Lidar diariamente com pacientes que ainda não sabem expressar verbalmente o que sentem é uma das maiores complexidades da pediatria. E neste dia do médico, comemorado no dia 18, o pediatra Dr. Fernando Ferri compartilha como desenvolve a escuta e o olhar atento no cuidado com as crianças.
“Esse é, sem dúvida, um dos maiores desafios, mas também uma das partes mais fascinantes da pediatria. Quando lidamos com crianças muito pequenas, especialmente bebês, elas não têm ainda a capacidade verbal para nos dizer com clareza o que sentem”, explica o médico.
Para ele, o trabalho do pediatra exige um olhar apurado, que vá além das palavras, é preciso sensibilidade, atenção e escuta ativa. “Observo com atenção o comportamento da criança, a forma como ela se movimenta, reage ao toque, expressa-se com o olhar ou com o choro. Cada detalhe pode ser uma pista importante”.
A escuta ativa aos pais também é um recurso fundamental para um bom diagnóstico. “A pediatria exige uma escuta ampliada, feita com os olhos, com o coração e com sensibilidade. É um cuidado que vai além da técnica: é observar, interpretar e acolher o que a criança ainda não consegue dizer com palavras”.
Comunicação com os pais
Em muitos casos, a ansiedade dos pais pode interferir na consulta. Por isso, o médico destaca a importância de uma comunicação empática e equilibrada com a família.
“Cuidar de uma criança é, inevitavelmente, cuidar da família também. Muitas vezes, os pais chegam ao consultório muito ansiosos, inseguros ou até mesmo assustados com algum sintoma. E isso é completamente compreensível, afinal, estamos falando do bem mais precioso que eles têm”.
Acolher, ouvir com atenção e respeitar os sentimentos dos pais são passos essenciais no processo de cuidado. “Ouvir atentamente o que os pais têm a dizer, permitir que se expressem, que tragam suas observações, seus medos. Muitas vezes, só o fato de serem ouvidos com respeito já traz um certo alívio”.
Nos momentos mais difíceis, como diante de um diagnóstico sério, o cuidado com a forma de comunicar torna-se ainda mais importante.
“Mostrar que estamos ali, não só como médicos, mas como pessoas comprometidas com o bem-estar da criança e da família, é essencial”, afirma Dr. Fernando.
Empatia e observação
Para o pediatra, o segredo da escuta em pediatria está no olhar atento e na empatia diante do que a criança ainda não consegue verbalizar. “A empatia permite acolher não apenas a criança, mas também a ansiedade dos familiares, estabelecendo um vínculo de confiança. Já a observação clínica aguçada nos ajuda a identificar sintomas sutis, muitas vezes decisivos para o diagnóstico”.
Na rotina médica, isso se traduz em uma escuta que considera não apenas palavras, mas comportamentos, expressões, gestos e reações. “Em pediatria, ouvir vai muito além das palavras, envolve atenção integral ao paciente e ao contexto em que ele está inserido”.
Desafios e motivações de quem cuida da infância
As dificuldades emocionais da profissão são muitas, principalmente quando se lida com o sofrimento de uma criança. No entanto, segundo Dr. Fernando, os momentos de superação e recuperação são o que dão sentido à jornada.
“Os maiores desafios emocionais, sem dúvida, envolvem lidar com o sofrimento das crianças e a angústia dos pais. Ver um paciente tão pequeno passando por dor ou por um diagnóstico difícil é algo que nos afeta profundamente”.
Mesmo diante de momentos difíceis, o médico encontra motivação em acompanhar o desenvolvimento dos pequenos pacientes.
“Acompanhar o crescimento de uma criança, ver sua evolução, seu sorriso ao melhorar de um quadro difícil, tudo isso é extremamente gratificante. A pediatria nos aproxima da essência da vida, e esse vínculo com as famílias é o que torna essa profissão tão especial”.
Brincar para cuidar
Criar uma relação de confiança com a criança começa com respeito e leveza. Para Dr. Fernando, o ambiente do consultório precisa ser um espaço acolhedor, onde a criança se sinta segura.
“A consulta precisa ser um espaço seguro. Quando a criança sente que não está sendo forçada, mas convidada a participar daquele momento, ela se abre com mais facilidade”.
Brinquedos, sorrisos, explicações lúdicas e um olhar carinhoso são algumas das ferramentas utilizadas para transformar o momento da consulta em algo menos intimidador.
“Pequenos gestos como se abaixar para ficar na altura da criança, chamá-la pelo nome ou explicar de forma leve o que vai acontecer fazem toda a diferença”.
Neste Dia do Médico, Dr. Fernando coloca para aqueles que estão começando na medicina, especialmente na pediatria que “a medicina é, acima de tudo, um ato de compromisso com a vida. E para quem escolhe a pediatria, esse compromisso começa nos primeiros capítulos da história de cada ser humano. É uma escolha que exige sensibilidade, paciência e uma escuta muito além das palavras”.
Ele reforça que a técnica é essencial, mas o verdadeiro diferencial está na forma humana de se conectar com os pacientes. “Nunca percam o olhar humano. Aprendam com cada paciente, com cada família, e estejam sempre dispostos a ouvir, mesmo quando o paciente ainda não sabe falar”.
Para ele, a pediatria é feita de grandes desafios, mas também de recompensas que tocam o coração. “O sorriso de uma criança, o agradecimento silencioso de um olhar, o reencontro com um pequeno paciente já crescido e saudável, são momentos que nos lembram todos os dias por que escolhemos essa profissão”. Então, “que vocês exerçam a medicina com ética, paixão e respeito à dignidade de cada vida que lhes for confiada. Esse é o maior legado que podemos deixar”.