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Saúde

“Em nenhum momento, desde que eu descobri o câncer, eu vivi o câncer”

A paciente Andreia Oleksinski Mach desde o começo do processo sempre viveu a sua cura

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A paciente Andreia Oleksinski Mach desde o começo do processo sempre viveu a sua cura
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo TV Bom Dia

Mais do que um mês de prevenção, o Outubro Rosa é um chamado à vida. Um lembrete de que viver é um privilégio e que o diagnóstico do câncer de mama não é o fim, é apenas uma etapa do processo.

O que é o Outubro Rosa e por que essa campanha é tão importante?

A Dra. Clarice Campos ressalta a relevância da campanha. Segundo ela, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no Brasil e tem alta taxa de mortalidade. “A incidência está aumentando cada vez mais. O índice ainda de mortalidade é muito grande. Para você ter uma ideia, nós estimamos que uma a cada 10 mulheres vai desenvolver câncer de mama no decorrer da sua vida”.

A estimativa é de cerca de 70 mil novos casos por ano no país. A mastologista reforça que é uma doença heterogênea e multifatorial, o que exige atenção constante e diagnóstico precoce.

Genética representa apenas 5% dos casos

Uma dúvida frequente nos consultórios é sobre o fator hereditário. No entanto, a Dra. Clarice destaca que ele não é o principal responsável. “Apenas 5%, no máximo 10% dos casos de câncer de mama têm fator genético. Então, 95% dos cânceres de mama são chamados esporádicos, são adquiridos pela própria paciente, por algum fator de risco que ela tenha”.

Entre os fatores de risco estão: ser mulher (incidência em homens é de apenas 2%), idade, gestação tardia (após os 35 anos), menopausa tardia, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e obesidade.

“Existe também a influência emocional. A gente chama de a ‘doença da tristeza’. Muitas pacientes tiveram grandes perdas, separações, lutos, e isso impacta”.

Sinal de alerta

A paciente Andreia Oleksinski Mach conta que “sempre fiz meus exames preventivos. Esse ano, senti na parte física uma retração no mamilo. Foi o sinal que me fez acender o alerta. Fiz mamografia, ecografia e veio o diagnóstico”. Ela reforça que estar atenta ao próprio corpo foi crucial para um diagnóstico precoce.

Autoexame salva, mas exames de imagem são fundamentais

A Dra. Clarice reforça a importância do autoexame, mas alerta que ele sozinho não é suficiente. “80% dos casos são diagnosticados pela própria paciente. Mas o autoexame detecta o câncer quando ele já está maior. A mamografia consegue identificar lesões cerca de dois anos antes de serem palpáveis”.

Sinais de alerta incluem retrações na pele, nódulos palpáveis, secreções pelo mamilo e alterações na densidade da mama. “A recomendação é que mulheres a partir dos 40 anos façam mamografia anualmente até os 74 anos. A mamografia é o único exame que comprovadamente reduz a mortalidade em 30% dos casos”.

Diagnóstico precoce

O tamanho da lesão influência nas chances de cura, mas hoje há outros fatores importantes. “Se o nódulo tiver menos de 1 cm, a chance de cura é de até 100%. Entre 1 e 2 cm, 90%. Mas não é só o tamanho. Hoje avaliamos fatores prognósticos que determinam a agressividade da lesão”.

A paciente Andreia, por exemplo, teve todos os exames para avaliar esses fatores e direcionar o melhor tratamento.

O acolhimento é parte essencial do tratamento

“Receber o diagnóstico e estar cercada de carinho e acolhimento é essencial. A doutora me deu um abraço que era tudo que eu precisava. Me explicou com calma, me passou segurança. Isso me deu força”, coloca Andreia.

Ela destaca também o papel da equipe médica, das secretárias, do cirurgião plástico, do oncologista e da família e deseja “que todas as mulheres possam ter esse carinho e amor, porque ele é essencial para seguir o tratamento.”

O impacto emocional e a autoestima durante o tratamento

Andreia se prepara para iniciar a quimioterapia com foco e coragem. “A vida muda 360 graus, mas é uma adaptação. Estou focada na cura. Eu nunca vivi o câncer, eu vivi a minha cura”.

Sobre a possibilidade de perder o cabelo ela é enfática, “se cair, tá tudo certo. Vai nascer de novo, será o cabelo de uma nova história.”

Reconstrução mamária

A Dra. Clarice explica que hoje a reconstrução faz parte do tratamento e da recuperação emocional. “Hoje, 99% das reconstruções são imediatas. A paciente já sai da cirurgia com volume na mama. Isso ajuda muito na autoestima, porque ficar sem a mama é uma mutilação”.

Andreia também optou pela reconstrução após a retirada das duas mamas, devido à mutação genética. “Tudo que for indicado para garantir minha qualidade de vida, eu vou fazer. A reconstrução me ajuda a me olhar no espelho e ver que estou ali, enfrentando e vencendo”.

Uma nova perspectiva de vida

Andreia redescobriu o valor das pequenas coisas. “Hoje, viver é acordar, colocar os pés no chão e estar presente. Viva o agora. Não deixe para amanhã. Viva você, o seu momento” e incentiva outras mulheres a viverem o processo com coragem, “se precisar chorar, chora. E depois levanta e segue. Viva, viva, viva.”

O que os médicos aprendem com os pacientes?

A Dra. Clarice se emociona ao falar do que aprende com pacientes como Andreia. “Ela nunca chegou ao consultório sem um sorriso. Você precisa passar esperança. A imunidade está ligada ao estresse. E ela sempre esteve positiva”.

Ela lembra que, para muitas mulheres, o diagnóstico é também uma virada de chave. “Tive uma paciente que agradece a Deus todos os dias por ter tido câncer, porque se transformou em uma nova mulher”.

O verdadeiro significado da vida

Para a médica e a paciente, a vida é o agora. “Viver é valorizar cada momento. É desacelerar, conviver, sorrir”, define Dra. Clarice.

“Meus filhos vão lembrar do carinho, do amor, da força. Eu não posso deixar de viver hoje. A vida é enfrentar com coragem, fé, amor e um sorriso no rosto”, conclui Andreia.

“Eu não posso desistir, não posso não ter força, porque tem pessoas lutando por mim. A doutora Clarice é um anjo na minha vida. Ela é parte da minha cura. E eu, com as minhas ações, sou parte da missão que ela escolheu de salvar vidas”, encerra Andreia.

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