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Cultura

“Restaurar é dar continuidade à memória de algo ou alguém”

Definição é da artesã, Angela Maria Fitarelli, que há mais de 35 anos se dedica a dar vida, novamente, para esculturas sacras feitas de madeira, gesso ou resina

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Angela Fitarelli
“A restauração entrou na minha vida de forma natural "
“Muitas peças que restauro têm valor não só material, mas sentimental e histórico"
Os materiais variam conforme a peça
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Paciência, precisão, muita dedicação e amor por aquilo que se faz. Essa é a rotina de quem trabalha, profissionalmente, com restauração de peças de madeira, gesso ou resina. “Restaurar, não é apenas consertar, é dar continuidade à memória de algo ou alguém”. Essa é a definição da artesã, Angela Maria Fitarelli, que há mais de 35 anos se dedica a dar vida, novamente, para esculturas sacras feitas de madeira, gesso ou resina.   

Ela começou a restaurar, por volta dos 35 anos e sempre foi apaixonada por desenho e escultura, desde criança. “A restauração entrou na minha vida de forma natural quando percebi que poderia, não apenas criar, mas também, devolver vida a peças danificadas. Aprendi observando mestres restauradores, estudando técnicas antigas e praticando incansavelmente”, comenta Angela.

A arte de restaurar passou a fazer sentido pra ela desde o primeiro trabalho concluído. “Quando vi uma peça restaurada, pronta para ser admirada novamente, percebi que aquilo não era apenas um ofício, mas uma missão. Cada peça tem uma história e restaurá-la é preservar memórias”, ressalta.

O tempo para fazer uma restauração, explica Angela, depende muito do estado da peça. “Pequenas restaurações podem levar dias, enquanto que trabalhos mais complexos podem demorar meses. Cada detalhe exige paciência e precisão”, afirma.

Angela já perdeu as contas de quantas peças consertou. “São muitas. Já restaurei desde pequenas esculturas religiosas até grandes imagens sacras de igrejas. A maioria das peças que restauro são imagens de santos, feitas de madeira, gesso ou resina”.

Segundo Angela, a maior dificuldade na restauração é respeitar a originalidade da peça sem interferir demais. “O desafio é manter a essência do artista original sem deixar que minha própria marca ultrapasse a identidade da obra.

Ela ressalta que não pode faltar na restauração e no artesão é paciência, respeito e amor pelo que faz. “Na restauração, a pressa é inimiga da perfeição. Já no artesão, o olhar atento e a sensibilidade são essenciais para entender cada peça”.

A restauradora utiliza técnicas tradicionais, como douração a base de folha de ouro, até restauração com pigmentos naturais. Os materiais variam conforme a peça, incluindo pincéis finos, resinas, massas de restauro, tintas especiais e vernizes de proteção.

“Não é um passatempo, é minha vida e meu sustento. Como dizem, ‘trabalhe com o que ama e não trabalhará um dia sequer’. É difícil trabalhar com arte, porque exige reconhecimento e valorização. Muitas pessoas não entendem o tempo, a técnica e o conhecimento envolvidos. Mas, para quem ama, cada desafio vale a pena”, observa Angela.

O que mais chama atenção dela ao terminar um trabalho é o brilho no olhar de quem vê a peça restaurada. “É como se trouxesse de volta algo perdido no tempo. Cada peça recuperada é um pedaço da história que continua viva”.

A artesã define a sua arte como uma ponte entre o passado e o presente. “O simbolismo está na preservação, no respeito pela história, e no resgate da beleza que o tempo tentou apagar”, destaca.

Ângela destaca a importância da restauração para a preservação da cultura. “Muitas peças que restauro têm valor não só material, mas sentimental e histórico. Restaurar não é apenas consertar, é dar continuidade à memória de algo ou alguém”.

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