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Saúde

Quarta-feira de alerta sobre prevenção e combate à Aids

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Infectologista, Vanderlei Madalozzo
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Esse mês de dezembro é marcado pela cor vermelha na área da saúde. O propósito é chamar a atenção da sociedade e sensibilizá-la quanto a importância do acesso à informação adequada sobre HIV, do mesmo modo que a evolução dos métodos de prevenção e tratamento.

O ponto alto da campanha é nesta quarta-feira (1º), momento em que é celebrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Em Erechim, os profissionais de saúde estarão mobilizados para reforçar as orientações e alertas sobre o assunto.

O médico infectologista, Vanderlei Madalozzo, enfatizou, durante entrevista ao Bom Dia, que no município, a realidade é preocupante, considerando o número expressivo de casos de HIV e as faixas etárias. “Atualmente, o maior número de casos novos refere-se aos pacientes jovens, homossexuais, principalmente na faixa etária dos 20 anos. Isso nos preocupa bastante. Se buscam explicações para isso e acho que não é falta de informação, pois sempre são divulgadas. Acredito que seja um pouco de descaso por parte de muitas pessoas que abandonaram as medidas de prevenção. Por ser uma doença crônica que agora tem tratamento e que é possível ter uma qualidade de vida igual a quem não tem a doença, muitos jovens tem a ideia de que são “super-homens” e que nada vai acontecer. No entanto, essa doença tem uma maneira de transmissão muito silenciosa”, afirmou.

No cadastro do Serviço de Atendimento Especializado em HIV/Aids – SAE - da Secretaria Municipal de Saúde de Erechim, há 503 pacientes. Vale lembrar que o setor é referência no atendimento e acompanhamento de pacientes de todos os municípios que integram a 11ª Coordenadoria Regional de Saúde, entre outros. “Pode haver, ainda, outros pacientes da região que optaram por realizar o tratamento em outra cidade ou Estado”, acrescentou.

Em uso do coquetel – tratamento oferecido pelo SUS - há cerca de 480 pacientes. Também há um percentual de abandono que está em torno de 25%, índice considerado relativamente baixo.

Em relação a predominância de casos de HIV/Aids, o especialista pontua que há algumas características ao longo da história. “Inicialmente, a maior parte dos casos era na comunidade homossexual; a partir dos anos 80, concentrava nos usuários de drogas injetáveis e posteriormente, os casais heterossexuais representavam a maioria dos casos”, citou.

Nesse ano, na faixa etária dos 21 aos 30 anos de idade, foram confirmados 20 pacientes novos; dos 31 aos 40 anos, 10 pacientes novos; e dos 41 aos 50 anos, oito pacientes novos. Também há alguns casos acima dos 60 anos e dois casos abaixo dos 20 anos. “O essencial é refletir que trata-se de uma doença que pode ser evitada. Desse modo, é fundamental que as pessoas voltem a seguir as medidas preventivas, como o uso de preservativo e o não compartilhamento de seringas, para evitar a transmissão e adquirir uma doença totalmente possível de prevenção”, ressaltou.

Importância das campanhas

Madalozzo salientou que o dia 1º de dezembro é muito especial e promove uma mobilização com ênfase maior à tradicionalmente dada nos outros 364 dias no ano, com acompanhamento e atenção às pessoas que convivem com o HIV/Aids. “Essa data foi oficializada em 1987 pela Organização Mundial da Saúde e no Brasil começamos comemorar em 1988 e visa reforçar as informações, as características e uma compreensão em relação às pessoas que convivem com o vírus. Nós que estamos aqui no SAE, observamos que é uma situação difícil, desde o recebimento dessa notícia e essa data é importante para esclarecer à sociedade, diferentes aspectos sobre a doença e, ao mesmo tempo, informações para a prevenção”, frisou.

Em Erechim há uma marca de promover ações para chamar a atenção sobre o tema e mostrar qual é a situação em âmbito local, como vivem os pacientes com o HIV/ Aids e qual a expectativa de vida e do futuro. “Se observamos os anos de 81 e 82, momento em que surgiu a doença, até os dias atuais, há pontos muito parecidos, que é o quadro clínico e a forma de transmissão. O que se alterou foi o comportamento desses pacientes. Houve uma fase em que o coquetel continha mais de 20 comprimidos por dia. Hoje o nosso tratamento padrão no Brasil e no mundo, são dois e até mesmo um comprimido ao dia. Isso demonstra uma evolução, tanto na administração dos comprimidos, como nos efeitos colaterais. Então hoje os pacientes com HIV tem uma vida completamente normal, com uma doença controlada com remédio”, explicou o médico.

Outro aspecto que mudou muito, na visão do infectologista, é que como esses pacientes estão sobrevivendo mais, com uma vida normal e estão surgindo as outras doenças que acometem também, as pessoas que não tem o vírus HIV. “Se observamos o número de óbitos desse ano, são 12, e em média, dois se referem à doença em si. Os outros foram vítimas de infarto, complicações da covid-19, tumores, insuficiência renal, entre outros problemas”, mencionou.

O infectologista afirmou que, felizmente, há muitos pacientes que seguem sua vida normal, com o trabalho e a prática de exercícios. “No momento que podemos juntar o fato de que o paciente está tranquilo, não colocando pessoas em risco e tomando o medicamento corretamente, é muito positivo. A pessoa que se contaminar deve pensar que tem uma vida segura mas que tudo isso passa pelo tratamento”, esclareceu.

Nesse sentido de cuidado, há pacientes que optam por consultar nos consultórios, contudo, no momento de retirar o medicamento, devem procurar o sistema público, pois ele não está disponível em farmácias.

Gestantes com HIV

No caso das gestantes, houve nesse ano, 14 mulher grávidas com HIV. “Quando comecei a trabalhar aqui, muitas mulheres com o vírus nem cogitavam ter filhos. Agora, conforme levantamento desde 2015, cerca de 60 pacientes já engravidaram, inclusive mais de uma vez e os filhos nasceram sem o HIV. Isso é influência do medicamento que impede que a mãe transfira o vírus para o bebê durante a gestação e na hora do parto”, informou o especialista.

Programação desta quarta

Nesta quarta-feira, os profissionais de saúde estarão no local conhecido como ‘Esquina Democrática’, em Erechim, distribuindo folders e orientando a população.

Já nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) é realizada a testagem, em qualquer dia da semana, que hoje é sugerida a todas as pessoas que estão no serviço de saúde. O procedimento é sigiloso e hoje é utilizado o teste rápido que permite o resultado após 15 minutos. “Como médico infectologista, espero que as pessoas façam a testagem. Caso resulte positivo, pensem no diagnóstico precoce e na possibilidade de tratamento.

Queremos criar um sentimento de cuidado, de prevenção e se tiverem dúvidas quanto a algum comportamento de risco, procurem a UBS ou um laboratório particular para a realização do exame. Não esqueçam: usem preservativo pois é o único método 100% eficaz para prevenir a infecção pelo HIV”, assinalou Dr. Madalozzo.

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