No dia 13 de outubro é comemorado o Dia do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, data que marca a regulamentação dessas profissões no Brasil, no ano de 1969. Diferente do Dia Mundial da Fisioterapia, que acontece em setembro, este é um momento para reconhecer a atuação desses profissionais na promoção, manutenção e recuperação da saúde física, mental e emocional.
"É uma data muito comemorativa ao meu ver, porque a gente celebra a nossa atuação e a nossa importância na promoção e manutenção da saúde. E na recuperação, obviamente, também", afirma a fisioterapeuta Melina Madeira.
A evolução da fisioterapia
Segundo Melina, a percepção da fisioterapia mudou muito ao longo dos anos. Se antes ela era procurada apenas após lesões, hoje atua fortemente na prevenção e no cuidado integral da saúde.
"Eu acredito que o papel da fisioterapia vem sendo cada vez mais reconhecido, tanto na promoção da saúde, quanto na qualidade de vida dos pacientes", pontua.
O pilates, por exemplo, passou a ser uma ferramenta popular entre adolescentes, adultos e idosos, incluindo uma de suas pacientes, que tem 103 anos. “Muitos já têm um diagnóstico, mas muitos também buscam a prevenção e a qualidade de vida porque a respiração melhorou, porque a postura melhorou”, explica.
O papel do fisioterapeuta na longevidade
Com o envelhecimento da população, a fisioterapia tem ganhado ainda mais destaque por seu papel na manutenção da autonomia e funcionalidade dos pacientes. Melina reforça a presença do fisioterapeuta em hospitais, UTIs, clínicas, academias, escolas, empresas e até em atendimento domiciliar.
“Existe uma demanda muito maior por esses profissionais que ajudem a manter a autonomia e a funcionalidade dos pacientes”, afirma. “A fisioterapia hoje está muito abrangente, ela está tendo a visibilidade que deveria.”
Outubro Rosa e o papel da fisioterapia
Em meio às comemorações pelo Dia do Fisioterapeuta, outubro também é marcado pela campanha do Outubro Rosa, voltada à prevenção e ao tratamento do câncer de mama e do colo do útero. A fisioterapia tem um papel fundamental no pós-operatório dessas mulheres.
"Principalmente sendo no lado dominante, ficam lacunas de movimento. Então a fisioterapia tem um papel muito importante, porque a gente vai trabalhar todo o lado do braço operado”, destaca. “A gente trabalha diretamente para aumentar essa mobilidade do ombro, do braço, para ela voltar a fazer as atividades de vida diária e a dor e a rigidez muscular vão diminuindo."
Além da recuperação física, Melina lembra da importância do olhar emocional. Muitas mulheres apresentam alterações posturais como forma de esconder a falta da mama, o que pode gerar novas dores e desconfortos.
“Existe uma alteração postural porque elas também têm aquela sensação que está faltando algo. A curvatura da coluna vem para frente para esconder essa falta da mama.”
Pilates como ferramenta de cuidado integral
No tratamento oncológico, especialmente no câncer de mama, o pilates se mostra como uma ferramenta terapêutica valiosa, tanto no pré quanto no pós-operatório.
“Eu acho que o pilates é uma ferramenta terapêutica muito valiosa. No pilates a gente pode adaptar e conduzir de uma melhor forma… traz o movimento de volta, traz a força de volta”, explica.
Melina destaca também o impacto do pilates na respiração, oxigenação dos tecidos, ansiedade e autoestima. “O pilates resgata a autoestima e o bem-estar emocional das mulheres, porque elas estão precisando nesse momento reconstruir a confiança com o próprio corpo”.
A fisioterapia e o cuidado emocional
Mais do que movimentar o corpo, o fisioterapeuta também escuta e acolhe. Para Melina, o aspecto emocional da reabilitação é fundamental.
“Embora a fisioterapia seja uma ciência do movimento, a nossa atuação vai muito além do aspecto físico”.
Ela explica que, ao lidar com mulheres em situações vulneráveis, como no câncer de mama, o fisioterapeuta acaba sendo um apoio emocional. “Tem que ter uma confiança muito grande entre paciente e fisioterapeuta para que haja essa recuperação segura e tranquila”.
Qualidade de vida e consciência corporal
Além da função curativa, a fisioterapia também atua na educação corporal e no desenvolvimento de hábitos saudáveis no cotidiano. Cuidados com a postura, fortalecimento muscular, alongamentos e técnicas respiratórias são indicados para promover equilíbrio e bem-estar.
“A fisioterapia ajuda muito, porque se tu vai tentar fazer tudo sozinho, daqui a pouco não faz correto. A gente tem que trabalhar bilateral para que ela não tenha uma má postura em decorrência disso”.
Melina reforça a importância de trabalhar a cicatriz para evitar aderências e perda de mobilidade. “A gente consegue ganhar o movimento também”, diz.
Fisioterapia ao longo da vida da mulher
A fisioterapia acompanha a mulher em todas as fases da vida: da adolescência à menopausa, da gestação ao pós-parto. Atua em disfunções sexuais, incontinência urinária, dores, alterações posturais, e também na saúde mental.
“A fisioterapia em si, ela acompanha nós mulheres em todas as nossas fases... a gente promove muita saúde, funcionalidade do corpo, autonomia, autocuidado, empoderamento, qualidade de vida”, destaca Melina.
Ela também deixa um recado às mulheres neste Outubro Rosa: “Você se olhe com carinho, cuide do seu corpo com bastante atenção, abrace cada fase da sua vida com coragem, com perseverança, com foco e determinação”.
A essência da profissão
Por fim, Melina lembra que “ser fisioterapeuta é tocar o outro com ciência e com empatia, é enxergar movimento onde muitos veem apenas limitação. É acreditar que cada músculo fortalecido, cada dor aliviada, cada passo retomado carrega junto dignidade, confiança e qualidade de vida”.