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Saúde

Direção fala sobre demora em atendimentos no PS do Santa Terezinha

No domingo a reportagem esteve no Pronto-Socorro a pedido de pacientes e na segunda-feira conversou com o diretor executivo do hospital, Rafael Ayub

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Segundo direção do hospital, movimento no PS foi atípico no último domingo
Por Alan Delfin Dias
Foto Alan Delfin Dias

No começo da tarde de domingo (31), pacientes que aguardavam consulta no Pronto-Socorro da Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim entraram em contato com a reportagem para relatar sobre a demora no atendimento.

Quando a reportagem chegou ao local, por volta das 13h, a fila já havia andado e cerca de 20 pessoas ainda aguardavam na sala de espera. “Começaram chamar agora há pouco, mas antes isso aqui estava lotado”, contou uma paciente. Outro, um rapaz, que precisava de receita para um colírio, reclamou para a atendente. “Fui na farmácia e pediram receita. Tem que ficar a tarde inteira para conseguir uma? Tem gente que chegou nove horas da manhã e ainda não foi atendido”, desabafou.

A reportagem conversou ainda com outras quatro pessoas e todas criticaram o tempo de espera. “Eu estou aqui desde às nove e pouco com o meu filho queimando em febre e me atenderam agora. Liguei para o diretor do hospital porque isso aqui é uma vergonha. Não sei o que está acontecendo”, relatou uma das entrevistadas.

“Estou desde às dez horas e um pouquinho aí, meio atacado dos rins e bexiga e não sei que horas serei atendido. É tão ruim, é difícil. Alguma coisa teria que ser feita aí”, disse outro entrevistado.

“Estou aqui com o meu companheiro para ele fazer uma consulta, estou aqui desde às nove e pouco da manhã e agora é uma e treze. Tem outras pessoas que estão ali aguardando há um tempão. Quando cheguei já haviam pessoas revoltadas. Ali onde chegam as ambulâncias com emergências, não havia nenhuma. Do lado de dentro, havia só uma senhora com procedimento no braço e o filho acompanhando, só. E disseram que tinha duas médicas” contou outra.

 

Aguardando especialista

Uma senhora relatou que havia chegado com a filha adolescente precisando de atendimento, na noite de sábado. A jovem passou pela consulta, realizou coleta de sangue para exames e, segundo a mãe, foi pedido que aguardasse porque um especialista no caso iria ao hospital para conversar com a menina. Quando a reportagem chegou ao local, ela ainda aguardava pelo profissional e por volta das 13h30min a filha quis ir embora. “Amanhã vou leva-la na UPA”, disse a mãe.

 

Trocas de turno

Os depoimentos dos pacientes foram gravados e alguns, após saberem que precisariam dar seus nomes, desistiram de falar, mesmo sendo informados que as identidades seriam preservadas na reportagem. Os que falaram, fizeram questão de ressaltar que as criticas não eram dirigidas aos enfermeiros, técnicos de enfermagem, atendentes ou outros funcionários, mas ao longo tempo aguardando atendimento, mesmo que, supostamente não houvessem casos de emergência.

 

O que diz a direção do hospital

A reportagem conversou na segunda-feira (1), com o diretor executivo do hospital, Rafael Ayub, que apresentou relatórios de dados sobre os atendimentos e buscou esclarecer os fatos ocorridos no domingo. “Todo paciente que chega no Pronto-Socorro do hospital passa por uma triagem com a enfermagem. Então, qual é o primeiro passo? Ele chega, se não é uma emergência, que não chega de ambulância, ele vai entrar, vai pegar uma ficha administrativa e o próximo passo é a triagem com a enfermagem. Da triagem com a enfermagem, ele vai para a consulta e após a consulta, se tem que fazer exame, se tem que aguardar os exames, se tem que fazer exame de imagem, se tem que aguardar o exame de imagem para o médico reavaliar e ver a conduta. Diante disso, nesse domingo, o que que a gente viu? O protocolo que usamos na classificação de risco é o protocolo de Manchester. E o que ele diz? Que se o paciente chega em situação de emergência, ele tem que ser atendido de imediato, que é o que acontece com as ambulâncias. Entra, já tá em atendimento. Depois vem a classificação ‘muito urgente’ e teríamos até 10 minutos para atender esse paciente. Então vem ‘urgente’, com tempo de até 50 minutos, se é ‘pouco urgente’, até 120 minutos (duas horas) e ‘nada urgente’, até 240 minutos (quatro horas). Nesse dia tivemos uma emergência às 9h50min. Então quando dizem que não teve emergência, teve sim, bem nesse horário”.

 

Movimento atípico

“Domingo tivemos 202 atendimentos, foi atípico, porque para um domingo, foi um atendimento bastante alto. A minha média em dia de semana é 190, nas segundas-feiras tem dado 290. No domingo, tivemos uma emergência, quatro muito urgentes, 15 urgentes. O resto, eles poderiam, entre aspas, pelo do protocolo, esperar até 2 horas para serem atendidos e desses não urgente poderiam esperar até 4 horas. Do total, foram 13 atendimentos que extrapolaram o tempo determinado pelo protocolo. É bom? É o que a gente quer? Obviamente que não, mas eu estou falando de 13 em 202 atendimentos”.

