Muito se fala sobre desenvolvimento humano, mas é na infância que tudo começa e a forma como a criança cresce, aprende e se relaciona com o mundo influencia diretamente o adulto que ela se tornará.
Desenvolvimento biopsicossocial
O desenvolvimento infantil acontece de maneira biopsicossocial, envolvendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais, desde a primeira infância, que vai do nascimento até os 3 anos. A criança precisa de experiências e vivências reais para desenvolver habilidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais e brincar, interagir e explorar o ambiente são partes essenciais desse processo.
Na primeira infância, o vínculo com cuidadores é determinante, pois é por meio do apego, da conexão emocional e das interações diárias que a criança desenvolve a comunicação verbal e não verbal, além das descobertas sensoriais. Nesse contexto, o uso de telas se torna um fator de preocupação, tendo em vista que “não há nenhum estudo que mostra que as telas são benéficas nessa idade, bem pelo contrário, é prejudicial, pois retira o tempo de convivência que a criança tem com os seus familiares”, alerta Vitória Dalla Vecchia Matté, psicóloga infantil especializada em terapia cognitivo comportamental na infância e na adolescência
Impactos das telas no desenvolvimento
O excesso de telas substitui experiências fundamentais, como o brincar livre, a atividade física e a socialização, deixando as crianças mais tempo paradas, deixando de desenvolver coordenação motora, atenção, memória, regulação emocional e habilidades sociais. Além disso, o uso prolongado pode afetar o sono e contribuir para quadros de ansiedade, irritabilidade e até obesidade.
As telas ativam o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e com o uso excessivo, esse sistema se torna menos responsivo, gerando frustração e necessidade de estímulos cada vez maiores, o que favorece o ciclo de dependência. “É um impacto tanto físico, quanto cognitivo, quanto emocional. O impacto é em tudo, na verdade”, resume a psicóloga.
Telas, TDAH e autismo
Muitos comportamentos associados ao excesso de telas podem ser confundidos com TDAH ou autismo, como dificuldade de atenção, irritabilidade e problemas de socialização, no entanto, em muitos casos, trata-se de prejuízos cognitivos decorrentes do estímulo excessivo e não de um transtorno do neurodesenvolvimento.
Equilíbrio é a chave
A tecnologia faz parte da vida das novas gerações e não pode ser ignorada, o desafio está no equilíbrio. Combinados familiares, supervisão e limites claros permitem que a criança tenha contato com a tecnologia sem abrir mão do brincar, da socialização e das atividades físicas, garantindo assim, experiências reais na infância para investir em adultos mais saudáveis, autônomos e funcionais no futuro.