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Economia

Legados da COP 30 na Amazônia (Parte III)

Criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre – TFFF

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Roberto Ferron
Por Engº Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

Concluindo o legado da COP 30, restaram outras decisões importantes aprovadas. Houve avanços relevantes em financiamento climático e adaptação, e também frustrações pela ausência de medidas robustas para reduzir combustíveis fósseis, além de episódios que expuseram desafios organizacionais.

Entretanto, como disseram alguns expositores e participantes, o Brasil, por 15 dias, foi o centro das atenções do planeta. Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8 de Passo Fundo, resumiu a participação da empresa como altamente positiva: “quando teríamos oportunidade de mostrar nossos produtos, especialmente o BeVant, e ser acessados por mais de 2 milhões de pessoas em um espaço de tempo curto; discutir e falar globalmente de transição energética de fontes alternativas e limpas, que não poluem o ambiente”.

Um dos principais avanços foi a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Lançado pelo Brasil, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) criou um mecanismo inédito para pagamentos de longo prazo e baseados em resultados a países com florestas tropicais, pela conservação verificada de florestas em pé. O mecanismo já mobilizou mais de 6,7 bilhões de dólares em sua primeira fase, com o endosso de 63 países. O TFFF cria um modelo de financiamento climático: países que preservam as florestas tropicais serão recompensados financeiramente por meio de um fundo de investimento global. Enquanto isso, os investidores vão recuperar os recursos investidos, com remuneração compatível com as taxas médias de mercado.

Na prática, o fundo cria uma economia baseada na conservação, tornando a floresta em pé uma fonte de desenvolvimento social e econômico. Os investidores não farão doações; em vez disso, terão retornos ao mesmo tempo em que contribuem para a preservação florestal e a redução de emissões de carbono.

Esta técnica do manejo florestal sustentável, que extrai riquezas das florestas sem degradá-las ou destruí-las, é defendida há mais de 50 anos pela Engenharia Florestal Brasileira. Há profissionais capacitados e habilitados para trabalhar com as potencialidades tangíveis (madeira, frutos, sementes, essências, fungos etc.) e intangíveis (clima, água, solo, chuvas etc.) das florestas.

Outro importante avanço foi o acordo para triplicar os recursos globais destinados à adaptação até 2035, além do endosso ao Roadmap Baku-to-Belém, que prevê a mobilização de até US$ 1,3 trilhão por ano em fundos públicos e privados de combate às ações climáticas.

O que marcou o evento e como fica a agenda climática após a COP30 (Fonte: https://canalsolar.com.br/cop30-resumo-do-que-aconteceu/)

Avanços

1º) Triplicação dos recursos para adaptação: um dos resultados mais celebrados da COP30 foi o acordo para triplicar o financiamento global destinado à adaptação até 2035, ampliando o apoio a países que já convivem com os efeitos mais severos da crise climática. O acordo estabelece regras mais claras de monitoramento e transparência e recomenda que uma parcela significativa do financiamento seja direcionada a governos locais, comunidades tradicionais e pequenos produtores, que historicamente enfrentam mais barreiras para acessar fundos internacionais.

2º) Reforço ao multilateralismo climático: apesar das tensões geopolíticas globais, a COP30 conseguiu preservar o consenso multilateral e reforçou o papel do Brasil como articulador climático. O país anfitrião impulsionou debates sobre justiça climática, proteção das florestas tropicais e inclusão social.

3º) A realização da Cúpula de Líderes foi considerada um ponto positivo por ajudar a criar um ambiente mais favorável para consensos entre as principais nações globais.

4º) Visibilidade inédita aos povos indígenas: por ter sido realizada às portas da Amazônia, a COP30 deu um protagonismo inédito aos povos originários.

Crises e pontos negativos

1º) Nenhuma meta para eliminar combustíveis fósseis: a maior crítica do evento recai sobre o texto final, que não estabeleceu um roadmap para eliminar gradualmente a produção e o uso de combustíveis fósseis. Apesar das expectativas geradas antes da conferência, a formulação adotada acabou usando termos genéricos, como “redução” e “transição energética”, sem referências explícitas à necessidade de eliminação ou redução acelerada dos combustíveis fósseis.

2º) Presença recorde de lobistas do setor fóssil: registrou-se a maior presença já registrada de representantes da indústria de petróleo e gás — mais de 1.600 lobistas credenciados.

Por outro lado, a conferência terminou sob críticas, pois o texto final não trouxe um compromisso claro de eliminação dos combustíveis fósseis e frustrou parte da comunidade científica.

Bem, resta aguardar se essas metas aprovadas se transformarão em ações efetivas. Pelo que vimos nos eventos climáticos que têm nos assolado, “não estamos fazendo o dever de casa”!

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