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Economia

Impostos, alto custo e menos lucro estão “matando” as empresas

A economia brasileira está praticamente em recessão, as estimativas de crescimento não chegam a 1%, e essa realidade deve se manter inalterada até o fim de 2019. Muitos estudos mostram que essa pode ser uma década “perdida”, sem crescimento econômico, situação que reflete diretamente no dia a dia das empresas, na geração de emprego, renda, na capacidade de consumo das famílias e, enfim, na qualidade de vida das pessoas em cada cidade do Brasil. Em Erechim isso não é diferente.

A carga de impostos é muito pesada, diz Cleber Cazuni
A maior dificuldade para manter a empresa é o custo elevado dos tributos, diz Ana Paula Bergonsi
Impostos aumentam muito o preço dos produtos, diz Alessandro Mario e Jainara Cavalheiro
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A economia brasileira está praticamente em recessão, as estimativas de crescimento não chegam a 1%, e essa realidade deve se manter inalterada até o fim de 2019. Muitos estudos mostram que essa pode ser uma década “perdida”, sem crescimento econômico, situação que reflete diretamente no dia a dia das empresas, na geração de emprego, renda, na capacidade de consumo das famílias e, enfim, na qualidade de vida das pessoas em cada cidade do Brasil. Em Erechim isso não é diferente.

Peças agrícola e industrial 

O empresário, Cleber Cazuni, há dez anos comercializa peças para máquinas agrícolas e industriais no centro de Erechim, emprega três pessoas, e entre as dificuldades para manter as portas abertas está a concorrência de empresas de fora, inclusive dos distribuidores que estão vendendo direto aos seus clientes. “Isso não era assim, de uns cinco anos para cá vem mudando”, diz. Cita também a facilidade de comprar mercadorias pela internet.

A carga de impostos é muito pesada, diz Cleber, assim como as despesas e rescisões em função da alta rotatividade de funcionários. “O pessoal está buscando melhores salários, quando aprende, sai, e o empresário tem que fazer tudo novamente”, comenta.

Outra questão que pesa nas contas da empresa é o aluguel, que ainda está muito alto em Erechim. “Quem aluga ainda não caiu na real, os valores são elevados. Os empresários não estão aguentando mais. Gostaria de dar um salário melhor para o funcionário, um plano de saúde, mas de que jeito, se a gente não consegue nem quase manter a empresa. Eu não tiro férias há oito anos”, diz.

Ele observa que o faturamento está estável nos últimos anos, e que isso para algumas empresas pode até ser bom, mas no caso dele não. “Teria que ter uns 10% de crescimento para compensar, a gente acaba vendendo menos e lucrando menos”, diz.    

Conforme Cleber, este é um momento crítico já que a crise atingiu o seu negócio. Ele acredita que o futuro vai ser melhor, um dos motivos é porque esta nova geração se mostra mais interessada pela realidade do país.

Tecidos, tapetes, cama, mesa e banho

A empresária, Ana Paula Bergonsi, que está há 27 anos no mercado, comercializa tecidos, tapetes, confecciona cortinas e faz restauração de estofados. Ela comenta que o faturamento da empresa chegou a cair 30% do ano passado para cá, vem tendo momentos de altos e baixos, e somente voltou a crescer neste mês de julho, com um aumento de 15%. “De janeiro até agora ficou praticamente estagnado. No nosso ramo, o inverno acelera as vendas, para nós é importante que façam mais dias de frio”, observa.

Ana comenta que a maior dificuldade para manter a empresa é o custo elevado dos tributos, e que nesses últimos três anos a empresa reduziu o número de funcionários. “Pagamos muitos impostos”, afirma.  

O segmento que ela trabalha também está muito ligado ao desempenho da construção civil e a venda de imóveis. “A construção civil ajuda muito o nosso negócio, quando está acelerada as pessoas compram mais também. É uma bola de neve. Se o setor está mal, trava”, diz.  

Ela não vê mudanças no curto prazo, talvez a longo prazo. “Ano que vem, provavelmente, este ano deve continuar a mesma coisa”, afirma.

Produtos e trajes gauchescos  

A loja que comercializa artigos gaúchos, indumentária, peças de chimarrão, utensílios para churrasco, está completando quase dois anos no centro de Erechim e emprega três pessoas. Segundo o comerciante, Alessandro Mario, as vendas diminuíram do ano passado para cá e 2018 foi um ano “meio conturbado e parado”.

Alessandro afirma que este ano as vendas também estão travadas, e principalmente, devido a mudança de governo. “Parece que a economia está com o pé no freio, mas no último mês as vendas voltaram”, diz.

Segundo ele, o principal motivo para a estagnação da economia de Erechim é a falta da instalação de novas indústrias no município, a demissão de funcionários das empresas que aqui estão, como também, a mudança de empresas daqui para outros locais.  “Elas estão indo embora”, diz.  

Uma das maiores dificuldades para se manter a loja aberta são os impostos. “Essa é a grande dificuldade, uma Reforma Tributária ajudaria o Brasil, tanto empresários como consumidores”, afirma.

O empresário ressalta que se paga muitos impostos, e essa situação reflete diretamente no valor final do bem, que, às vezes, chega a ser superior ao preço de venda do produto. “Se paga impostos na compra da matéria-prima, na mão de obra, na diferença de impostos de estados, é muita coisa, e esses valores fazem diferença no final do mês para manter a empresa aberta. O maior problema do empresário é a questão tributária”, diz.   

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