentas no cuidado com pacientes que têm ou podem desenvolver DMRI. O exame permite obter imagens detalhadas da retina, capazes de identificar alterações muito precoces. Segundo o médico, “também é importante para monitorar a progressão da doença e a resposta ao tratamento”, tornando-se indispensável no acompanhamento a longo prazo.

Sinais de alerta

O tratamento imediato se torna essencial quando há sinais de progressão, especialmente na forma úmida da doença. “Os pacientes devem ficar atentos a sintomas como distorção visual, aumento de manchas escuras no campo de visão ou perda rápida de visão”, alerta o oftalmologista. A identificação precoce desses sinais pode ser decisiva para preservar a visão.

Como retardar a progressão da DMRI seca

Embora não exista cura para a DMRI seca, algumas estratégias ajudam a retardar a perda visual. Alimentação rica em antioxidantes, prática regular de exercícios, controle de doenças como hipertensão e diabetes e o uso de suplementos vitamínicos específicos, como as fórmulas AREDS, fazem parte das recomendações atuais para esses pacientes.

Avanços que mudaram o prognóstico

Nos últimos anos, os avanços no tratamento da DMRI, especialmente da forma úmida, transformaram o prognóstico dos pacientes. Novas gerações de medicamentos anti-VEGF, diferentes formulações e estratégias terapêuticas combinadas têm aumentado a eficácia do controle da doença. Além disso, pesquisas em terapia genética e novas abordagens para a DMRI seca despontam como promissoras.

Prevenção ainda é o melhor caminho

Para pessoas acima dos 50 anos, a principal orientação é investir na prevenção. “A principal orientação preventiva é manter um estilo de vida saudável, que inclui uma dieta equilibrada rica em nutrientes, não fumar, fazer exercícios regularmente e realizar consultas oculares regulares com um oftalmologista para monitorar a saúde dos olhos”, conclui Dr. Antonio Vaccaro.

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