Resgatar e intensificar a cultura gaúcha. Para a diretora artística da 19ª Região Tradicionalista (RT), Josiane Braga, esses são os objetivos das competições entre Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). "O tradicionalismo é um movimento que une gerações em prol da divulgação e da preservação da cultura do Rio Grande do Sul", reforçou à reportagem do Jornal Bom Dia.
Na 19ª RT são mais de 70 entidades entre CTG, Grupos Folclóricos, Departamentos Tradicionalistas e Piquetes de Laçadores. "São 78, e, atualmente, 16 participam dos rodeios artísticos com suas invernadas iniciantes, pré-mirim, mirim, juvenil, adulta e veterana, tanto em nível regional como estadual. Além dos rodeios artísticos, elas participam ainda, dos principais eventos realizados pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG)", acrescentou Josiane.
De acordo com a diretora artística, os eventos ajudam a resgatar a cultura e, para participar dessas competições, a preparação é árdua e dedicada. "O empenho é incansável em ensaios, para que no momento das provas tudo ocorra da melhor forma possível. São maneiras de aprimorar e divulgar tudo aquilo que as entidades produzem da forma mais autentica e genuína, resgatando as tradições e os valores do ser tradicionalista. Em alguns locais essas competições vão muito além de amar o tradicionalismo, mas vemos ao longo dos anos que a disputa está sendo deixada de lado em nome do resgaste da tradição", pontuou.
Todo o esforço está sendo recompensado no desempenho dos grupos em competições. "Nossa região vem crescendo muito na parte artística, as entidades junto à sua patronagem, pais, coordenadores e integrantes das invernadas, estão se dedicando significativamente. Com isso, temos hoje os campeões mirins e juvenis na modalidade danças de salão do Estado. Isso mostra a força do tradicionalismo só está aumentando na 19ª RT, e isso é um orgulho não somente para as entidades, mas para toda a região", concluiu Josiane.
Estudo, ensaios e confraternização
A função do tradicionalismo na vida de Keila Pereira, a primeira prenda do CTG Sentinela da Querência, transcende o amor à cultura gaúcha e integra sua vida social. "Sou natural de Horizontina/RS, minha vivência tradicionalista iniciou em meus quatro anos de idade no CTG Carreteiros de Horizonte. Em 2011 me mudei para Santa Maria e continuei as atividades em departamentos. Sempre nessas mudanças de cidade, o CTG foi um meio de me vincular socialmente. Então eu sou muito grata ao tradicionalismo por tudo isso, por me acolher ao longo dessa caminhada".
Para Keila, o que se destaca na competição é o estímulo ao trabalho em equipe. "A base do tradicionalismo é o coletivo, nós temos a carta de princípios, documento que norteia o tradicionalista, que enfatiza a importância do trabalho em grupo para a conquista do bem comum e não só nas entidades, mas em todos os espaços da sociedade. Então a competição aflora essa união e aprendemos que cada pessoa é essencial para obter bons resultados", destacou.
Ela acrescentou ainda, que acredita que o tradicionalismo une pessoas e forma cidadãos melhores e mais conscientes. "As competições desenvolvem em nós esse sentimento de que se cada um fizer sua parte, nossa cidade e região ficará melhor, e, consequentemente nosso Estado e País, bem como, o mundo será um lugar melhor".
De acordo com a primeira prenda, as avaliações são guiadas em três quesitos: correção, interpretação e harmonia. Assim, a preparação para as competições visa regular essas três dimensões para chegar ao melhor resultado possível. "Seguimos os manuais de dança inúmeras vezes e estudamos muito a teoria (tradição, tradicionalismo, folclore, história e geografia) para observar a melhor maneira de executar aquele passo, interpretação e/ou dança, mas tudo isso envolve diversas variáveis, e, por mais que treinamos muito, o que vale é nosso desempenho no palco, só que isso depende do dia, às vezes a pessoa não está bem e reflete no grupo", concluiu Keila.
Neste sentido, o peão farroupilha do CTG Galpão Campeiro, Ianko Bernstein, reforça a união entre os membros que as competições possibilitam. "Elas são importantes porque desenvolvem nossas esferas intelectual e emocional, respeitando os limites da boa convivência. Além disso, é uma forma de difundir o tradicionalismo. Por exemplo, em 2015 o tema anual do MTG era 'Para cada competição um momento de confraternização', buscando tornar as competições mais saudáveis", concluiu.