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Economia

“O comércio do Alto Uruguai está entre os mais aperfeiçoados do mundo”, afirma José Gelso Miola

Presidente projeta ações com foco no resultado e que possam se sustentar no tempo.
Por Salus Loch
Foto Salus Loch

O empresário José Gelso Miola assumiu a presidência do Sindilojas Alto Uruguai há pouco mais de um ano. Nesta entrevista, ele faz um balanço da gestão, projeta os próximos passos, avalia a relação ‘capital x trabalho’ em Erechim e se mostra otimista em relação ao governo Bolsonaro. A seguir, os principais trechos do bate-papo:

 

Analisando a missão em contraponto à atuação do Sindilojas, o Sr entende que a  entidade cumpre seu papel?

Plenamente, pois, ao longo do tempo, temos atuado em projetos que contribuem com o comércio e desenvolvimento regional. Além disso, através do sistema Fecomércio RS e  Confederação Nacional do Comércio, muitos dos projetos que poderia prejudicar as empresas - lembrando que somos um sindicato patronal - foram abortados devido ao trabalho de acompanhamento junto à Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Cabe lembrar, ainda, que nos relacionamos e interagimos com todos os agentes públicos, privados e outras entidades  regionais, sempre com o objetivo de fortalecer a região. Muitos de nossos diretores atuam em outras entidades que visam apoiar, desenvolver, oferecer oportunidades às pessoas e empresários da região.

O Sr assumiu a presidência há pouco mais de um ano. Considerando o cenário encontrado e aquilo que imagina como ideal, falta muito?

Podemos dizer que nos últimos meses tivemos mudanças profundas. As experiências do passado, muitas vezes, não servem como indicadores ou balizadores. Precisamos olhar para frente, entender este o cenário e tomar a decisão certa. A liderança do Sindilojas Alto Uruguai está focada na relação capital e trabalho, em ações que minimizem os impactos desta relação, contribuindo para que as organizações possam focar no seu objetivo de atender bem o cliente. Os projetos são de baixa complexidade, mas com relevante impacto social, sem grandes investimentos de recursos financeiros. Para alcançar os objetivos, precisamos executar ações concretas, sem grandes shows, gerando ambiente seguro para investir e crescer.

O Sindilojas deu início, em Aratiba, ao ‘Workshop do Varejo’. No que consiste a ideia e qual o resultado esperado?

O Workshop do Varejo tem finalidade de planejar o comércio nas cidades da região - interligado ao agronegócio, agricultura familiar, indústria, turismo, serviços, e outros -, bem como contribuir para a elaboração do planejamento regional. Esta parceria entre o Sindilojas e os municípios visa aproximar os principais interessados no desenvolvimento, de empresários a clientes. O planejamento servirá para fortalecer o empreendedor e promover ações cabíveis para gerar oportunidades.

O Sindicato foi afetado financeiramente pela Reforma Trabalhista? Aliás, quais benefícios são recebidos pelas empresas associadas?

A reforma trabalhista era uma solicitação de décadas e veio contribuir com a melhoria da relação capital e trabalho. Hoje, podemos dizer que temos uma legislação trabalhista caminhando em direção à realidade do mercado. Também fortaleceu a relação da negociação coletiva, onde as partes Patronal e Laboral, podem celebrar convenções coletivas sem intervenção do setor político, que muitas vezes interferia no relacionamento do capital produtivo. A negociação coletiva hoje se sobrepõe à lei, exceto em situações de direitos constitucionais. Com a reforma, tivemos perdas também. Este novo cenário já estava previsto – e por isso, há vários períodos, estamos adequando a estrutura ao novo cenário; o que traz oportunidade de inovar e empreender. Em relação aos benefícios, além da representatividade das empresas nas esferas municipais, estaduais e federais, podemos citar convênios, parcerias e projetos; assessorias técnicas em áreas que vão da gestão administrativa a treinamentos; comunicação institucional; e infraestrutura (auditório para 35 pessoas).

De que forma o Sr avalia a atuação e o perfil do comércio varejista de Erechim? A presença marcante de empresas ‘de fora’ preocupa?

