Em meio ao “novo normal”, aconteceram diferentes mudanças na sociedade. A maioria dos setores se adaptou ou se reinventou para continuar as atividades. Uma das áreas que nunca parou, mesmo antes deste período, foi a Saúde – essencial para a sobrevivência humana. Conforme definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), o termo, se refere ao estado completo de bem-estar físico, mental e social do indivíduo. Não só hospitais e clínicas que tratam enfermidades, mas diferentes grupos de apoio e centros de atendimento prosseguiram com os trabalhos de forma adaptada e com menos pessoas em prevenção à Covid-19.
Caol Erechim
Em Erechim, um exemplo disso, é o Centro de Apoio Oncológico Luciano (CAOL), entidade sem fins lucrativos que desenvolve um trabalho de apoio e melhores condições de vida para pacientes de todas as idades com câncer, há mais de 20 anos no município. A estrutura, conta com instalações como leitos, cozinha, sala de reuniões - que é usada para troca de experiências, jardim e espaços para aqueles que precisam permanecer no local. O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, podendo o paciente levar um acompanhante junto.
De acordo com a presidente da organização, Marilene Rigo, atualmente o Caol se mantém por meio de doações de voluntários e já atendeu mais de 40 mil pessoas que passaram pelo centro. “As pessoas podem ajudar de diferentes formas. As doações podem ser em débito, conta mensal, esporádica e por meio dos recursos arrecadados em eventos. Hoje temos convênio com algumas prefeituras da região, que utilizam o serviço e essas também prestam auxiliam.”, explica.
Trabalho contínuo mesmo na pandemia
Mesmo com as adaptações na pandemia, o trabalho não parou. Para seguir os protocolos de saúde, a equipe ficou reduzida, e o atendimento aos pacientes foi reforçado. “Até o momento, não tivemos nenhum caso de coronavírus, tanto de paciente como de acompanhante, realizamos todas as medidas cabíveis e continuamos atendendo normalmente. Diminuímos as visitas, e os voluntários até não se vacinarem, não foram ao centro. Agora que estamos retomando as reuniões com voluntários em grupos reduzidos de pessoas”, frisa Marilene.
Como as pessoas podem ajudar
Os voluntários do Caol, podem ser de três tipos. Voluntários financeiros, esporádicos e efetivos. O objetivo deles, é buscar recursos financeiros para manter a casa e dar atenção à saúde emocional dos pacientes. As pessoas que possuem interesse em ser voluntários, passam por uma capacitação específica que é realizada por profissionais qualificados que orientam acerca da doença e aspectos físicos e emocionais. “Para ajudar, é necessário se dirigir até a entidade que será muito bem atendido. Sabemos que ser voluntário, é se doar para alguém. Muitos estão funcionando ‘mecanicamente’ nos dias de hoje e esquecem de ajudar o outro e ver que existem seres humanos que necessitam de auxílio. Ao fazer este trabalho, o indivíduo estará beneficiando mais a si mesmo, do que o próximo, pois é muito gratificante,” ressalta.
Segundo ela, o centro atende também pacientes de outros municípios que a Fundação Hospitalar Santa Terezinha recebe. “São cerca de 90 cidades e algumas pessoas são encaminhadas ao Caol, para permanecer na entidade durante a semana. É melhor quem está fazendo tratamento, porque não precisa se deslocar, ele permanece conosco e não se desgasta”, salienta.
Importância do trabalho
Além do trabalho desenvolvido e atividades direcionadas como: oficinas, recreações e conversas, o apoio psicológico é um dos fatores primordiais para quem enfrenta o câncer.” Esse apoio é essencial, porque o diagnóstico não afeta só o paciente, mas a família como um todo, e um conjunto de fatores que vem com a situação. Aqueles que são de outros municípios, por exemplo, teriam que vir todos os dias, a maioria não tem como ficar em uma pousada, hotel, fazer as refeições, que no mínimo seriam quatro. Nesse sentido, a entidade está aí para ajudar, prestar esse auxílio de forma gratuita”, reforça.
Marilene conta, que já teve relatos de pessoas que chegaram triste no centro, por ter que permanecer no local, mas depois com a convivência, ficaram tristes de ter que sair. “Eles acabam formando uma família com aquele grupo de pessoas, e as oficinas ministradas, podem dar uma renda para o município. Temos essa preocupação também, de ensinar algo aos pacientes”, explana.
Saiba mais
O Centro de Apoio Oncológico Luciano (CAOL) de Erechim, foi fundado em 4 de agosto de 1998 e está em atividade no município, há 23 anos. Seu nome é uma homenagem a Luciano Rigo, que partiu em decorrência da doença aos 17 anos de idade. Após diagnóstico dos médicos que de teria três meses de vida, a família por meio de tratamentos, conseguiu ampliar esse prazo para dois anos e três meses. Conforme Marilene Rigo, a ideia de criar algo para ajudar pessoas portadoras de câncer foi de Luciano. A família movida pelo espírito de solidariedade, se reuniu com um grupo de apoiadores e criou o Caol. Atualmente, a entidade se mantém com doações de voluntários. Em 2019, a entidade ganhou um prêmio a nível nacional como a melhor instituição de apoio a pacientes oncológicos em uma homenagem no Senado.