Procura-se
Sempre que nos deparamos com o dizer “procura-se”, invariavelmente nos lembramos daqueles cartazes sobre animais desaparecidos ou de pessoas que saíram para comprar cigarros e nunca mais voltaram – sem falar daqueles personagens do cinema antigo, que fugiam da polícia e não deixavam rastros. Mas e os demais, que andam vivos por aí, sem cometer crime algum, sem causar mal a quem quer que seja? Os perfeitos anônimos, será que ainda existe gente assim?
Os solteiros e as solteiras
Há tempos o casamento deixou de ser um elemento do estilo de vida contemporâneo. É cada vez maior o número de pessoas que resolvem viver sem uma aliança, sem partilhar o mesmo teto. Neste grupo avesso à vida conjugal, será que existem aqueles que também são indiferentes ao sexo? Pessoas que não têm na prática sexual um elemento de interação social e vazão instintiva. Será que existem pessoas assim?
Redes sociais
Será que podemos imaginar uma pessoa vivendo sem redes sociais? E mais: seria possível, nos dias de hoje, alguém viver sem um celular? Uma pessoa, digamos, cem por cento analógica. Dessas que vão ao banco sacar o salário, que não usam cartões de débito ou de crédito e preferem não estar conectadas ao mundo. Com certeza ela não conseguiria se locomover para além de suas fronteiras. Não sabe o que é um “QR Code”. Parou no tempo do código de barras. Refiro-me a alguém que tenha menos de sessenta anos, porque até os mais velhos andam enfeitiçados com as facilidades que um celular entrega.
Telefone fixo
Já que estamos elaborando o perfil desta “mosca branca”, seria possível imaginar alguém que, por não ter telefone celular, faça suas ligações apenas pelo já decadente telefone fixo? Essa mesma pessoa, que é indiferente ao sexo, que vive sozinha e não tem redes sociais. Dá para imaginar como seria a vida dela sem esses aparatos todos? E se, para piorar, não gostasse ou não tivesse televisão em casa? Qual seria a válvula de escape desse alienígena terráqueo? Como tomaria conta do que se passa no planeta? Tenho certeza de que, pela esquisitice, deve ser leitor ou leitora contumaz, daqueles que compram jornal em banca de revistas.
Estilo de vida
E se, para aumentar o mistério, eu dissesse que essa pessoa, além de tudo, não dirige, não tem carro, não faz compras em supermercados, apenas em mercearias, come pouco, é magra, não tem vícios, aparenta ter boa saúde e não dá trabalho algum para a sociedade? Seria possível existir alguém assim nos dias de hoje? E os amigos? Será que uma pessoa assim não tem nenhuma amizade verdadeira? Passo a duvidar. Eu conseguiria, com muito custo, viver sem nenhuma dessas facilidades ou convenções, mas jamais conseguiria viver sem dois ou três amigos. Por via das dúvidas, se o leitor conhece alguém assim, faça o favor de me dizer. Ando à procura!