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Cultura

Castelinho: forte simbolismo para Erechim, na história e na cultura (Parte III de IV)

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O Castelinho, quando uma nevasca atingiu Erechim no passado. Sempre esteve presente na história cent
Apesar do Castelinho ser uma obra financiada pelo órgão estadual, o prédio também já foi responsável
Por Bruna Rebelatto /Estagiária Jornalismo UPF
Foto Arquivo histórico

Segundo o coordenador do Arquivo Histórico Municipal, Henrique Trizotto, o Castelinho foi encomendado e financiado pelo governo do Estado do Rio do Grande Sul para abrigar as equipes administrativas, enviadas pelo governo estadual, que vinham na região para organizar e fazer a mediação dos lotes de terras. “A obra custou aproximadamente 28 mil cruzeiros, na época, e serviu também para representar o governo gaúcho na nossa Colônia”, ressalta. 

Primeira obra com banheiros sanitários

A estrutura do Castelinho também tinha outros objetivos: ela foi construída para mostrar o que havia de mais avançado e tecnológico daquela época para construções, afirma Trizotto. Como resultado, tornou-se o primeiro edifício a possuir banheiros sanitários e instalações hidráulicas na região.

Segundo o historiador Enori Chiaparini “As pessoas não acreditavam que essas novidades de patentes dariam certo, pois não iriam suportar o cheiro dos vasos dentro das suas casas. Havia a concepção do colonizador que isso estava fora dos nossos padrões de vivência”.

 

Batalhas federativas

Os anos 20 foram marcados por duas batalhas federalistas na região erechinense, com os chimangos e maragatos, como protagonistas do Desvio Giaretta e o Cemitério do Combate (atual Erebango), região que compreendia o município de Erechim, naquela época. Os chimangos reconhecidos pelo uso do laço branco lutavam pela permanência do então governador Borges de Medeiros no mandato. O outro grupo não compartilhava essa ideia da permanência do político no poder. Conforme o coordenador do Arquivo Histórico, as tropas governistas feridas durante os dois combates foram atendidas na Comissão de Terras.

Funções administrativas e políticas

Apesar do Castelinho ser uma obra financiada pelo órgão estadual, o prédio também já foi responsável por abrigar funções administrativas e políticas do município erechinense. Após dois anos da inauguração do prédio que virou, hoje, patrimônio histórico, gradualmente, funcionou como a sede da prefeitura municipal, instalada em uma sala do prédio, em 18 de junho de 1918, logo após a emancipação de Erechim em 30 de abril do mesmo ano (chamada de Boa Vista, na época).

Um local ‘efervescente’

Conforme Enori, o órgão municipal foi instalado dentro de uma sala da antiga sede da Comissão de Terras, em junho do mesmo ano, e a inspetoria era responsável por receber as figuras políticas que vinham para a cidade. Segundo o advogado Thales de Souza, filho do ex-chefe da Inspetoria de Terras, Antônio de Souza, entre as personalidades políticas que visitaram o nosso patrimônio histórico está o então governador gaúcho Osvaldo Cordeiro de Farias, na década de 30. Thales também reforça que no prédio eram realizadas reuniões administrativas e políticas referentes a assuntos estaduais.

O prédio servia como hotel

O advogado explica que o Castelinho serviu como uma espécie de hotel para as autoridades políticas que visitavam a cidade de Erechim: “Naquela época, havia uma precariedade de hotéis e pousadas da cidade. Muitas vezes, as autoridades preferiam se alojar e passar uma, duas ou três noites dentro do Castelinho, ao invés de ir para o hotel”, destaca Souza.

Entre algumas figuras do cenário político importantes daquela época que seus pais receberam no Castelinho durante o mandato da Comissão de Terras estão: Daniel Krieger (senador), Peracchi de Barcellos e Amaral de Souza (governadores do Estado).

Em 1992 é repassado ao município

Com a extinção da Comissão de Terras no Castelinho e passado aos cuidados do município de Erechim em 1992, o local passou a sediar eventos de cunho cultural e o Centro de Apoio ao Turista.

Para Maria Vanda Krepinski Groch, ex-coordenadora do Turismo (1997-2001) e ativista cultural, um dos momentos mais marcantes ao trabalhar no Castelinho ocorreu, ainda, no seu primeiro dia de trabalho: “Fizemos uma roda, nos damos as mãos e rezamos pedindo licença para habitar um espaço tão digno e grandioso, por onde haviam passado tantas pessoas cheias de esperança e de sonhos”.

Exposições culturais

Em relação às exposições culturais que aconteciam no Castelinho, quando trabalhava no local, complementa que a cada mês do ano era escolhido uma temática para realizar uma variedade de atividades em sintonia com o calendário dos eventos do município. Entre os eventos que obtiveram maior sucesso, em Erechim e na região, foi o Concurso de Fotografia. “Muitas pessoas vinham nas exposições e não reconheciam a própria cidade nas fotografias” lembra Vanda.

O Castelinho representa um forte simbolismo para a cidade de Erechim, seja na questão histórica ou cultural. Igualmente, foi marcado, por muitos anos, por abrigar a Casa do Papai Noel, tornando-se uma parada obrigatória para crianças e familiares que almejavam conhecer o famoso bom velhinho. “Foi aberto todas as janelas, portas e nos jardins do Castelinho para que o coral juvenil municipal de Erechim que era composto com mais de 40 alunos se apresentasse na abertura do Natal do município”. Destaca-se que esse grupo, criado em março de 1990, ensaiavam nas salas dentro do Castelinho e ao longo do ano, também participavam de festividades que aconteciam no prédio, não só na época mais mágica do ano.

Última reportagem

O Castelinho está com as portas fechadas para a comunidade há nove anos. Foi realizada a primeira e única fase, das três previstas do processo de restauração na obra, entre os anos de 2013 e 2014. Recentemente foi apresentado um novo projeto de revitalização para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul, órgão responsável por aprovar as intervenções em bens tombados a nível estadual. 

A quarta e última reportagem, sobre o Castelinho, será publicada na edição do próximo sábado, onde traz a história caindo aos pedaços: “com mais de 100 anos da construção, luta contra o tempo para preservar sua estrutura”

 

Por Bruna Rebonatto (Estagiária de Jornalismo/UPF)

Supervisão:  Rodrigo Finardi/Coordenador Geral de Jornalismo, TV e Jornal Bom Dia)

 

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