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Cultura

Paulo Amaral será o novo presidente do Instituto Brasileiro de Museus

Artista plástico deixa o MARGS para encarar o desafio de promover a valorização da história, cultura e arte do país. Amaral é, entre outros, autor do painel de entrada do Hospital Unimed Erechim

Amaral ao lado do casal, Débora Balbinotti Lunardi e Alcides Mandelli Stumpf, durante inauguração do
Por Salus Loch
Foto Divulgação

O artista plástico e escritor gaúcho Paulo Amaral será o novo presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) com sede em Brasília/DF. O convite partiu de Osmar Terra, ministro da Cidadania, órgão ao qual o Instituto será vinculado no governo Bolsonaro.

Engenheiro civil de formação, Amaral é o atual presidente do Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS) e deixará o comando da entidade após uma década de serviços prestados à cultura gaúcha. Nesta entrevista, ele fala de seus projetos para os museus brasileiros - antecipando que terá olhar atento a questões físicas e estruturais; incentiva a abertura de novos museus no interior do país (colocando o IBRAM à disposição dos interessados), além de manter abertas as portas para parcerias com o Sistema Unimed RS.

 

Em 2019 o IBRAM completa 10 anos. Ou seja, uma instituição recente responsável por preservar e promover nossa história, arte e cultura. Qual será o foco de sua gestão, reconhecendo o pouco caso dos governos em relação ao setor?

Pretendo, no IBRAM, dar seguimento à politica cultural da entidade, que me parece muito boa no que concerne aos conceitos e cânones museais. Todavia, muito também por minha formação como engenheiro civil, pragmática de certa forma, quero deitar o olhar para a questão das condições físicas dos museus, isto é, para além das coisas teóricas e fundamentais, que constituem o universo desta área. Pretendo enfatizar a necessidade de se preservarem as entidades em sua integridade, promover esforços quanto à divulgação de informações e a emissão de editais que possibilitem aos museus brasileiros a execução de seus PPCI' s, por exemplo. Isso demandará recursos junto às leis de incentivo, o que é uma prática comum e isolada, mas que pode ser encaminhada em bloco, ao menos para uma quantidade X de instituições.

 

Cabe ao Instituto pensar a política nacional de museus e a melhoria dos serviços. Neste interim, como fomentar a aquisição e preservação de acervos?

Aquisições de acervos estão relacionadas com a vocação de cada museu, e com a sua lógica curatorial, Cada um deve fazer a sua parte. Entretanto, no que toca ao apoio institucional e técnico, o IBRAM poderá ajudar.

 

Ao Sr coube retratar um painel de Erechim exposto em posição de destaque na entrada do Hospital Unimed. O município, porém, até hoje não tem um Museu - a exemplo de milhares de outras cidades brasileiras. O que fazer para levar tal estrutura ao interior do país?

Esta obra, ‘A formação de Erechim’, foi o maior quadro que já produzi, aliás. Obrigado pela lembrança. Sobre a questão dos museus, mais de 80% deles em todo o Brasil são municipais, nascem nas cidades e regiões, muitas vezes erigidos por famílias, abordando um tema específico. Sob administração direta do IBRAM temos, atualmente, 30 museus federais. Erechim, por exemplo, tem tudo para fundar um museu sobre as etnias aí predominantes: judaica, polonesa, alemã e italiana. Porque raras são as cidades em que isso ocorre sem rivalidades e em comunhão. Um museu assim seria um diferencial na área.

 

E como viabilizá-lo?

Quanto à sua fundação, sendo uma cidade rica e próspera, Erechim poderia contar com empresários locais, cada um contribuindo um pouco. A Prefeitura poderia dispor de um imóvel, que doaria ou emprestaria. Quanto à parte técnica, o IBRAM poderia ajudar.

 

Na presidência do MARGS o Sr estabeleceu parcerias importantes, inclusive com o Sistema Unimed. Há fotos do acervo do Museu ornando, por exemplo, os corredores de internação do Hospital Unimed Erechim. A parceria continua?

Com certeza. Podemos, aliás, ampliá-la. O papel que o Sistema Unimed RS desempenha, via Instituto, é vital para o desenvolvimento e a preservação da cultura e da arte. As portas do IBRAM estarão abertas, assim como as do MARGS sempre estiveram e continuarão a estar. Há aproximações importantes que podem ser feitas.

 

Com que sentimento o Sr deixa a presidência do MARGS?

Quanto ao MARGS, fui convidado pela futura secretária da Cultura do RS, Beatriz Araujo, para permanecer. Mas, diante do convite feito pelo ministro Osmar Terra, preferi colocar meu conhecimento e minha gestão nesta nova e fascinante área, neste novo desafio. Já dirigi o MARGS por três vezes (nunca alguém o dirigiu mais de uma vez). Vou sentir saudades. O MARGS tem sido para mim como uma morada.

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