21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Saúde

Câncer de pele é sempre maligno e exige atenção aos primeiros sinais

Do melanoma aos tipos mais comuns, dermatologista alerta para riscos, prevenção diária e a importância do diagnóstico precoce

teste
“Eu brinco que é um hábito que a gente tem que criar que nem escovar os dentes. A gente escova os de
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Vivian Mattos

Apesar de ainda gerar dúvidas entre pacientes, o câncer de pele é sempre um tumor maligno. “Se é câncer de pele, ele é maligno, é que ele vai crescendo, ele vai se desenvolvendo. Então, por isso que ele é chamado de câncer”, explica Dra. Ariane Assoni, médica dermatologista. Segundo ela, muitas lesões começam de forma discreta, como feridas que não cicatrizam e seguem aumentando com o tempo, o que reforça a importância da atenção aos sinais iniciais.

O câncer mais comum do mundo

O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil e no mundo. A doença está fortemente relacionada à exposição à radiação ultravioleta, principalmente ao sol. De forma geral, os especialistas dividem o câncer de pele em dois grandes grupos, o câncer de pele não melanoma e o melanoma. Dentro do não melanoma, os mais comuns são o Carcinoma Basocelular e o Carcinoma Espinocelular.

Embora existam vários tipos, a médica destaca que, na prática, três merecem maior atenção. Dois deles são mais frequentes e menos agressivos, enquanto o terceiro, o melanoma, é mais raro, porém mais perigoso.

Melanoma

Entre os três principais tipos, o melanoma é o que oferece maior risco à saúde. Conhecido como o câncer da “pinta preta”, ele tem maior capacidade de se espalhar para outros órgãos. “Se eu achar uma pintinha bem cedo, diferente, que alterou, e retirar quando ela ainda é fina, o paciente basicamente está curado”, afirma a médica.

O problema surge quando a lesão é negligenciada. Se o melanoma evolui, pode atingir linfonodos, cérebro, pulmões e outras regiões do corpo, o que piora o prognóstico. Já os carcinomas basocelular e espinocelular apresentam risco de metástase bem menor, embora não seja inexistente.

Sinais simples que não devem ser ignorados

Algumas manifestações aparentemente inofensivas podem ser sinais de alerta. Lesões novas que surgem e não cicatrizam, feridas avermelhadas persistentes, casquinhas nos braços ou mãos e espinhas que permanecem por mais de dois ou três meses merecem avaliação médica. “Uma espinha não costuma durar tanto tempo. Quando persiste, a gente precisa ligar o alerta”, reforça Dra. Ariane.

No caso do melanoma, a atenção deve ser redobrada com pintas que mudam de cor, tamanho, formato, passam a doer ou apresentam sangramento.

Principal fator de risco

A exposição à radiação ultravioleta UVA e UVB é um dos principais fatores para o desenvolvimento do câncer de pele. Esse dano ocorre de forma cumulativa ao longo da vida, afetando o DNA das células. Pessoas acima dos 50 anos, mesmo que hoje se exponham pouco ao sol, precisam de atenção, pois o risco está relacionado à soma da exposição desde a infância.

Além do sol, fatores como pele clara, olhos claros, cabelos loiros, tendência a queimaduras, grande número de pintas no corpo e atividades profissionais ao ar livre aumentam o risco da doença.

Horários críticos e hábitos de proteção

O período entre 10h e 16h é o mais perigoso para a exposição solar. A recomendação é evitar o sol nesses horários e usar protetor solar diariamente, mesmo fora da praia ou da piscina. “Eu brinco que é um hábito que a gente tem que criar que nem escovar os dentes. A gente escova os dentes todos os dias, a gente tem que passar o protetor solar todos os dias”, enfatiza a médica.

A aplicação deve ser feita cerca de 30 minutos antes da exposição, com reaplicação a cada duas horas ou após entrar na água ou suar excessivamente. O uso de proteção física, como chapéus, bonés, roupas com proteção UV e guarda-sóis, potencializa a prevenção.

Bronzeado não é sinônimo de saúde

Embora culturalmente valorizado, o bronzeado não é considerado saudável. “Bronzeado nada mais é do que uma proteção da nossa pele. A nossa pele entende que está sendo agredida”, explica Dra. Ariane. O aumento natural de proteção é mínimo, equivalente a apenas 2 ou 3 FPS, insuficiente para prevenir danos maiores.

A médica alerta ainda que camas de bronzeamento são proibidas no Brasil devido ao risco comprovado de câncer de pele. Como alternativa estética, os autobronzeadores sem sol são considerados mais seguros.

Outros problemas comuns no verão

Além do câncer de pele, o verão favorece o surgimento ou agravamento de outras condições, como o melasma, micoses e ressecamento da pele. O melasma, muito comum em mulheres, é fortemente influenciado pelo sol e por alterações hormonais. “O melasma é multifatorial e o sol é um grande vilão”, ressalta a especialista.

Cuidados básicos durante todo o ano

Uma rotina simples é suficiente para manter a pele saudável: limpeza, hidratação e proteção solar diária. Esses cuidados valem para homens, mulheres e todas as idades. A médica chama atenção para áreas frequentemente esquecidas, como orelhas, lábios e couro cabeludo.

Avaliação dermatológica e prevenção

A recomendação é realizar uma avaliação preventiva com dermatologista pelo menos uma vez ao ano. Pacientes com lesões suspeitas ou histórico de câncer de pele devem reduzir esse intervalo. “Muitas vezes, na revisão de pele, a gente encontra um câncer de pele muito pequeno, tira e resolve”, explica Dra. Ariane.

Para crianças e idosos, os cuidados devem ser redobrados. Queimaduras solares na infância aumentam o risco de melanoma no futuro, enquanto nos idosos o risco cresce devido ao dano solar acumulado ao longo da vida.

Prevenção é o melhor tratamento

Independentemente do tipo de pele, todos estão sujeitos ao câncer de pele. “Desde pacientes muito branquinhos até pacientes de pele negra”, destaca a médica. Por isso, a prevenção continua sendo a principal aliada. “Protetor solar, proteção física e acompanhamento dermatológico são a nossa rotina básica”, conclui Dra. Ariane.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;