Durante o verão, mudanças na rotina e no ambiente impactam diretamente a saúde respiratória. Apesar de ser uma estação associada a maior bem-estar, especialistas alertam que alguns cuidados seguem sendo fundamentais, especialmente para quem convive com doenças crônicas.
Doenças respiratórias no verão
De maneira geral, o verão costuma ser um período mais favorável para a saúde pulmonar. Com mais tempo ao ar livre, maior prática de atividades físicas e alimentação mais equilibrada, há uma redução na circulação de vírus respiratórios, como os causadores de gripes e resfriados. Isso reflete diretamente na diminuição das exacerbações de doenças pulmonares crônicas.
No entanto, nem todas as condições respiratórias apresentam melhora. “Porém, doenças com caráteres alérgicos podem predominar nesse período, incluindo asma e rinite. Isso pode ser explicado pelo aumento a exposição ao mofo, polem e poeira”, lembra o pneumologista, Dr. Lucas de Brida Andrade.
Praias, piscinas e cuidados com a respiração
O lazer típico do verão, como idas à praia e à piscina, também exige atenção. A exposição ao cloro, presente na água das piscinas, pode causar irritação das mucosas do nariz e da garganta, além de alergias ou sensibilidade respiratória, especialmente após contato prolongado.
Apesar disso, o especialista destaca os benefícios da atividade física aquática. A natação contribui para o fortalecimento da musculatura respiratória e, quando praticada em ambientes com manutenção adequada da água, é considerada uma excelente opção de exercício. “Reforçando, a hidratação adequada é fundamental, principalmente em dias muito quentes e durante exposição prolongada ao sol. Beber água regularmente ajuda a evitar o ressecamento das vias respiratórias e reduz o risco de desconfortos respiratórios durante o lazer”, pontua Dr. Lucas.
Uso do ar-condicionado e impactos respiratórios
Com as altas temperaturas, o ar-condicionado se torna indispensável, especialmente em ambientes de trabalho. No entanto, o uso frequente pode trazer consequências. Lucas explica que “quando usamos o ar condicionado, geralmente estamos em um ambiente fechado, com pouca renovação do ar, o que favorece a circulação e a transmissão de vírus respiratórios entre as pessoas. Além disso, o ar-condicionado tende a deixar o ambiente mais seco, provocando ressecamento das mucosas do nariz e da garganta”.
Esse ressecamento reduz a eficácia das defesas naturais do organismo, favorecendo infecções, irritações, tosse e desconforto. Outro ponto de alerta é a limpeza dos equipamentos. Filtros sujos podem acumular poeira, fungos e outras partículas que acabam sendo dispersas no ar, agravando quadros respiratórios.
Asma, rinite e bronquite
Embora as exacerbações dessas doenças sejam mais comuns no inverno, elas podem ocorrer em qualquer época do ano. A asma, em especial, exige acompanhamento contínuo. Os principais sinais de alerta incluem aumento da falta de ar, tosse frequente ou persistente, chiado no peito, sensação de aperto torácico e maior necessidade de medicações de alívio.
No caso da rinite, obstrução nasal intensa, coriza persistente e espirros frequentes também merecem atenção. “Ao perceber qualquer piora dos sintomas ou dificuldade para controlar a respiração, a pessoa deve procurar orientação médica ou atendimento de saúde, evitando a progressão da crise e possíveis complicações”, coloca o pneumologista.
Hábitos simples que fazem diferença
Algumas medidas do cotidiano ajudam a prevenir doenças respiratórias durante o verão. Manter os ambientes bem arejados reduz a concentração de poeira, mofo e agentes irritantes. A exposição regular de colchões, travesseiros e roupas ao sol ajuda a combater ácaros e fungos. A limpeza frequente dos filtros do ar-condicionado é essencial para garantir a qualidade do ar. Além disso, a hidratação adequada continua sendo uma aliada importante para evitar o ressecamento das vias respiratórias e manter o organismo funcionando corretamente.
Quando procurar um pneumologista?
A busca por um especialista é indicada quando os sintomas respiratórios se tornam frequentes, persistentes ou passam a impactar a qualidade de vida. Falta de ar recente ou em piora, cansaço nas atividades diárias, tosse prolongada, presença de catarro ou sangue, além de sintomas em tabagistas ou ex-tabagistas, são sinais importantes de alerta.
Pessoas com asma, assim como aquelas que desejam parar de fumar, também se beneficiam do acompanhamento especializado. “Sempre que os sintomas interferirem nas atividades diárias, no sono ou no desempenho no trabalho, é fundamental buscar avaliação médica”, pontua Dr. Lucas. A consulta pneumológica permite identificar a causa dos sintomas, ajustar tratamentos e prevenir a progressão das doenças, garantindo mais segurança e qualidade de vida.