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Economia

Novo salário mínimo: o que muda para empresas e trabalhadores

Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Sindilojas pontuam seus pontos de vista

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Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

 Desde 1º de janeiro de 2026, passou a valer em todo o território nacional o novo valor do salário-mínimo. O reajuste foi confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento após a divulgação dos dados oficiais de inflação e representa um aumento de 6,79% em relação ao valor vigente até dezembro de 2025. Apesar de o novo piso entrar em vigor em janeiro, os trabalhadores passam a receber o valor reajustado a partir dos salários pagos em fevereiro.

 

Com a atualização, o salário-mínimo nacional passa a ser de:

  1. R$ 1.621,00 (mil seiscentos e vinte e um reais) por mês;
  2. R$ 54,03 (cinquenta e quatro reais e três centavos) por dia (R$ 1.621,00 ÷ 30 dias);
  3. R$ 7,37 (sete reais e trinta e sete centavos) por hora (R$ 1.621,00 ÷ 220 horas).

 O novo valor representa um aumento nominal de R$ 103 em relação aos R$ 1.518 praticados até o fim de 2025. É importante destacar que, nos estados que possuem salário-mínimo regional, como São Paulo, esse piso estadual deve ser observado sempre que for superior ao valor nacional, assim como os pisos definidos em convenções ou acordos coletivos de trabalho, que prevalecem sobre o mínimo federal.

Impactos para as empresas

 Embora o reajuste do salário-mínimo já estivesse previsto no orçamento federal, é fundamental que as empresas adotem cuidados na aplicação do novo valor, especialmente nas áreas de recursos humanos e departamento pessoal. Segundo Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade, a atualização não deve ser confundida com reajustes decorrentes de dissídios coletivos.

 

         Outro ponto relevante é que benefícios previdenciários e valores atrelados diretamente ao salário-mínimo também são reajustados automaticamente. A legislação trabalhista estabelece ainda que o pagamento do salário, independentemente da modalidade de contratação, não pode ser estipulado por período superior a um mês.

Diego Lauer

 

Para Diego Lauer, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Erechim, o novo aumento do salário mínimo para 2026 é uma boa notícia para milhões de trabalhadores brasileiros. “Nos últimos anos, o salário mínimo voltou a ter reajustes acima da inflação, algo que não acontecia há muito tempo, e isso faz diferença no dia a dia de quem vive do próprio trabalho. Significa mais poder de compra, comida na mesa e mais dignidade para as famílias”.

 

 Mas também reforça que é importante dizer com clareza o salário mínimo, sozinho, não resolve toda a defasagem salarial da classe trabalhadora. “Ele é o ponto de partida, não o ponto de chegada. No nosso sindicato, sempre lutamos para garantir pisos salariais acima do mínimo, porque quem trabalha na indústria precisa ter seu esforço reconhecido e valorizado”, ressalta.

 “Mesmo assim, a valorização do salário mínimo é fundamental. Ele serve como referência para as negociações coletivas e fortalece a luta sindical. Quando o mínimo cresce acima da inflação, ele puxa os salários para cima, ajuda a evitar o achatamento salarial e dá mais força para negociar melhores condições para toda a categoria”, pontua Diego.

 

“Por isso, defender um salário mínimo valorizado e, ao mesmo tempo, lutar por pisos e reajustes superiores faz parte da mesma luta. O nosso compromisso é seguir trabalhando para garantir salários justos, valorização profissional e mais dignidade para todos os trabalhadores e trabalhadoras da nossa categoria”, finaliza.

 

José Gelso Miola

Para o presidente do Sindilojas de Erechim, José Gelso Miola, o que mais preocupa atualmente quanto à evolução do salário mínimo nacional é seu impacto nas contas públicas. “O salário mínimo funciona como indexador do piso da previdência social, do seguro-desemprego, do abono salarial e dos benefícios da LOAS, que juntos representam uma parte gigantesca do gasto público federal”.

 “A recente modificação de submeter a política de valorização do salário mínimo nacional aos limites definidos pelo arcabouço fiscal, embora represente um avanço em relação ao regime de atualização anterior, não deixa de tornar sua trajetória insustentável. Mesmo com uma carga tributária já bastante elevada, ela segue insuficiente para cobrir uma conta de tamanho tão expressivo, que avança em termos reais ano após ano”, finaliza.

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