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Economia

Economia solidária chega a Erechim

Formado por 16 empreendedoras, Misturinha Espaço Colaborativo inova e destaca o compartilhamento de experiências, vivências e produtos

Coincidência? Apenas mulheres integram a gestão da Misturinha
Bom gosto, qualidade dos produtos e atendimento diferenciado são marcas do espaço
Bom gosto, qualidade dos produtos e atendimento diferenciado são marcas do espaço
Bom gosto, qualidade dos produtos e atendimento diferenciado são marcas do espaço
Por Salus Loch
Foto Salus Loch

A economia colaborativa, tendência que está revolucionando negócios e transformando comércio e serviços em diferentes partes do mundo, chegou a Erechim.

O pioneirismo da proposta em âmbito local é da ‘Misturinha Espaço Colaborativo’, pelo qual 16 empreendedoras de diferentes segmentos, perfis e idades se uniram para oferecer num mesmo ambiente produtos e serviços que dialogam com públicos semelhantes proporcionando vivência diferenciada, com troca de ideias e consumo diversificado.

Em essência, explica a co-fundadora da Misturinha, Sigi Johann, a loja colaborativa funciona como um espaço coletivo onde as empreendedoras (cada qual com sua própria pessoa jurídica = MEI) comercializam diretamente seus produtos e serviços com as vantagens de uma loja física, sem a necessidade de investir recursos em um ponto comercial próprio.

Na Misturinha – a exceção do caixa, que é revertido conforme as vendas de cada marca – em regra, tudo mais é compartilhado: da gestão do negócio, passando pelo aluguel até chegar à cozinha, que alimenta a produção de duas das 16 empresas que atuam no local. Os demais segmentos envolvem, ainda, artesanato, joias e acessórios, roupas, plantas, decoração e óleos essenciais. Tudo muito simples, prático e de bom gosto.

A solidariedade também se dá em relação ao tempo que cada uma doa ao espaço, obedecendo a uma planilha pré-estabelecida que determina quem deve prestar atendimento – e fazer o papel de vendedora – em cada um dos dias da semana, permitindo que as demais que estejam focadas na produção de seus brincos, anéis e brownies; ou envolvidas com as suas respectivas profissões ‘de origem’ – de designers, passando por arquitetas, advogadas e, até, jornalista.

 

Como tudo começou

A proposta nasceu dentro da Le Petit Paradis – Casa de Chá administrada pelas irmãs Sigi e Michele Johann, localizada na Avenida 7 de Setembro, 245, no centro da cidade. Ali, desde meados de 2014, às bolachinhas, chás e outras guloseimas oferecidas pelo ambiente, passaram a se somar, aos finais de semana e feriados, feirinhas que, de cara, caíram no gosto dos clientes.

O tempo, aliado à participação de Naiara Rotara, fez com que a ideia da gestão colaborativa amadurecesse – permitindo o surgimento do negócio.

Hoje, a Le Petit Paradis segue atendendo ao seu cativo público no mesmo endereço. ‘Redimensionamos a proposta da empresa, e estamos felizes em compartilhar o espaço com o pessoal. Tornar viável o negócio de cada um é a essência do projeto’, resume Sigi, que destaca, ainda, a sensibilidade do poder público e demais partes envolvidas a fim de permitir as adequações necessárias nas esferas legal e funcional da loja.

 

Fila de espera

Embora tenha sido fundada há menos de 60 dias, a Misturinha já tem uma fila de espera de 26 empresas – sendo que duas passarão a integrar o espaço nos próximos dias. A definição de quem entra, ou sai, passa por uma curadoria formada pelas próprias expositoras-colaboradoras, e leva em conta a vontade de crescer, a formalização e o perfil do negócio, e, até mesmo, a atuação nas redes sociais.

Conforme Taís Chiochetta, que expõe na loja as bags e utilitários da marca Senso – até então comercializadas apenas no Instagram –, as vendas estão surpreendendo positivamente. ‘Acredito que a ideia veio para ficar’, observa a satisfeita empresária.

 

Vantagens para quem produz

•    Menor custo de investimento para comercialização do produto ou serviço.

•    Menor custo de manutenção (água, luz, aluguel, limpeza, vigilância internet, IPTU, entre outros).

•    Geralmente, loca-se apenas um box dentro de uma loja.

•    Compartilhamento de despesas com funcionários, se houver.

•    Acesso a melhores pontos comerciais.

•    Compartilhamento de despesas de divulgação e promoção da loja.

•    Mais tempo para produção de bens e serviços. A comercialização colaborativa não requer, necessariamente, presença constante do empresário, que terá mais tempo para produção de bens e/ou serviços.

•    Maior disponibilidade de tempo para dedicação a outros canais de comercialização, como loja virtual e atendimento em domicílio.

•    Possibilidade de parcerias e de networking entre os empresários que partilham o mesmo espaço.

 

Vantagens para os clientes

•    Acesso a produtos diferenciados, complementares ou substitutivos em um mesmo local.

•    Possibilidade de compras de produtos e serviços direto do produtor/fornecedor.

•    Possibilidade de um canal de comunicação e de relacionamento direto com produtor/prestador de serviço.

•    Acesso a uma diversidade de produtos exclusivos em um mesmo lugar e com atendimento direcionado, o que estimula a fidelidade.

 

Vantagens para o proprietário/locador da loja colaborativa:

•    Diminuição dos riscos de inadimplência.

•    Maior fluxo de clientes, em função da diversidade de produtos e serviços.

•    Público diferenciado e fiel, em função do relacionamento direto com fornecedores dos produtos e serviços ofertados.

•    Redução da sazonalidade de demanda, pela oferta de produtos distintos/diferenciados.


O que é

A economia colaborativa (compartilhada ou em rede, como também é conhecida) é um movimento de concretização de uma nova percepção de mundo. Representa o entendimento de que a divisão deve necessariamente substituir o acúmulo. Trata-se, assim, de uma força que impacta a forma como vivemos e, principalmente, fazemos negócio.


Exemplos de alcance global

Como modelo de empresas que facilitam o compartilhamento e a troca de serviços e objetos, podemos citar Uber e Airbnb. É uma prova de como a adesão a essa tendência pode ir ainda mais longe.

Dicas para negócios colaborativos

Manter os custos fixos baixos;

Em vez de reinventar a roda, procure-a em parceiros;

Foco no relacionamento de longo prazo.

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