Nascido em 1918, na cidade de Qunu (África do Sul), Nelson Rolihahla Mandela foi um importante líder político que lutou contra o sistema de apartheid no país. Para tanto, hoje, 18 de julho é a comemoração do Dia Internacional de lembrar desta figura que marcou na história da humanidade.
A história por André Ribeiro
De acordo com André F. Ribeiro Historiador Me. em Educação, Nelson Rolihlahla Mandela (1918-2013) foi um advogado e líder político da África do Sul. Nascido numa comunidade rural, conheceu desde cedo as mazelas da desigualdade social que massacrava os povos originários da África do Sul, mesmo sendo pertencente a uma família de nobreza tribal Thembu. Aos 23 anos segue para a capital, Joanesburgo, onde ingressa na Universidade Fort Hare, passando depois pela Universidade da África do Sul (1942) e finalmente na Universidade de Witwatersrand, onde se se gradua.
“Neste período tem contato pela primeira vez com a luta antirracista e passa a ser perseguido dentro das universidades por seus pares da elite negra, pois a formação lhes permitia o acesso a bons empregos e a liderança em suas comunidades tribais, mas nada se falava contra o preconceito racial e a desigualdade social sofridos pela maioria da população negra. Em 1949, o governo sul africano aprova um regime segregacionista denominado Apartheid, pressionando ainda mais a população negra, impedindo o acesso a lugares comuns como, hospitais, escolas, mercados, banheiros, ônibus e no ano seguinte, um conjunto de leis ainda mais severas, expropriava terras de negros, indianos e mestiços”, pontua.
André reforça que a luta de Mandela se intensifica e ele é eleito para cargos importantes e lidera a Campanha do Desafio onde os negros de todo o país eram convidados a desafiar as leis de segregação e ocupar os espaços proibidos pelas leis racistas. “Entre os anos de 1951 e 1962, Mandela torna-se uma liderança nacional contra o segregacionismo, viaja para Londres e também para vários países africanos conseguindo apoio internacional para a luta contra o Apartheid e organiza grupos armados, sendo então perseguido e preso em 1962 e condenado em 1964”.
Passa os próximos 27 anos preso, em condições desumanas, sob violência física e verbal, tendo como cama uma esteira de palha e trabalhando durante o dia numa pedreira. “Foi isolado das informações do mundo exterior, tendo direito a uma visita e uma carta a cada 6 meses. Neste meio tempo continua seus estudos acadêmicos e conhece religiões cristãs e o islamismo. Enquanto isso, fora da prisão, a luta iniciada por Mandela continuava com novas lideranças que, passados 40 anos, forçaram o esgotamento do regime de Apartheid”.
Em 1990, por intensa pressão social, Mandela é libertado. Nos anos seguintes, retoma seu espaço de liderança com uma das vozes mais poderosas contra os regimes de segregação e o racismo. Em 1993, recebe o Prêmio Nobel da Paz e em 1994 é eleito presidente da África do Sul com a proposta e um país democrático multirracial, estabelecendo a Comissão da Verdade e Reconciliação que buscou expor os crimes cometidos durante o Apartheid, mas não punindo os envolvidos”
Deste modo, André pontua que Mandela buscou consolidar a paz entre o povo negro da África do Sul e a minoria branca da população. Por problemas de saúde, se aposenta da vida pública em 2001, mas entre doenças e problemas familiares permaneceu atuante em conferências mundiais, visitando vários países e atuou como uma voz ativa contra as guerras e na luta pelos direitos humanos até o fim de sua vida, em 2013 aos 95 anos.
A importância, por Monique Rosset
“MADIBA”, assim era conhecido Mandela nascido na África do Sul, um dos líderes mais admiráveis e importantes no mundo todo”. A declaração é de Monique Rosset, psicóloga, neuropsicopedagoga clínica e membro do Grupo Mene de Erechim.
“Quando os poderes políticos na África do Sul ficaram sob o domínio da população branca, o regime dividiu a população em grupos raciais, separando inclusive os locais que poderiam ser frequentados apenas por brancos, proíba também o casamento inter-racial e pessoas negras, mestiças e indianos recebiam serviços públicos inferiores. Você já teve ter ouvido ou assistido sobre esse regime conhecido como “Apartheid”.
“Mandela lutava contra esse regime, desafiava e liderou no Congresso Nacional Africano defendendo o fim do regime racista. Em função de muitos protestos, em 1962, onde ele foi preso por traição e condenado à prisão perpétua. Mandela passou 27 anos preso, por lutar pela igualdade. Houveram muitas campanhas internacionais para que ele tivesse sua liberdade. Em 1990 ele foi solto e continuou na luta contra a segregação e na busca pela igualdade de direitos das pessoas negras, pelo fim do Apartheid”, ressalta.
Monique lembra que em 1993, Mandela recebeu o Prêmio NOBEL DA PAZ, e o regime teve seu fim em 1994. No mesmo ano, na primeira eleição aberta para a população negra, ele foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul. Promovendo diversas reformas que instituíram a liberdade, o respeito e dignidade da população.
“Mandela morreu em 2013, hoje ele continua sendo um ícone, uma inspiração para nós. Infelizmente nos dias atuais, ainda precisamos continuar na luta pelos direitos, igualdade, equidade e respeito a população negra, onde racismo e a desigualdade se fazem muito presentes.
Ele nos ensinou a não desistir, a permanecer firmes naquilo que acreditamos, e que nossas lutas são como plantar sementes, com paciência e persistência aguardar a colheita dos frutos, mesmo que sejam em outros tempos, alguém os colherá!”, pontua.
Finalizo com mais uma citação que nos inspira esperança: “Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas e em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e realizar!”
“Muitos de nós, no anonimato, no cotidiano, travamos grandes ou pequenas batalhas com esse mesmo propósito, inspirados por grandes líderes, por nossas famílias, por amigos, continuamos nos movimentando e acreditando que é possível! “Seja hoje ou mais à frente... Nossas lutas não serão em vão!”.