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Cultura

Competições auxiliam na preservação da cultura gaúcha

A 19ª RT conta com mais de 70 entidades que participam de diversas competições e reforçam o compromisso em preservar a história e as tradições

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Para diretora artística da 19ª RT, Josiane Braga, a disputa está sendo deixada de lado pelo resgaste
Diretora artística da 19ª RT, Josiane Braga
Peão farroupilha do CTG Galpão Campeiro, Ianko Bernstein
Primeira prenda do CTG Sentinela da Querência, Keila Pereira
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

Resgatar e intensificar a cultura gaúcha. Para a diretora artística da 19ª Região Tradicionalista (RT), Josiane Braga, esses são os objetivos das competições entre Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). "O tradicionalismo é um movimento que une gerações em prol da divulgação e da preservação da cultura do Rio Grande do Sul", reforçou à reportagem do Jornal Bom Dia.
Na 19ª RT são mais de 70 entidades entre CTG, Grupos Folclóricos, Departamentos Tradicionalistas e Piquetes de Laçadores. "São 78, e, atualmente, 16 participam dos rodeios artísticos com suas invernadas iniciantes, pré-mirim, mirim, juvenil, adulta e veterana, tanto em nível regional como estadual. Além dos rodeios artísticos, elas participam ainda, dos principais eventos realizados pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG)", acrescentou Josiane. 
De acordo com a diretora artística, os eventos ajudam a resgatar a cultura e, para participar dessas competições, a preparação é árdua e dedicada. "O empenho é incansável em ensaios, para que no momento das provas tudo ocorra da melhor forma possível. São maneiras de aprimorar e divulgar tudo aquilo que as entidades produzem da forma mais autentica e genuína, resgatando as tradições e os valores do ser tradicionalista. Em alguns locais essas competições vão muito além de amar o tradicionalismo, mas vemos ao longo dos anos que a disputa está sendo deixada de lado em nome do resgaste da tradição", pontuou. 
Todo o esforço está sendo recompensado no desempenho dos grupos em competições. "Nossa região vem crescendo muito na parte artística, as entidades junto à sua patronagem, pais, coordenadores e integrantes das invernadas, estão se dedicando significativamente. Com isso, temos hoje os campeões mirins e juvenis na modalidade danças de salão do Estado. Isso mostra a força do tradicionalismo só está aumentando na 19ª RT, e isso é um orgulho não somente para as entidades, mas para toda a região", concluiu Josiane. 


Estudo, ensaios e confraternização 
A função do tradicionalismo na vida de Keila Pereira, a primeira prenda do CTG Sentinela da Querência, transcende o amor à cultura gaúcha e integra sua vida social. "Sou natural de Horizontina/RS, minha vivência tradicionalista iniciou em meus quatro anos de idade no CTG Carreteiros de Horizonte. Em 2011 me mudei para Santa Maria e continuei as atividades em departamentos. Sempre nessas mudanças de cidade, o CTG foi um meio de me vincular socialmente. Então eu sou muito grata ao tradicionalismo por tudo isso, por me acolher ao longo dessa caminhada". 
Para Keila, o que se destaca na competição é o estímulo ao trabalho em equipe. "A base do tradicionalismo é o coletivo, nós temos a carta de princípios, documento que norteia o tradicionalista, que enfatiza a importância do trabalho em grupo para a conquista do bem comum e não só nas entidades, mas em todos os espaços da sociedade. Então a competição aflora essa união e aprendemos que cada pessoa é essencial para obter bons resultados", destacou. 
Ela acrescentou ainda, que acredita que o tradicionalismo une pessoas e forma cidadãos melhores e mais conscientes. "As competições desenvolvem em nós esse sentimento de que se cada um fizer sua parte, nossa cidade e região ficará melhor, e, consequentemente nosso Estado e País, bem como, o mundo será um lugar melhor". 
De acordo com a primeira prenda, as avaliações são guiadas em três quesitos: correção, interpretação e harmonia. Assim, a preparação para as competições visa regular essas três dimensões para chegar ao melhor resultado possível. "Seguimos os manuais de dança inúmeras vezes e estudamos muito a teoria (tradição, tradicionalismo, folclore, história e geografia) para observar a melhor maneira de executar aquele passo, interpretação e/ou dança, mas tudo isso envolve diversas variáveis, e, por mais que treinamos muito, o que vale é nosso desempenho no palco, só que isso depende do dia, às vezes a pessoa não está bem e reflete no grupo", concluiu Keila. 
Neste sentido, o peão farroupilha do CTG Galpão Campeiro, Ianko Bernstein, reforça a união entre os membros que as competições possibilitam. "Elas são importantes porque desenvolvem nossas esferas intelectual e emocional, respeitando os limites da boa convivência. Além disso, é uma forma de difundir o tradicionalismo. Por exemplo, em 2015 o tema anual do MTG era 'Para cada competição um momento de confraternização', buscando tornar as competições mais saudáveis", concluiu. 

 

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