A vacinação continua sendo uma das mais importantes estratégias de proteção da saúde pública, fundamental para evitar o retorno de doenças graves que já foram controladas ou erradicadas no Brasil. Em Erechim, profissionais da área da saúde reforçam o alerta para a importância de manter o calendário vacinal em dia, especialmente diante da queda nas coberturas vacinais observada nos últimos anos.
Doenças como sarampo, coqueluche e poliomielite são consideradas imunopreveníveis, ou seja, podem ser evitadas por meio da vacinação. No entanto, casos dessas enfermidades voltaram a ser registrados em diferentes regiões do país, acendendo um sinal de alerta para autoridades sanitárias.
“Fazendo a vacina existe a possibilidade de não contrair essas doenças ou de não as desenvolver de forma grave. A vacinação é a melhor forma de criar anticorpos sem precisar passar pelas sequelas que a doença pode provocar”, explica a enfermeira e coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Erechim, Juliana Feix.
Imunização eficaz e histórica
Desde a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 1973, o Brasil registrou uma queda expressiva na incidência de diversas doenças. Juliana relembra que, antes da ampla cobertura vacinal, era comum encontrar crianças com sequelas causadas pela poliomielite, o que motivou campanhas históricas, como os tradicionais Dias D de vacinação.
“A primeira vacina foi criada em 1796, contra a varíola. Desde então, a ciência vem evoluindo. Foi a partir da vacina que conseguimos ampliar a proteção da população, aumentar a expectativa de vida e reduzir mortes”, destaca.
Atualmente, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) 47 imunobiológicos, sendo 30 vacinas, 13 soros e quatro imunoglobulinas. Deste total, 19 vacinas fazem parte da rotina de imunização, com indicações específicas para determinados públicos, como pessoas imunossuprimidas. O calendário é mais intenso nos primeiros anos de vida, garantindo proteção desde o nascimento.
Inclusão de vacinas de alto custo
Além da ampla oferta, o Brasil avançou na incorporação de vacinas de alto custo ao SUS, como o esquema completo contra a meningite e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite.
“Ter essas vacinas disponíveis gratuitamente é uma grande conquista, que reforça a importância de ampliarmos a conscientização da população sobre a vacinação”, avalia a secretária adjunta de Saúde, Juliana Deboni Conci.
Qualidade e segurança garantidos
Segundo a enfermeira responsável pelas imunizações no município, Luciana Grendene, o rigor no armazenamento e no controle de qualidade é um diferencial do serviço público.
“Seguimos normas muito rígidas quanto ao transporte, manuseio e conservação. As vacinas ficam armazenadas em geladeiras monitoradas diariamente”, afirma. Para ela, é um mito acreditar que a vacina ofertada pelo SUS tem menor qualidade.
Outro ponto de preocupação é a diminuição na procura pela vacinação, intensificada após a pandemia de Covid-19. Entre os principais fatores estão a disseminação de fake news e a falsa percepção de que determinadas doenças não existem mais.
“Vacinar é um ato individual, mas principalmente coletivo, para que essas doenças não voltem a circular”, completa Luciana.
Imunização em Erechim
No município de Erechim, além da vacinação de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), são realizados mutirões e Dias D, geralmente aos sábados, para facilitar o acesso das famílias. As salas de vacinação funcionam das 8h30 às 11h e das 13h às 16h30 em todas as UBSs. A UBS Centro também atende ao meio-dia e mantém horário estendido até as 18h.
Os números reforçam a relevância da imunização: somente em 2025, foram aplicadas 82.019 doses de vacinas no município, com média mensal de aproximadamente 4 mil doses. Durante a campanha de vacinação contra a influenza, nos meses de abril e maio, esse número ultrapassa 20 mil doses mensais. No primeiro semestre de 2026, está disponível a vacina contra o HPV para meninos e meninas de até 19 anos que ainda não foram imunizados.
Vacinar é cuidado e prevenção
Para quem utiliza o serviço, a vacinação representa cuidado, prevenção e tranquilidade. A moradora de Erechim, Paola Azevedo, mãe do pequeno Alisson, de três meses, reforça a importância de seguir o calendário vacinal.
“Eu acho bem importante porque protege de doenças que a gente nem imagina que existem. Trago ele sempre certinho, conforme as datas, não deixo passar”, relata.
Vacinas disponíveis nas UBSs de Erechim
- BCG;
- Hepatite B;
- Pentavalente (DTP/Hib/Hepatite B);
- Poliomielite;
- Rotavírus;
- Pneumocócica 10;
- Meningocócica C;
- Meningocócica ACWY;
- Influenza;
- Covid-19;
- Febre Amarela;
- Tríplice Viral (Sarampo, Rubéola e Caxumba);
- Tetraviral (Sarampo, Rubéola, Caxumba e Varicela);
- DTP (Difteria, Tétano e Coqueluche);
- Hepatite A;
- Varicela;
- DT (Difteria e Tétano);
- DTPa (gestantes e profissionais da saúde);
- Dengue (10 a 14 anos);
- VVSR – Vírus Sincicial Respiratório (gestantes);
- HPV (9 a 14 anos para meninos e meninas);
- Antirrábica Humana (em casos de acidentes com animais).
Manter a vacinação em dia é uma atitude simples, segura e essencial para proteger a própria saúde e a de toda a comunidade.