21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Cultura

Dia para lembrar a vida e a obra de Nelson Mandela

Historiador André Ribeiro e psicóloga Monique Rosset destacam a importância da data e o legado deixado por ele

teste
ANDRE.jpeg
Monique.jpeg
Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

 Nascido em 1918, na cidade de Qunu (África do Sul), Nelson Rolihahla Mandela foi um importante líder político que lutou contra o sistema de apartheid no país. Para tanto, hoje, 18 de julho é a comemoração do Dia Internacional de lembrar desta figura que marcou na história da humanidade.

A história por André Ribeiro

          De acordo com André F. Ribeiro Historiador Me. em Educação, Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013) foi um advogado e líder político da África do Sul. Nascido numa comunidade rural, conheceu desde cedo as mazelas da desigualdade social que massacrava os povos originários da África do Sul, mesmo sendo pertencente a uma família de nobreza tribal Thembu. Aos 23 anos segue para a capital, Joanesburgo, onde ingressa na Universidade Fort Hare, passando depois pela Universidade da África do Sul (1942) e finalmente na Universidade de Witwatersrand, onde se se gradua.

 “Neste período tem contato pela primeira vez com a luta antirracista e passa a ser perseguido dentro das universidades por seus pares da elite negra, pois a formação lhes permitia o acesso a bons empregos e a liderança em suas comunidades tribais, mas nada se falava contra o preconceito racial e a desigualdade social sofridos pela maioria da população negra. Em 1949, o governo sul africano aprova um regime segregacionista denominado Apartheid, pressionando ainda mais a população negra, impedindo o acesso a lugares comuns como, hospitais, escolas, mercados, banheiros, ônibus e no ano seguinte, um conjunto de leis ainda mais severas, expropriava terras de negros, indianos e mestiços”, pontua.

André reforça que a luta de Mandela se intensifica e ele é eleito para cargos importantes e lidera a Campanha do Desafio onde os negros de todo o país eram convidados a desafiar as leis de segregação e ocupar os espaços proibidos pelas leis racistas. “Entre os anos de 1951 e 1962, Mandela torna-se uma liderança nacional contra o segregacionismo, viaja para Londres e também para vários países africanos conseguindo apoio internacional para a luta contra o Apartheid e organiza grupos armados, sendo então perseguido e preso em 1962 e condenado em 1964”.

 Passa os próximos 27 anos preso, em condições desumanas, sob violência física e verbal, tendo como cama uma esteira de palha e trabalhando durante o dia numa pedreira. “Foi isolado das informações do mundo exterior, tendo direito a uma visita e uma carta a cada 6 meses. Neste meio tempo continua seus estudos acadêmicos e conhece religiões cristãs e o islamismo. Enquanto isso, fora da prisão, a luta iniciada por Mandela continuava com novas lideranças que, passados 40 anos, forçaram o esgotamento do regime de Apartheid”.

 Em 1990, por intensa pressão social, Mandela é libertado. Nos anos seguintes, retoma seu espaço de liderança com uma das vozes mais poderosas contra os regimes de segregação e o racismo. Em 1993, recebe o Prêmio Nobel da Paz e em 1994 é eleito presidente da África do Sul com a proposta e um país democrático multirracial, estabelecendo a Comissão da Verdade e Reconciliação que buscou expor os crimes cometidos durante o Apartheid, mas não punindo os envolvidos”

 Deste modo, André pontua que Mandela buscou consolidar a paz entre o povo negro da África do Sul e a minoria branca da população. Por problemas de saúde, se aposenta da vida pública em 2001, mas entre doenças e problemas familiares permaneceu atuante em conferências mundiais, visitando vários países e atuou como uma voz ativa contra as guerras e na luta pelos direitos humanos até o fim de sua vida, em 2013 aos 95 anos.

A importância, por Monique Rosset

 “MADIBA”, assim era conhecido Mandela nascido na África do Sul, um dos líderes mais admiráveis e importantes no mundo todo”. A declaração é de Monique Rosset, psicóloga, neuropsicopedagoga clínica e membro do Grupo Mene de Erechim.

“Quando os poderes políticos na África do Sul ficaram sob o domínio da população branca, o regime dividiu a população em grupos raciais, separando inclusive os locais que poderiam ser frequentados apenas por brancos, proíba também o casamento inter-racial e pessoas negras, mestiças e indianos recebiam serviços públicos inferiores. Você já teve ter ouvido ou assistido sobre esse regime conhecido como “Apartheid”.

“Mandela lutava contra esse regime, desafiava e liderou no Congresso Nacional Africano defendendo o fim do regime racista. Em função de muitos protestos, em 1962, onde ele foi preso por traição e condenado à prisão perpétua. Mandela passou 27 anos preso, por lutar pela igualdade. Houveram muitas campanhas internacionais para que ele tivesse sua liberdade. Em 1990 ele foi solto e continuou na luta contra a segregação e na busca pela igualdade de direitos das pessoas negras, pelo fim do Apartheid”, ressalta.  

Monique lembra que em 1993, Mandela recebeu o Prêmio NOBEL DA PAZ, e o regime teve seu fim em 1994. No mesmo ano, na primeira eleição aberta para a população negra, ele foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul. Promovendo diversas reformas que instituíram a liberdade, o respeito e dignidade da população.

“Mandela morreu em 2013, hoje ele continua sendo um ícone, uma inspiração para nós. Infelizmente nos dias atuais, ainda precisamos continuar na luta pelos direitos, igualdade, equidade e respeito a população negra, onde racismo e a desigualdade se fazem muito presentes.

 Ele nos ensinou a não desistir, a permanecer firmes naquilo que acreditamos, e que nossas lutas são como plantar sementes, com paciência e persistência aguardar a colheita dos frutos, mesmo que sejam em outros tempos, alguém os colherá!”, pontua.  

Finalizo com mais uma citação que nos inspira esperança: “Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas e em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar!”

“Muitos de nós, no anonimato, no cotidiano, travamos grandes ou pequenas batalhas com esse mesmo propósito, inspirados por grandes líderes, por nossas famílias, por amigos, continuamos nos movimentando e acreditando que é possível! “Seja hoje ou mais à frente... Nossas lutas não serão em vão!”.

 

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;