O diretor lembrou ainda que o Pronto-Socorro do hospital deveria ser para casos de urgência e emergência. “Mas a gente entende que as UBSs não funcionam 24 horas, não funcionam fim de semana e a gente é retaguarda e a gente tá aqui para atender. Temos que melhorar? Obviamente que temos, mas o que a gente sempre reforça, ninguém sai daqui sem atendimento”.

Conforme os relatórios apresentados, a demora para atendimento de alguns pacientes que na manhã de domingo chegaram entre 8h55 e 10h35 foi maior do que a determinada pelo protocolo. O registro mostra tempo extrapolado também com um paciente que chegou à meia-noite e outro às 11h55. “Obviamente a gente tem que ver o que aconteceu”, observou Rafael.

 

Readaptou várias vezes

“A gente tem preocupação sim, a gente tem o controle diário de tempos de atendimento, de escala médica. A gente já readaptou nos últimos anos várias vezes e hoje a gente tem, dois médicos das 7h ao meio-dia, três profissionais do meio-dia à meia-noite e um do meia-noite às 7 da manhã, sempre observando o fluxo de pacientes, o custo financeiro e a sustentabilidade que a gente tem que dar pro hospital. Talvez vá precisar mudar novamente a escala porque o que temos visto é que cada vez tem tido mais atendimentos no Pronto-Socorro. Nas segundas-feiras a gente já viu que tem aumentado e daqui a pouco vai ter que fazer alguma coisa.

Nos domingos nunca teve esse movimento tão grande, vamos ver se é uma constante. Não era um dia frio”. E a gente pede para a comunidade, assim que os primeiros sintomas apareçam, que procurem primeiro o pronto atendimento da UPA, a sua unidade básica e não deixe também agravar os quadros para daí chegar numa urgência e emergência, ser classificado e ter que esperar um tempo a mais”.

 

Intubados na emergência

“Além disso, como eu tenho dois médicos no Pronto-Socorro, quando tenho pacientes intubados na emergência, e não tem leito disponível na UTI, quem que cuida dele ali? Qual é o médico que cuida dele? É o da UTI que desce? Não, eu não posso ficar sem médico na UTI, então é o do plantão que fica cuidando ele. Então de dois médicos eu acabo tendo um quando tem essa situação, até conseguir leito de UTI ou transferir o paciente. Então esse fica dando uma cobertura aqui para os que estão intubados, ou seja, mais urgentes que um que chegou com uma classificação não urgente. A nossa prioridade é atender aquele que corre mais risco de vida”.

 

Equipe é altamente responsável

Ninguém aqui da equipe faz corpo mole, pelo contrário, a equipe é altamente responsável e atende a todos. Lembrando, foi o único hospital que na COVID não fechou as portas da urgência e emergência, porque a gente sabe a importância que tem para o SUS e para o paciente que mais precisa. Num universo de 212 a gente está falando que 13 não foram atendidos no tempo preconizado pelo protocolo. Tem que melhorar? Tem. Mas todos saíram com atendimento, com a conduta determinada. Qual a média de atendimentos? 190. Se vier 250 vai dar problema? Claro que vai. Há 10 anos talvez, nós tínhamos um plantonista só no Pronto-Socorro. Hoje, já temos horários com três plantonistas. Eu duvido que qualquer outra emergência aqui em Erechim tenha três plantonistas.

 

Especialistas de sobreaviso

Sobre o caso da paciente que aguardava especialista, Ayub explicou que estes profissionais ficam em plantão de sobreaviso. “Mas com certeza o médico plantonista já tinha atendido ela no prazo determinado e pediu avaliação do especialista. O Hospital Santa Teresinha hoje oferece uma gama de especialidades que poucos hospitais do interior oferecem. Nós temos aqui várias especialidades que podem fazer a avaliação via Pronto-Socorro. Então, é um plus e uma preocupação com a melhor resposta ao paciente. Hoje a gente se orgulha em dizer que dos pacientes internados no hospital, apenas de 3 a 4% a gente precisa encaminhar para os outros hospitais para resolver o problema, porque senão a gente resolve tudo aqui.

 

Protocolo de Manchester

De acordo com este protocolo, os pacientes são classificados com base na urgência, determinando o tempo máximo de espera para o atendimento médico:

Emergência: Atendimento imediato, o que ocorre com pacientes que chegam de ambulância.

Muito urgente: Até 10 minutos para ser atendido.

Urgente: Até 50 minutos para ser atendido.

Pouco urgente: Até 120 minutos (2 horas) para ser atendido.

Não urgente: Até 240 minutos (4 horas) para ser atendido.

 

Processo de triagem

O processo atual de triagem envolve a enfermeira medindo parâmetros vitais e avaliando a queixa do paciente:

1. Medição de parâmetros: Pressão, frequência cardíaca, febre.

2. Avaliação da queixa: A enfermeira ouve a queixa do paciente.

3. Classificação: Com base nos parâmetros e na queixa, utilizando um quadro de critérios (por exemplo, dor de 0 a 10, febre, respiração, frequência, batimento cardíaco, saturação), a enfermeira classifica o paciente como pouco urgente, nada urgente, muito urgente, etc., definindo o tempo de espera para o atendimento.

Para aprimorar a triagem e reduzir a subjetividade, o hospital está implementando um novo sistema, que deverá estar em funcionamento até o final do ano, permitirá que aparelhos sejam ligados ao paciente e a própria máquina forneça a classificação de risco.

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