As chamadas “dores do crescimento” são uma queixa comum na infância e, apesar do nome, não estão diretamente ligadas ao crescimento dos ossos. Elas correspondem a episódios de dor musculoesquelética benigna, mais frequentes em crianças em idade pré-escolar e escolar, geralmente acometendo os membros inferiores. Segundo o pediatra Dr. Fernando Ferri, “a explicação fisiológica mais aceita envolve fatores como sobrecarga muscular, fadiga, maior sensibilidade à dor e imaturidade do sistema musculoesquelético, sem comprometimento articular ou estrutural”.
Idade mais comum e padrão dos episódios
Essas dores costumam surgir entre os 3 e 6 anos de idade e são mais frequentes até o final da infância, apresentando redução progressiva na adolescência. Elas não seguem um padrão contínuo e podem desaparecer por períodos, retornando em diferentes fases. Esse caráter intermitente é típico e não costuma estar associado a doenças orgânicas, o que ajuda a tranquilizar pais e cuidadores.
Por que as pernas doem mais e à noite?
A predominância das dores nas pernas está relacionada à maior sobrecarga dos membros inferiores ao longo do dia, durante brincadeiras e atividades físicas. Além disso, os episódios costumam ocorrer no período noturno ou na madrugada, o que, de acordo com o pediatra, se explica “pela fadiga acumulada ao longo do dia e por alterações na percepção da dor durante o repouso, quando estímulos externos são reduzidos”.
Dor intensa, mas passageira
Embora benignas, as dores do crescimento podem ser bastante intensas, por isso é esperado que, durante o episódio, a criança chore, grite, não permita o toque ou demonstre grande desconforto. No entanto, uma característica marcante é a completa recuperação no dia seguinte, em que a criança costuma acordar bem, sem dor, sem limitação funcional, sem sinais inflamatórios e, muitas vezes, sem sequer lembrar do ocorrido.
Como diferenciar de problemas mais graves
A diferenciação entre dores do crescimento e outras causas de dor é fundamental. Esse tipo de dor é geralmente bilateral, intermitente, ocorre à noite e não apresenta sinais inflamatórios ou alterações no exame físico. O Dr. Ferri ressalta que é necessária avaliação médica quando “há dor persistente ou progressiva, unilateral, presença de edema, calor ou rubor local, claudicação, limitação funcional, febre, perda de peso, dor ao acordar pela manhã ou alterações no exame físico”. Esses sinais podem indicar inflamações, lesões, problemas ortopédicos ou outras condições que exigem investigação.
Relação com o sono e despertares noturnos
Segundo o pediatra, “as dores do crescimento também podem interferir no sono e podem estar associadas a despertares noturnos, choro intenso e agitação, podendo ocasionalmente coexistir com episódios de terror noturno”. Apesar disso, essa relação não indica distúrbio neurológico ou alteração primária do sono, mas sim o desconforto causado pela dor durante o repouso.
Como aliviar a dor durante a crise
Durante os episódios, medidas simples costumam ser eficazes para aliviar o desconforto. “Durante a crise, medidas de conforto como acolhimento, massagem suave, calor local e alongamentos leves costumam ser eficazes”, orienta Dr. Ferri. Em casos de dor mais intensa ou quando essas medidas não são suficientes, o uso pontual de analgésicos simples pode ser indicado, sempre com orientação médica.