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Saúde

Conhecimento e cuidado ajudam a controlar o diabetes e viver bem

Estilo de vida saudável e acompanhamento médico são pilares do tratamento

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A médica endocrinologista, Dra. Alessandra Nodari Giollo lembra que todos os indivíduos acima de 35
A nutricionista Eliza Momoli Lando explica que uma boa alimentação deve priorizar a matriz alimentar
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo pessoal

Hoje, 14 de novembro, é o Dia Mundial do Diabetes. A data foi criada em 1991 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela International Diabetes Federation (IDF), para falar sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado dessa doença crônica que atinge milhões de pessoas.

O que é o diabetes e quais são os principais tipos

O diabetes mellitus é uma doença metabólica caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). Segundo a médica endocrinologista Dra. Alessandra Nodari Giollo, os principais tipos são:

- Diabetes tipo 1: ocorre quando há destruição autoimune das células do pâncreas que produzem insulina. É mais comum em crianças e adultos jovens e requer uso de insulina desde o diagnóstico;

- Diabetes tipo 2: representa a maioria dos casos e está ligado à resistência à ação da insulina, sendo mais frequente em adultos;

- Diabetes gestacional: surge durante a gravidez, devido a alterações hormonais que aumentam a resistência à insulina.

Sinais e sintomas de alerta

Os sintomas mais comuns incluem muita sede, aumento da urina, fome excessiva, perda de peso inexplicável, cansaço e visão embaçada. Também podem ocorrer infecções frequentes e feridas que demoram a cicatrizar.

Fatores de risco para o diabetes tipo 2

De acordo com a endocrinologista, “o diabetes tipo 2 está muito associado ao estilo de vida”. Entre os fatores de risco estão sobrepeso, obesidade, sedentarismo, alimentação rica em açúcares e ultraprocessados, privação de sono e tabagismo.

O histórico familiar também tem peso importante, aumentando em cerca de duas vezes o risco de desenvolver a doença. Outras condições que elevam o risco incluem Síndrome dos Ovários Policísticos, hipertensão e histórico de diabetes gestacional.

Diagnóstico e rastreamento

O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue, como glicose de jejum, hemoglobina glicada e teste de tolerância à glicose. “A recomendação é fazer um rastreamento universal para todos os indivíduos acima de 35 anos e para menores de 35 com sobrepeso ou obesidade e mais um fator de risco para diabetes”, destaca Dra. Alessandra.

Se os resultados forem normais, o controle pode ser feito a cada três anos. Já em casos de pré-diabetes ou múltiplos fatores de risco, o acompanhamento deve ser anual.

Tratamento e possibilidades de controle

“O diabetes tipo 1 não tem cura e necessita de insulina por toda a vida. O tipo 2 pode entrar em remissão em alguns casos, principalmente com perda de peso e mudança de estilo de vida intensiva”, explica a médica.

O tratamento varia conforme o tipo e a gravidade, podendo incluir medicações orais, insulina e os agonistas do GLP1 ou GLP1/GIP, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.

A importância da alimentação e da atividade física

Uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios são fundamentais no controle da glicemia. “Para os pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2 em uso de insulina, também é essencial a monitorização das glicemias com testes na ponta do dedo ou com sensores de glicose”, ressalta a endocrinologista.

A nutricionista Eliza Momoli Lando explica que “hábitos alimentares protetores contra diabetes não são sobre excluir carboidratos, e sim sobre priorizar a matriz alimentar correta”. Isso significa dar preferência a fibras, grãos integrais, leguminosas e vegetais, além de reduzir o consumo de açúcar adicionado e alimentos ultraprocessados.

Segundo Eliza, padrões alimentares como o mediterrâneo, ricos em frutas, hortaliças e azeite como principal fonte de gordura, estão entre os que mais reduzem o risco de diabetes tipo 2 e melhoram o controle glicêmico em quem já tem o diagnóstico.

No caso do pré-diabetes, a nutricionista destaca que o mais importante é o “timing” do carboidrato, ou seja, quando e com o que ele é consumido. “Comer carboidrato sempre junto de proteína e gordura de qualidade reduz o pico glicêmico após a refeição”, orienta.

Para pessoas com diabetes tipo 1, o foco deve estar em estratégias personalizadas, como o controle da carga glicêmica, a contagem de carboidratos e o ajuste da insulina, sempre mantendo a qualidade alimentar.

Entendendo o índice e a carga glicêmica

O índice glicêmico (IG) indica a velocidade com que um alimento rico em carboidrato eleva a glicose no sangue. Quanto mais alto o IG, mais rápido ocorre o pico glicêmico. Já a carga glicêmica (CG) considera não só a velocidade, mas a quantidade total de carboidrato consumida em uma porção real.

Eliza explica que “não adianta olhar só o IG, porque um alimento pode ter IG alto, mas se a porção é pequena, o impacto na glicemia pode ser baixo; da mesma forma, um alimento de IG médio, consumido em grande volume, pode gerar uma carga glicêmica alta e piorar o controle”.

Por isso, ela reforça que “na prática clínica e na prevenção, o que mais importa é o contexto: matriz alimentar, presença de fibras, proteínas e gorduras, e o tamanho da porção, esse conjunto tem mais valor que o número isolado do índice glicêmico”.

Como montar um prato equilibrado

Segundo Eliza, o melhor prato para proteger a glicemia e manter a energia estável não é o prato sem carboidrato, e sim aquele em que o carboidrato é bem acompanhado.

“A combinação de fibra (verduras, legumes), proteína (que retarda o esvaziamento gástrico) e gordura boa (azeite, nozes) desacelera a entrada de glicose na corrente sanguínea”, afirma.

Em resumo, a forma de montar o prato é mais determinante para o impacto glicêmico do que simplesmente excluir o carboidrato da alimentação.

Complicações do diabetes não tratado

Quando não controlado, o diabetes pode causar retinopatia (problemas de visão), nefropatia (comprometimento dos rins), neuropatia (lesões nos nervos) e doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

Diabetes gestacional: riscos e prevenção

“Não tem como saber se a gestante desenvolverá diabetes na gestação e por esse motivo é feito rastreamento em todas as gestantes no primeiro trimestre e novamente entre 24 e 28 semanas”, explica a médica.

Entre os fatores de risco estão idade materna avançada, sobrepeso, ganho excessivo de peso, hipertensão e histórico familiar de diabetes.
Mesmo após a gestação, é importante manter hábitos saudáveis, pois essas mulheres têm maior risco de desenvolver diabetes no futuro.

Aumento da doença e perfil dos pacientes

O diabetes tem aumentado em todo o mundo. No Rio Grande do Sul, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, o percentual de pacientes com diabetes tipo 2 passou de 7,1% em 2013 para 8,8% em 2019. A médica lembra que o problema é ligeiramente mais frequente em mulheres, possivelmente pelo maior índice de sobrepeso.

Desafios no tratamento

Entre as maiores dificuldades dos pacientes estão seguir a dieta e praticar atividade física. “Boa parte dos pacientes usa a medicação adequadamente, mas é sedentária e tem uma alimentação rica em carboidratos e açúcares, o que dificulta muito o controle glicêmico”, afirma a médica.

Ela ainda destaca o custo elevado do tratamento como um obstáculo: “Muitas vezes não podemos utilizar a melhor opção terapêutica por questões financeiras, ficando com um tratamento que não é o ideal”, conclui Dra. Alessandra.

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