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Saúde

APLV afeta cada vez mais bebês menores de 1 ano de idade

teste
APLV tem se tornado cada vez mais comum
Dra. Daniele de Sena Brisotto fala sobre a importância dos cuidados com bebês e crianças APLV
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação

As alergias alimentares estão mais presentes nos dias de hoje. E a APLV tem estado na pauta de muitos pais, pois é a mais comum na infância. Pesquisas apontam que 3 a cada 100 bebês podem desenvolvê-la no primeiro ano de vida.

De acordo com a alergista e imunologista adulto e infantil, Dra. Daniele de Sena Brisotto, esse número é muito maior. “Quantos bebês fora do ambiente médico, em conversas corriqueiras até com desconhecidos eu ouço falar. Às vezes, até me assusto com o grande número de crianças que tem desenvolvido APLV”.

Ainda não se sabe muito sobre este problema. Algumas possíveis causas são a mudança tanto na alimentação humana, quanto na da vaca, o que altera o padrão do leite. O histórico da mãe e, até mesmo a via de parto, além de fatores genéticos de ambos genitores. Sabemos que o intestino do bebê até o primeiro ano de vida é mais imaturo, podendo ser uma das razões. Outro ponto que devemos levar em conta, mesmo não sendo uma regra, é o uso precoce de fórmulas infantis. “As causas podem ser multifatoriais, portanto, cada caso é diferente do outro”, enfatiza Brisotto.

APLV X Intolerância à Lactose

Há muitas dúvidas com relação a esta alergia, principalmente por ser facilmente confundida com Intolerância à Lactose.

A APLV acontece normalmente em bebês com menos de 1 ano de idade e a Intolerância à Lactose é incomum antes dos 5 anos de idade.

A alergia ocorre por uma reação do sistema imune, não contra a lactose, mas sim, à proteína do leite. Brisotto lembra que mesmo o leite sem lactose causará reações alérgicas, por isso é essencial diferenciar esses dois problemas para que a criança não tenha reações.

Já a intolerância se dá pela incapacidade da enzima lactase em digerir a lactose do leite. Inclusive, o indivíduo pode desenvolver esse problema ao longo do tempo, pois com a idade, perde-se a capacidade de produzir enzimas digestivas.

A intolerância pode surgir também de forma transitória após quadros infecciosos como uma virose intestinal ou até mesmo o uso de antibióticos, causando diarreia após o consumo de leite ou derivados, desconforto abdominal e flatulência. E, apesar de incomum, pode ocorrer uma constipação.

O fato de um bebê ser APLV, não necessariamente o torna intolerante no futuro. Brisotto ressalta que “não existe relação direta, pois alergia ao leite e intolerância são problemas diferentes, a alergia envolve um mecanismo imunológico, já a intolerância não”.

Principais sintomas da APLV

De acordo com Brisotto, os sintomas são muitos, porém os mais clássicos são “sangue nas fezes, mas também cólicas excessivas, alteração no padrão das fezes, irritabilidade, flatulência, baixo ganho de peso, vômitos. Também urticárias, edema de lábios e até mesmo sintomas pulmonares e choque anafilático nas alergias imediatas”.

Como saber se o bebê é APLV

Antes de mais nada, é necessário que o pediatra faça uma boa anamnese e então, por essa conversa é possível definir se é um quadro imediato ou tardio.

Durante o diálogo é possível entender se o bebê consome apenas o leite materno ou se faz uso de fórmulas. Se há histórico de alergias do paciente e da família e quais os sintomas ocorrem após a ingestão do líquido.

Níveis de APLV

Não há uma numeração, porém, alguns pacientes são mais atópicos e podem reagir a qualquer traço, inclusive com sintomas graves. Muitas vezes se os pais ingerirem um pedaço de queijo e forem dar um beijo na criança, já pode causar reação.

Quadro imediato

Tendo em vista que a APLV é mediada pela imunoglobulina IgE, em casos de sintomas imediatos ao consumo, como urticária, inchaços, ou até mesmo, choque anafilático, são solicitados exames e/ou testes alérgicos que costumam mostrar alterações que confirmam o diagnóstico.

Quadro tardio

Segundo Brisotto, muitos pais acreditam que, em casos de alergia, os exames de sangue obrigatoriamente vão vir alterados. Porém, é preciso que os pais estejam conscientes que em caso de sintomas tardios gastrointestinais, os exames de sangue dificilmente vêm alterados e “já está bem descrito nos livros que as tardias não funcionam desta forma”, explica.

Ao constatar a alergia, se altera o leite do bebê imediatamente e, de forma geral, já se tem um bom resultado.

Tratamento

Em alguns casos é necessário fazer a restrição total da ingesta de leite e derivados. É mudada a alimentação da mãe que amamenta, cortando todos os alimentos que possuam leite em sua composição e, até mesmo aqueles que podem ter contaminação cruzada. Bem como a fórmula, se for o caso de uso.

Além de alimentos, é preciso ter cuidado com cremes, medicamentos e afins que contenham esse líquido em sua composição.

Contaminação cruzada

Grande parte dos alimentos contém leite em sua composição ou podem conter. O que originalmente não usa leite, pode ter sido preparado no mesmo utensílio que algo que leva. É o que se chama de contaminação cruzada.

É muito importante se esteja atento aos rótulos e se tenha cuidados também, ao lavar alimentos, pratos, copos, mamadeiras e talheres de um APLV. Sempre use uma esponja separada e não prepare alimentos com e sem leite nas mesmas panelas.

APLV tem cura

A maioria dos bebês, não todos, adquirem a tolerância e alívio dos sintomas conforme a idade. Quando se trata de alergias imediatas, é possível fazer exames e testes alérgicos para saber se houve a remissão total. Nos demais casos, deve-se acompanhar o paciente e sua melhora com o passar do tempo. Em geral a tolerância ocorre próximo aos dois anos, podendo se estender até mais tarde, às vezes com três ou quatro anos.

Testes de dessensibilização

Esse tipo de teste é indicado essencialmente em casos de alergias imediatas, que não conseguem a tolerância natural com o passar da idade.

Cuidados com bebê APLV

Brisotto frisa a importância de ficar atento a todas as reações do bebê. “Você precisa observar seu filho pois tudo que você relata na consulta é muto válido. O que ele sente quando ingere? Como foi detalhadamente a reação? Após o diagnóstico houve mesmo que “sem querer” algum escape e alguém ofertou algo com leite? O que seu filho sentiu? Isto ajuda a avaliar se já há alguma tolerância imune”.

Outro ponto importante é cuidar da imunidade da criança, manter os exames em dia para avaliar suplementação de vitaminas e minerais, pois de acordo com Brisotto, isso está cada vez mais fora do que seria o ideal. Deve-se ofertar alimentos de verdade e evitar os ultraprocessados, pois prejudicam muito o intestino dos pequenos.

A cautela dentro de casa deve ser rotineira, mas principalmente em outros ambientes como a escola, que precisa estar bem instruída quanto às necessidades da criança e o cuidado com a sua dieta.

Uma dica de ouro é: amamentar. “Quem puder amamentar, amamente, mesmo que com os cuidados necessários, pois no leite existe um anticorpo de imunidade à IGA, que é protetor para o intestino do bebê”, pontua.

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