21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Cultura

Dia do Fotógrafo: a memória que a luz eterniza e os nomes que fizeram história

Erechim é berço de profissionais que, por meio da imagem, ajudaram a construir um grande acervo fotográfico

teste
ZARDO.jpg
BENNO.jfif
BETO HACHMANN.png
Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

 Celebrado em 8 de janeiro, o Dia do Fotógrafo vai além da homenagem a uma profissão. É uma data que convida à reflexão sobre o papel essencial desses profissionais na preservação da memória, na construção da história e na tradução sensível da vida cotidiana em imagens que atravessam o tempo.

 Muito mais do que técnica ou equipamento, a fotografia é linguagem universal. Por meio da luz, do enquadramento e do instante preciso, o fotógrafo comunica emoções, denuncia realidades, eterniza conquistas, registra dores e celebra a beleza dos gestos simples. Cada clique carrega uma narrativa, um olhar único sobre o mundo.

No Brasil, a data remete aos primórdios da fotografia no país e simboliza a consolidação de uma atividade que evoluiu com a tecnologia, mas jamais perdeu sua essência: a sensibilidade humana. Do preto e branco ao digital, das chapas de vidro aos sensores modernos, o fotógrafo sempre esteve presente nos grandes e pequenos acontecimentos da história.

 No jornalismo, a fotografia ocupa papel central. O fotojornalismo não apenas ilustra a notícia, mas muitas vezes é a própria notícia. Imagens marcantes de fatos históricos, manifestações, tragédias, vitórias esportivas e cenas do cotidiano ajudaram a formar a memória coletiva e a identidade visual de gerações inteiras.

 Além da imprensa, fotógrafos atuam em múltiplas áreas — eventos, moda, publicidade, arquitetura, natureza, ciência e projetos sociais. Em todas elas, o desafio permanece o mesmo: captar o instante exato, interpretar a realidade e transformar sentimento em imagem, sempre com ética, preparo técnico e responsabilidade.

 Com a popularização dos smartphones e das redes sociais, a fotografia tornou-se acessível a todos. Mas, paradoxalmente, isso reforçou ainda mais a importância do fotógrafo profissional: aquele capaz de contextualizar, contar histórias, selecionar o essencial e produzir imagens com valor estético, informativo e histórico em meio ao excesso visual dos dias atuais.

Olírio Zardo, um pioneiro da memória erechinense

             Entre os nomes que ajudaram a construir a história da fotografia em Erechim, Olírio Zardo ocupa lugar de destaque. Nascido em 9 de abril de 1932, filho de imigrantes italianos Amália Calsa e João Zardo, cresceu em uma família numerosa, marcada pelo trabalho e pela dedicação.

 Seu primeiro contato com a fotografia ocorreu em 1948. Em 1949, ao mudar-se com a família de Veranópolis para Erechim em busca de novas oportunidades, iniciou sua trajetória profissional ao trabalhar com os irmãos Clemente e Manuel, da Foto Tomazoni. Com esforço e persistência, adquiriu sua primeira câmera, dando início a uma carreira que se tornaria referência.

 Durante o serviço militar, em 1951, atuou como fotógrafo do quartel em Caxias do Sul. Em 1955, ao lado da esposa Maria Zardo, abriu seu próprio estúdio fotográfico, passando a registrar momentos que hoje compõem parte fundamental da história visual de Erechim.

 O crescimento da família também ampliou a equipe, e a fotografia tornou-se um legado transmitido por gerações. Em 1979, Olírio implantou o primeiro laboratório fotográfico colorido da região. Em 2001, acompanhou a transição do analógico para o digital, modernizando equipamentos e processos. Atualmente, mesmo afastado da atividade diária, segue colaborando com historiadores e instituições, preservando imagens que contam a história do município.

Benno Hachmann: fotografia como patrimônio cultural

 Outro nome fundamental é Benno Hachmann, reconhecido como um dos fotógrafos pioneiros de Erechim e considerado um verdadeiro patrimônio cultural local. Sua importância não se resume apenas à quantidade de câmeras e equipamentos históricos que reuniu, preservados por seu filho, o fotógrafo Beto Hachmann (in memoriam) mas sobretudo pelo vasto acervo de imagens que deixou como legado.

 Benno foi homenageado durante as celebrações dos 25 anos do Centro Cultural 25 de Julho, quando também se comemoraram os 90 anos de Erechim. Na ocasião, foi lembrado como representante do grupo que doou o terreno onde o centro cultural foi construído, recebendo reconhecimento da Prefeitura e da comunidade. Sua trajetória simboliza a fotografia como instrumento de memória, identidade e pertencimento. Faleceu em 2015.

Beto Hachmann: o guardião das imagens e da história

 Roberto Hachmann, o Beto Hachmann, foi um dos nomes mais respeitados da fotografia e da preservação da memória visual em Erechim. Falecido em 29 de julho de 2025, aos 70 anos, vítima de infarto, deixou um legado profundo na cultura local.

 Nascido em uma família onde a fotografia era tradição, Beto cresceu entre câmeras, negativos e laboratórios. Desde cedo desenvolveu um olhar atento e sensível, transformando a fotografia em missão de vida. Mais do que registrar imagens, dedicou-se a preservar histórias.

               Foi responsável e coautor de importantes obras editoriais que documentam a identidade do município, como “ACCIE: 100 anos de história”, “A História do Ônibus em Erechim” (2011) e “Erechim – Retratos do Passado, Memórias no Presente” (2012). Seu trabalho ajudou a organizar acervos, resgatar imagens esquecidas e garantir que o passado permanecesse acessível às futuras gerações.

Legenda: Olírio Zardo

Foto: Arquivo pessoal

Benno Hachmann (in memoriam)

Foto: Arquivo pessoal

Legenda 01: Beto Hachmann (in memoriam)

Foto: Arquivo BD

 

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;