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Economia

Bandeira vermelha: dúvidas e adaptações na rotina de trabalho

Empresária frisa que, por se tratar de pequeno negócio, é preciso trabalhar diariamente, pois há dep
Diretor-presidente da Unindústria, Antonio Carlos Carbonari Júnior
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, os impactos nos diferentes setores da economia, são evidentes. Alguns já podem ser observados, no entanto, muitos empresários e profissionais temem que o reflexo nos próximos meses pode ser ainda mais expressivo.

No Estado, a proposta do Distanciamento Controlado e estabelecimento de bandeiras que limitam ou permitem o funcionamento de determinadas atividades, causa preocupação e uma série de dúvidas.

Na última atualização feita pelo Governo do RS, a região de Erechim (R16) ingressou pela primeira vez na bandeira vermelha (risco alto de contaminação). Com isso, a rotina de trabalho em diversos estabelecimentos, precisou ser alterada e adaptada às condições necessárias.

A prefeitura de Erechim publicou o decreto em que reitera a declaração de estado de calamidade pública em todo o território estadual e define as novas regras de funcionamento das empresas.

Reflexos no comércio

Para a sócia-proprietária de uma loja de Erechim, Roseli Kolassa, o cenário atual é efeito de algo que vem acontecendo desde março e impôs uma adaptação.

Segundo ela, não existe uma rotina de trabalho pré definida, pois cada dia é uma “realidade” diferente e novos desafios. “Chegamos e procuramos entender como está o andamento da situação. Do mesmo modo, intensificamos os contatos com clientes e investimos nas redes sociais. Se antes fazíamos um determinado número de postagens, hoje ampliamos e buscamos cada vez mais seguidores”, relata.

Na opinião de Roseli, os consumidores, de um modo geral, estão comprando mais por outros sistemas, como o chamado modo condicional, em que o cliente pode levar para casa e provar, e também por tele entrega. “Algo que também é novo para nós, contudo, precisamos implantar para favorecer as vendas”, destaca.

Ela frisa que, até o momento, foram identificadas muitas dificuldades, entre as quais está a busca por produtos para a loja. “Havia pessoas que queriam comprar, no entanto, os fornecedores nem sempre conseguiam fazer a entrega”, acrescenta.

Sobre o formato de Distanciamento Controlado

A empresária comenta que a bandeira vermelha está muito confusa e difícil de compreender. “Acredito que atualmente o comércio não causa aglomerações, pois tentamos atrair os clientes, sendo que eles não estão vindo para a loja. Ficamos ainda mais limitados”, desabafa, citando que há muitas outras aglomerações, até mesmo nos fins de semana. “Outra questão se refere aos mercados, por exemplo, que são liberados, com menos exceções e muitas famílias vão fazer compras. Sendo assim, no meu ponto de vista, essa não é a forma mais eficiente”, pontua.

Roseli frisa que, por se tratar de pequeno negócio, é preciso trabalhar diariamente, pois há dependência de todas as vendas. “Nesse sentido, nosso trabalho também deveria ser considerado essencial”, acrescenta.

Impactos na indústria

O diretor-presidente da Unindústria, Antonio Carlos Carbonari Júnior, relata que o anúncio da bandeira vermelha surpreendeu os integrantes do setor. Segundo ele, muitas empresas já vinham sentindo os reflexos desde o início da pandemia e essa mudança na questão do Distanciamento Controlado vem para corroborar com os desafios estabelecidos. “Muitos estão fragilizados, observam os impactos da questão de faturamento, diminuição de pedidos e retração de mercado. Outros, que estavam se mantendo, nesse momento, com menor produção nas indústrias e menor possibilidade de entrega de novos produtos ou acesso ao mercado, terão ainda mais reflexos, principalmente nos próximos meses”, avalia.

De acordo com o diretor-presidente, o impacto vai muito além de uma semana na bandeira vermelha. “Empresas que possuem caldeiras e outros equipamentos maiores, precisam parar as atividades praticamente de uma hora para outra, contudo, os sistemas demoram dias para desligar e reativar. Há outros exemplos que têm pedidos com programações ou entregas licitatórias com prazo determinado. Além disso, há chances de permanecermos mais uma semana até a bandeira laranja, o que aumenta os prejuízos de faturamento, velocidade, entre outros”, declara.

Segundo semestre diferente

Antonio Carlos enfatizou que, tanto para a indústria, como para o comércio, por exemplo, o segundo semestre costumava ter um histórico de “colheita” de resultados otimistas, sendo que geralmente era melhor que o primeiro período do ano. “Com a pandemia há questões como: desabastecimento, perda de faturamento durante meses e ainda há compromissos com impostos, taxas, férias, 13º salário, enfim, por isso que, empresas que, anteriormente ao novo coronavírus não estavam muito bem estruturadas, tem o risco de não retornar no próximo ano”, alerta.

Sobre o Distanciamento

Durante a entrevista ao Bom Dia, o diretor-presidente da Unindústria, frisou que todas as pessoas, inclusive os empresários, colocam a questão da vida em primeiro lugar. “Se tivéssemos que fechar tudo durante um ano com a certeza ou o mínimo de garantia sobre o desfecho da pandemia, não haveria dúvidas sobre qual medida seguir”, ressalta.

No entanto, salienta Antônio Carlos, o que ocorre é que foi criado um modelo que está um tanto confuso e não fornece essa segurança, nem aos empresários, nem à população com um todo. “Por isso, não me parece uma questão técnica bem definida”, completa.

Atendimento com a bandeira vermelha

Atacado

No caso do atacadista não essencial, o atendimento presencial está restrito, de quarta-feira a sábado, no máximo de sete horas por dia, no horário compreendido entre 9h e 17h.

Varejo

Já para o comércio varejista não essencial (rua), fica com atendimento presencial restrito, de quarta-feira a sábado, no máximo sete horas por dia, no horário compreendido entre 9h e 17h. Assim como, o comércio varejista não essencial instalado em centro comercial ou shopping, que terá atendimento presencial restrito, de quarta-feira a sábado, no máximo de sete horas por dia, no horário compreendido entre 9h e 17h.

Indústria da construção

 

Construção de edifícios, obras de infraestrutura e serviços de construção, por serem considerados essenciais, sofrem apenas redução na operação, passando de 100% para 75% dos trabalhadores na bandeira vermelha.

Indústria de transformação e extrativa

Operar com apenas 50% dos trabalhadores, à exceção das consideradas essenciais, como alimentação, bebidas, fármacos e de extração de petróleo e minerais, que têm o teto reduzido de 100% para 75% de trabalhadores.

 

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