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Saúde

Agrotóxicos x impactos na saúde pública

Profissionais que integram a Caravana da Associação Médica do RS estiveram em Erechim para debater sobre o reflexo dos produtos na qualidade de vida da população

Debate aconteceu no Anfiteatro da Unimed, em Erechim
Profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho acompanharam o evento
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Você sabe qual é o impacto dos agrotóxicos na saúde humana? Para debater esse assunto foi realizada na última semana, no Anfiteatro da Unimed, em Erechim, uma das etapas da Caravana AMRIGS (Associação Médica do Rio Grande do Sul).

O encontro trouxe para reflexão e discussões, vários aspectos relacionados ao uso excessivo dos produtos em alimentos e quais os principais reflexos na saúde, qualidade da vida da população e no meio ambiente.

Sabe-se que os produtos são utilizados em larga escala no mundo todo na produção agrícola para, principalmente, aumentar a produtividade. Porém, o uso excessivo e fora das normas tem causado preocupação.

Vários dados sinalizam para a necessidade emergente de buscar medidas que amenizem as reações prejudiciais. O tema foi apresentado pela especialista em Medicina do Trabalho e em Toxicologia Aplicada, Virgínia Dapper que é graduada em Medicina e possui Residência Médica em Medicina Preventiva e Social, e também pela graduada em Biologia e em Direito, Vanda Garibotti. Ela também é especialista em Saúde Pública, Mestre em Saúde Coletiva e especialista em Direito Sanitário.

“A ideia foi debater os impactos e reforçar o fenômeno que é a subnotificação, uma vez que muitos casos acontecem, porém não são registrados pelas pessoas. Há diversos tipos de câncer que estão relacionados à exposição aos agrotóxicos, o que torna o assunto muito relevante”, afirmou Virgínia, ao enfatizar que o tema ‘agrotóxicos’ deve ser considerado um problema de saúde pública. Segundo ela, os mais afetados são os produtores que manuseiam esses produtos e podem ter intoxicações agudas, como agravos crônicos. Contudo, a população, de modo geral, pode ser afetada pela questão de resíduos nos alimentos. “Há estudos que mostram que alguns resíduos tem valores acima dos máximos permitidos. Outras substâncias aparecem na água, mesmo abaixo dos índices permitidos. A questão de deriva é mais um motivo de alerta e atinge diversos locais do Rio Grande do Sul. Por exemplo, no momento em que videiras e oliveiras são afetadas, a saúde da população também sofre, não a ponto de ter uma infecção aguda, mas nos preocupa essa exposição a pequenas doses ao longo da vida”, explica, citando que, tal situação pode gerar agravos crônicos, como o câncer, teratogênese (formação e desenvolvimento no útero de anomalias que levam a malformações), neurotoxicidade, alterações hepáticas, renais, entre outros.

Segundo a médica, nos últimos anos o uso de agrotóxicos só aumentou. “Temos gráficos que demonstram que nos últimos 10 anos, o uso cresceu exponencialmente, e isso traz agravos à saúde. Muitos estudos, em âmbito nacional e internacional comprovam a relação da exposição crônica e esses problemas”, relata.

O ideal, de acordo com Virgínia, seria encontrar medidas para reduzir esse uso de agrotóxicos, administrar de forma mais racional e em determinados casos, não utilizar. “Sabemos que em larga escala é mais complicado, mas acho que devemos investir em pesquisas, proibir o uso de produtos mais tóxicos. Isso precisa de uma mobilização de toda a sociedade”, ressalta.

A importância das notificações

A especialista em saúde, Vanda Garibotti, reforça que o Estado possui uma economia muito baseada na agricultura, setor que utiliza muito agrotóxicos. Porém, a preocupação vai muito além. “Mesmo sendo na área agrícola em que os maiores volumes podem ser observados, a população, de um modo geral, faz uso desses produtos por meio dos raticidas, inseticidas, dentro de casa”, comenta.

Mesmo assim, Vanda acrescenta que a concentração dos ingredientes ativos, que tem toxicidade, é mais expressiva nos produtos utilizados em lavouras.

Na opinião da profissional da AMRIGS, a principal preocupação é que, muitas vezes nos municípios que tem a prática agrícola como principal atividade econômica, os setor saúde nem sempre tem uma sensibilidade para fazer o diagnóstico, atendimento mais adequado, e muitas vezes, não visualiza esses riscos à saúde e também não faz as atividades de prevenção. “Por isso também fizemos um trabalho de orientação dos profissionais de saúde para que acompanhem melhor essa realidade. Do mesmo modo, notifiquem os casos de intoxicação para que saibamos quais os produtos que estão provocando esse problema e possamos fazer uma reavaliação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária – responsável por registrá-los – na tentativa de tirar do mercado os que apresentarem maior toxicidade”, salienta.

Vanda destaca que é essencial trabalhar com redução de danos; incentivar o uso de equipamentos de proteção individual no momento do contato com agrotóxicos; e que a aplicação seja feita da forma mais coerente possível para evitar deriva, por exemplo, quando o produto vai muito além da área de cultivo e atinge moradores do entorno e até área urbanas.

 

 

 

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