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Cultura

Conexões Índia-Brasil: o que a distância separa a fotografia une

Fotografia de erechinense, premiada internacionalmente, segue em exposição na Frinape

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Exposição de Mayane na Frinape 2024 (Cidade da Cultura)
Foto Resilense (resiliência), premiada na Índia
Por Jessica Jung Gonçalves
Foto Jessica Jung Gonçalves

Através de uma pesquisa de Doutorado, realizada na Índia, Mayane Haushahn Bueno deu asas a um rico trabalho fotográfico. O contexto por trás de sua produção artística, exposta parcialmente na Cidade da Cultura na Frinape 2024, também é repleto de detalhes preciosos. Ela relata a experiência de expor: “Quando me perguntam desde quando eu sou artista, eu digo: desde quando me intitularam uma. Eu sou uma amadora, aspirante e curiosa por explorar o desconhecido e a fotografia me parece um meio possível de se fazer isso”.

Pedagoga formada pela UFFS e terminando seu doutorado de Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mayane também é apaixonada pela Índia, onde já morou e trabalhou como professora. Foi através de uma conversa com seu amigo e pesquisador, Vincent Ekka, que ela iniciou o estudo sobre as mulheres Adivasis (grupos tribais na Índia central).

 A artista e pesquisadora desenvolveu sua pesquisa com a organização de mulheres Adivasi Jeevan Vikas Sanstha (em português, Organização da Vida e do Desenvolvimento das Populações Tribais) em Nova Déli e um dos seus maiores objetivos foi compreender as complexas dinâmicas sociais na vida de mulheres trabalhadoras domésticas na cidade de Nova Déli, Índia, especificamente aquelas que migraram de suas aldeias para participar de trabalhos que envolvem a reprodução e manutenção das relações familiares nas casas de classes média e alta em Déli.

Sua trajetória acadêmica sempre foi marcada para além do ambiente universitário, para levar conhecimento e aprender em outros lugares. Por isso, sempre se envolveu com programas de extensão e iniciação científica e criou uma rádio comunitária com adolescentes de um bairro periférico em Erechim.

Como ela reitera, muitas vezes a pesquisa fica engavetada na academia, sem dialogar com a comunidade. E seu objetivo foi de mostrar ao mundo a vida das mulheres adivasis. “Acredito no diálogo que as linguagens artísticas podem desempenhar para além da academia, fazendo com que pessoas que nunca ouviram sobre a Índia conheçam e se permitam aprender com esse riquíssimo país. Para além, digo que as fotografias não apenas complementam a tese, como se faltasse algo, mas a transbordam”, concluí.

Mayane também fez uma exposição na UFFS Campus Erechim com as mais de 30 fotos do ensaio intitulado “Adivasis” e está expondo parte do trabalho na Frinape até dia 24, último dia da feira, como uma forma de levar sua vivência e estudo na Índia para a região do Alto Uruguai.

A foto Resilense (resiliência) ganhou a medalha de prata na exposição intitulada Safarnama organizada pela COG Índia art foundation em outubro de 2022 na Galeria de arte The Stainless Gallery, Nova Déli e pode ser vista pelo público durante a Frinape 2024.

 

 

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