Doença pouco conhecida afeta mulheres na pré-puberdade e na pós-menopausa
O líquen escleroso é uma doença inflamatória de causa ainda desconhecida. Porém existem teorias que estaria relacionado com fenômenos imunológicos, ou seja, o próprio organismo estaria gerando essa inflamação.
Alguns estudos apontam a questão hormonal e até genética como possíveis explicações. A doença gera desconforto significativo e, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações graves.
É importante lembrar que o líquen, apesar de mais frequente no sexo feminino, atinge o sexo masculino também. Para cada 10 mulheres acometidas com a doença, temos 1 homem.
Doenças autoimunes
O líquen escleroso pode ser considerado uma doença autoimune se for pensado como o próprio corpo gerando essa inflamação. E pode estar associado a outras doenças autoimunes, pois não é apenas uma questão hormonal.
Pacientes que apresentam doenças autoimunes associadas a tireoide têm maiores chances de desenvolver o líquen.
Local afetado
A região mais afetada é a genital ou perianal, mas pode aparecer no tórax e na região cervical e, se manifesta basicamente da mesma forma.
Segundo a dermatologista, Dra. Elisiane Magnabosco, isso se dá pela questão da influência hormonal. Até por isso que é mais comum em mulheres. E normalmente ocorrem em dois períodos, a pré-puberdade e a pós-menopausa.
Sintomas
- O mais característico é a mancha esbranquiçada;
- Mudança na cor, no aspecto do genital;
- Coceira intensa;
- Espessamento da pele onde em estágios mais avançados, pode se tornar espessa e rugosa;
- Dor durante a relação sexual.
Diagnóstico
Em 99% dos casos o exame clínico já constata a doença, principalmente se a mancha branca for bem visível.
Há também outras formas, como por exemplo, a realização de uma biopsia.
O problema é a demora a se chegar no diagnóstico. Muitas mulheres acreditam se tratar de um fungo ou de uma alergia e dessa forma vai-se retardando o tratamento adequado.
É importante lembrar que o paciente com líquen escleroso vai passar a ter uma vida de cuidados e de tratamento, lembra Elisiane.
Complicações
- Alterações anatômicas como apagamento dos pequenos lábios e encarceramento do clitóris;
- Fechamento do canal vaginal nos casos graves, afetando a função sexual e a micção;
- Câncer vulvar em cerca de 4 a 5% das mulheres.
Do líquen para um câncer
Falar em câncer assusta. Até mais do que qualquer outra doença. Mas Elisiane frisa que o câncer não é o único agravante nesses casos. “Falar em câncer genital é muito grave, mas a incapacidade que causa, eu acho que é tão problemático quanto o câncer”.
Tratamento
Normalmente o tratamento é feito com anti-inflamatórios tópicos. O grande problema é que se o líquen já está muito avançado, é possível apenas estacionar a doença, mas tudo o que foi afetado não volta.
É importante que se siga as orientações médicas, pois os corticoides podem trazer sérios problemas à saúde.
Além das pomadas, há também a opção de medicação oral sistêmica com imunossupressores, que são para combater a inflamação que estaria acontecendo lá na mucosa. Também não trazem de volta o que foi afetado. A função da pele dessa mucosa não será resgatada.
Há casos em que se tem fechamento total do canal que será necessário intervenção cirúrgica.
O líquen escleroso e a relação sexual
Muitas mulheres não conseguem mais ter relações com seus parceiros, pois causa um espessamento no introito vaginal, um endurecimento da mucosa, que o ato da penetração traz muita dor, desconforto, pois rasga e pode causar feridas e uma série de problemas.
Assuntos relacionados a sexualidade ainda são tabus na sociedade. Então as pacientes não falam tudo o que sentem nem com seus médicos, nem entre o casal.
Isso deve ser desmistificado o quanto antes, por isso, as mulheres devem se olhar mais e cuidar mais da sua saúde.
Em casa o ideal é manter um diálogo aberto com o parceiro ou a parceira, pois é possível encontrar formas de manter uma relação sexual saudável sem necessariamente ter a penetração. Até porque, não é uma doença sexualmente transmissível, apesar de afetar a região genital. Mas para isso, é necessário conversa, respeito e cuidado.
As vezes a falta de libido da mulher nada mais é do que uma autodefesa para não sentir dor ou incômodos.
O líquen e a qualidade de vida
Esse problema afeta a qualidade de vida dos pacientes significativamente, principalmente no que diz respeito a vida a dois.
A relação se torna ao invés de algo prazeroso, algo doloroso, com riscos de rasgar realmente, abrir feridas, fissuras, erosões prejudicando ainda mais o paciente e afetando outras áreas da vida.
O tratamento ajuda, mas dependendo do grau que foi afetado, infelizmente não há o que fazer.