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Cultura

Reviver o “coração” do município

Grupo liderado por mulheres, em Viadutos, está realizando projeto ousado de revitalização da estação ferroviária com doações e muito esforço

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O grupo é formado por cinco mulheres de 43 a 75 anos, que vão lá lixar, limpar, lavar telhas
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Um grupo de mulheres decidiu arregaçar as mangas e salvar o “coração do município” em que moram, que estava esquecido, já não “pulsa” mais, mas foi fundamental para o surgimento daquela comunidade: a Estação Ferroviária de Viadutos. Foi ao redor dela que tudo começou. E, pensando em resgatar a memória, o valor cultural deste patrimônio público, e dar um novo significado para aquele espaço, que foi criada a Associação de Amigos da Estação Ferrovia de Viadutos.

Associação

A presidente da associação, Larissa Detoffol Bez Luchini, arquiteta urbanista, conta que cresceu ouvindo as histórias e isso a comoveu. As idas e vindas na plataforma da estação, a chegada dos colonizadores, contadas por sua mãe, Idione Isabel, que é escritora e há muitos anos vem catalogando dados sobre a história de Viadutos, e é uma das idealizadoras da associação junto com ela. “Assim, me apaixonei pela história do município”, afirma.

E, acrescenta, “e vendo aquele espaço ruir, o único patrimônio histórico vivo de Viadutos, porque o restante foi depredado e abandonado, a gente se reuniu para fazer a reconstrução da Estação Ferroviária”.

Grupo liderado por mulheres

Hoje, o grupo é formado pela Idione Isabel (idealizadora), Fiorelli Detoffol (tesoureira), Marilisa Ronchetti, Laura Hoffman (filha de ferroviário), Larissa Bez (presidente), com a participação das crianças Isabelle Luchini, Ana Luisa Baldissera e Luccas Bocca, e do colaborador, Luis Dallagnol.

Larissa explica que, até o momento, a associação tem obtido sucesso na implantação do projeto, mas há carência de trabalho voluntário, que hoje é liderado por mulheres de 43 a 75 anos que vão lá lixar, limpar, lavar telhas. Ela acrescenta que tem duas empresas locais que cedem os funcionários para ajudar nas reformas e que a prefeitura é parceira do projeto e paga hoje as contas de água e luz do local. E “cedeu a concessão para a Associação revitalizar e zelar pelo espaço”, diz.

Conscientizar a população

Idione lembra que no começo o grupo mobilizava a comunidade, por meio de contatos pessoais, convites para encontros, reuniões e palestras. “Para conscientizar a população dos objetivos do projeto e da associação. E foi muito difícil, havia meia-dúzia de pessoas, mas a partir do registro da associação e da eleição da diretoria as pessoas começaram a acreditar um pouco mais”, lembra.

Ela comenta que com o início das obras de limpeza a associação passou a ter um pouco mais de credibilidade. “Não a esperada, mas o suficiente para prosseguir”, afirma.

Larissa acrescenta que “ninguém acredita em cultura, que a associação foi fundada por poucas pessoas e teve muita resistência no começo, porque ninguém quer dar o seu nome, CPF, para fundar uma associação”.

Registro

Assim, observa Idione, depois da prefeitura repassar o registro de uso do patrimônio público para a associação se começou a buscar recursos. “Primeiro passamos uma lista na cidade, no corpo a corpo, pedindo dinheiro, depois fizemos uma rifa, e, em seguida, o apadrinhamento de materiais, esquadrias, pedras e outros itens por meio das redes sociais, abordando as pessoas da maneira que dava”, disse.  

Restaurar e preservar o patrimônio público

A escritora ressalta que o grupo fundou a associação pela necessidade de ressignificar o espaço da estação e resgatar os valores a ela vinculados ao longo da história do município.

“O nosso patrimônio ferroviário tem pontes, trilhos, prédios, espaços naturais, elementos importantes da história e da memória social, econômica e cultural, que estão abandonados. Agonizando pelo descaso, pela falta de políticas públicas direcionadas a proteger o trabalho e o capital, que foi construído com sangue, suor e muito sacrifício dos nossos antepassados. Essa é a razão de termos assumido este compromisso de recuperar este patrimônio e devolvê-lo para a comunidade”, observa.

Novo significado

Conforme Idione, o objetivo é restaurar o prédio da Estação Ferroviária de Viadutos, construído em 1908, bem como recuperar e fazer a adequação do seu entorno para uso de seu espaço. “Implantar uma biblioteca com material da colonização, Museu de Imagens e dos ferroviários, e um memorial das famílias colonizadoras”, diz.

Como funciona

Segundo Larissa, tudo gira em torno de doação, recursos doados por colaboradores, via rifas ou doações direto para associação. “A gente vem enfrentando muitas dificuldades e nosso projeto vai além de pintar o prédio”, afirma. E, acrescenta, “nossa próxima etapa será reconstituir toda a estação por dentro, pintar, arrumar o assoalho, os banheiros, cozinha e o armazém. Começar a catalogar o museu da ferrovia e a biblioteca da colonização”.

Idione e Larissa ressaltam que a dificuldade do momento é conseguir mais recursos para que a associação possa continuar as próximas ações. “Já que as etapas previstas a gente conseguiu concluir. Precisamos de mais recursos, novos amigos colaboradores para terminar a restauração da parte interior da estação e o entorno”, disseram.

Local de referência  

Segundo elas, a proposta é transformar a Estação Ferroviária de Viadutos num ponto de referência, novo cartão-postal do município. “Queremos tornar aquele espaço vivo, temos muitos projetos pra ele, não será apenas um museu, mas um espaço de cultura, com músicos, artesãos, exposições itinerantes, um local para caminhadas, ciclismo, de convivência. É um projeto grande, que ainda está em desenvolvimento”, afirmam.

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