O comércio do Alto Uruguai está entre os mais aperfeiçoados do mundo. Não perdemos para nenhum outro centro comercial. Sempre que contamos com especialistas do Setor, que realmente conhecem o comércio nos seus mais diversos níveis e segmentos, nos confidenciam que ficam maravilhados pela qualidade e diversidade das nossas empresas. Com relação à presença de outras empresas, esta é alma do comércio. Desde os anos 1980 se fala em globalização. Sempre houve na história do comércio esta migração de empresas; que bom que escolheram nossa região para investir, sinal que temos poder econômico de consumo. O comércio sempre foi, é e será dinâmico, esta é a alma do negócio.

Uma das premissas do Sindicato é harmonizar a relação capital e trabalho. Há, de fato, harmonia?

Ha muito tempo a região é reconhecida pelo seu capital humano. Povo trabalhador e com cultura forte. Diante deste cenário, não é difícil atuar na relação capital e trabalho. Precisamos, sim, estarmos preparados para as fases de negociação, com atuação mais objetiva entre as partes. Desenvolver estas potencialidades é um desafio de todos que aqui vivem.

Qual seu entendimento sobre o horário de comércio em Erechim? O número de horas trabalhadas é o adequado?

Este assunto foi bastante debatido especialmente no último ano, e o Sindilojas respeita e agradece a todos que contribuem com o crescimento e fortalecimento do setor terciário, por nós representados como entidade oficial e que alcança 180 diferentes segmentos de atividade. Muitos defenderam o comércio livre, e entendemos que em nosso município o comércio já é livre; tão livre ou mais do que em outros locais, pois aqui a classe patronal e laboral definem em uma mesa de negociações, com tranquilidade, paz e harmonia quais horários entendem adequados para abertura das portas, oferecendo ao consumidor o tempo necessário para as compras. Comparam muito Erechim com Concórdia, Chapecó, além de Passo Fundo e Caxias do Sul, municípios onde a abertura do comércio é livre. Vejamos, por exemplo, Passo Fundo, município com cerca de 235 mil habitantes. Lá o comércio abre as portas de segunda à sexta das 9h às 18h ou 18h30min, sendo que muitas permanecem com suas portas fechadas ao meio dia. Comparam também Erechim com Caxias do Sul (2º PIB do RS). Em Caxias, o comércio abre as portas de segunda à sexta das 9h às 19h. Pergunto: em qual município o comércio é mais livre? Aqui, onde podemos abrir das 8h às 20h, num total de 12 horas diárias, ou onde abre das 9h às 19h? Temos muito para nos orgulharmos. Nossa convenção de salários foi a 1ª a ser assinada e registrada junto ao Ministério do Trabalho entre quase 120 sindicatos filiados ao Sistema Fecomércio-RS, e é uma convenção moderna, solidária e humana que serve de exemplo para o RS.

O que o Sr espera do governo Bolsonaro? Qual a importância de aprovar a reforma da Previdência?

Em relação ao governo Bolsonaro, a expectativa é muito grande e temos a certeza que o país começou a mudar já na posse, quando milhões de bandeiras do Brasil foram vistas nas ruas, especialmente de Brasília, diferente de outras posses onde as bandeiras eram de cores partidárias; e nenhuma bandeira de nossa pátria amada era vista. Um governo alinhado e que fortaleça a livre iniciativa, o empreendedorismo, que valorize o trabalho, a competência, e que o Brasil possa negociar e se relacionar com o mundo sem ideologias ultrapassadas e retrógradas, que onde implantadas só trouxeram a fome, a miséria e a desgraça de seus povos, ao contrário de seus governantes que enriqueceram baseados na corrupção, saque aos cofres públicos e evasão de divisas e riquezas das nações. Está é a pátria que Deus abençoou, e por isso queremos que o Brasil seja devolvido aos brasileiros. Em relação à reforma da previdência, entendemos ser imprescindível à atual e próximas gerações, pois as pessoas estão vivendo mais e se aposentando muito jovens. Assim, para que possamos ter direitos de aposentadoria amanhã, precisamos investir hoje. Penso que o governo está no caminho certo, pois apresenta propostas muito parecidas com as vigentes em economias sólidas e estáveis. O que precisa também é combater privilégios, especialmente, no setor público, onde os valores pagos são uma verdadeira afronta e desrespeito aos cidadãos comuns - ultrapassando cem vezes o valor mínimo.

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