A média de aumento em vários supermercados de Erechim está entre 5 e 10%
Nas prateleiras já é possível perceber o aumento no preço do leite e vários produtos derivados. No entanto, muitos consumidores percebem o reajuste mas desconhecem as causas e fatores que tem origem no campo, desde a alimentação dos bovinos leiteiros.
A média de aumento em vários supermercados de Erechim está entre 5 e 10%.
Nos supermercados da rede Master, conforme o departamento comercial, o reajuste no preço vem ocorrendo a cada semana.
No mercado Querência os proprietários disseram que a indústria repassou a tabela de preços novos há cerca de 40 dias.
Já a rede Caitá a informou que algumas marcas apresentaram oscilação desde a semana passada.
A professora aposentada, Angelica Fiori juntamente com o esposo Olmir consomem leite zero lactose e comentam que neste caso, a situação é ainda mais complicada, pois o custo é maior. “Está bem caro, é complicado, mas temos que consumir”, comentaram, citando que compram em média cinco caixas por semana. Ela também disse que não sabe as razões pelas quais paga mais caro pelo leite.
Nos últimos tempos, o preço dos insumos, tais como o milho e a soja, principais ingredientes da ração animal, também sofreram reajuste. Com isso, a elevação pode gerar reflexos em todo o processo de produção, que, por fim, será repassado no momento da venda.
Conforme o administrador e responsável pelo recebimento de leite da Cotrel, Eder Strada, o produtor tem um custo alto, o qual não acompanha a velocidade que o preço é comercializado nos mercados, por exemplo. Strada informou que nos últimos quatro meses foi registrada uma queda em torno de 17% no recebimento de leite em virtude da baixa da produção. “Recebemos o leite e pagamos no outro mês. Com isso, os agricultores tem todo esse tempo para comprar os produtos para os animais. De qualquer maneira, está difícil encontrar o milho, por exemplo. Por isso, atualmente o trabalho é ainda mais desafiador mas o produtor está encontrando alternativas”, salientou, citando que além do custo, outra questão que é levada em conta é a qualidade nutricional do produto. “Nove técnicos da Cotrel fazem o acompanhamento para auxiliar as ações nas propriedades”, destacou.
Repasse dos custos no balcão
A produtora de leite e derivados, Luciana Rosset, revende os produtos na Feira do produtor de Erechim. A propriedade está localizada na comunidade de Rio Verde, há seis quilômetros da cidade. Ela salienta que o processo inicia ainda na propriedade, no cultivo das pastagens e no cuidado de toda alimentação dos bovinos leiteiros. Em seguida, além do leite, são produzidos os derivados, tais como queijo e ricota. Em razão dos altos custos de produção, o valor é repassado aos consumidores. “Na feira os preços dos produtos também são reajustados, porém, não de maneira completa. Ainda mantemos um preço menor, mas os custos são elevados”, disse.
Do mesmo modo, o proprietário de uma empresa de laticínios de Erechim onde são produzidos em média 20 itens, Jacir Pan, afirma que é possível sentir o reflexo no dia a dia de trabalho. “Agora é considerado o período da entre safra do leite, além disso, tem o aumento no preço dos grãos que contribuem na alimentação dos bovinos. Ao adquirirmos o leite com preço maior, tem que repassar o reajuste que atualmente está em torno de 30%. Acredito que essa realidade segue até setembro quando a tendência será baixar os custos”, explicou.
O princípio de tudo no campo
O agricultor Rodrigo Angonese tem uma propriedade localizada no quilômetro 10, em Erechim. A produção de leite é uma das atividades da família que também atua nas áreas da lavoura, reflorestamento e apicultura.
De acordo com Angonese, a produção de grãos ameniza os altos custos no preparo da alimentação das 14 vacas. “A queda nas despesas é em torno de 20% e isso faz com que a produção seja rentável, mesmo diante do baixo preço recebido pelo leite”, ponderou.
O atual preço recebido pelos produtores gira em torno de R$ 0,98/litro. O ideal, segundo ele, seria em torno de R$ 1,10 e R$ 1,30.
Além da ração e silagem, a pastagem é outro método utilizado para alimentar os animais.
O produtor enfatiza que além dos altos custos para produzir o leite, a diminuição do consumo devido às desconfianças de adulteração do produto é outro desafio enfrentado na atividade. “Acredito que houve também uma desistência por parte dos produtores e isso pode causar o risco de falta do leite no mercado”, alerta.
Angonese ressalta que a atividade leiteira necessita de uma mão de obra disposta a trabalhar todos os dias e em horários diferenciados. “Deveria ser bem remunerada e mais valorizada”, completou.