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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Acabou o jejum

Por Marcos Vinicius Simon Leite

A Páscoa ficou para trás. Já é passado. O jejum? Esse também já terminou. Levou junto a minha inspiração. Bastou passar a quaresma alheio ao noticiário comum para que eu realmente me sentisse melhor. Afinal, é bem verdade: o que os olhos não veem, o coração não sente.

O que passou

Fiquei quase dois meses sem prestar atenção nas notícias. Nada de guerra, nada de política. Detox para a alma. Mas a ideia não era desintoxicar. O objetivo era simplesmente entender, primeiro, se estamos enredados e, em segundo lugar, se adianta alguma coisa saber sobre algo em que sequer podemos interferir. E foi o que aconteceu. A minha ausência foi e é imperceptível. Em verdade, somos todos insignificantes neste processo. O que à primeira vista poderia nos trazer um certo desconforto – ser insignificante – tem um outro lado. Afinal, sofrer sem poder agir em muito se assemelha ao masoquismo. A conclusão a que chego é que assistir ao noticiário político e geopolítico faz mal à saúde mental. Não nos agrega nada, senão o medo.

Alienação

Talvez a alienação não pareça ser assim, tão feia quanto dizem. Imaginemos essas pessoas que vivem isoladas. Não se trata de isolamento. É o resto do mundo que as ignora. Elas estão lá, na delas, sempre disponíveis. Difícil é encontrar algum caboclo que viva mal estando afastado do que nós, idiotas, chamamos de civilização. Isso mostra o quanto distorcemos as palavras, os conceitos e a maneira de viver. Civilizados são os ermitões, que conseguem viver em harmonia com a natureza, que pouco se importam com a inflação e que sabem aproveitar bem o tempo. Que inveja!

De volta à civilização

Mas tenho aqui que comentar. Foi muito ruim voltar à tal civilização. Foi decepcionante concluir que somos todos uns idiotas à espera de que os malvadões caiam ou que a justiça seja feita. Deve ser por isso que o velho Noel faz tanto sucesso. As coletividades parecem precisar dessas figuras que de tempos em tempos aparecem para “salvar a pátria”. De volta ao noticiário, não vi nada de novo, senão um jogo de interesses impactado por inconvenientes verdades. Mais do mesmo, com pequenas variações.

Apagão

Agora, antes de terminar, quero aqui pedir desculpas aos leitores. Esta já é minha coluna de número 435 aqui no Bom Dia. É quase meia década publicando. Porém, na semana que passou, não publiquei nada. Tive um verdadeiro apagão, como se o término do jejum e a reintoxicação com os assuntos da guerra e da política me deixassem assim, mais alienado do que quando resolvi abandonar aquilo que não faz bem a ninguém.

Limbo existencial

Tudo na vida tem um fim. Esta semana recebi minha nova autorização de residência. Juridicamente poderei viver em Portugal até 2029. Até lá, tende a aumentar o meu distanciamento com o Brasil e com minhas raízes. É como se eu passasse a não pertencer a lugar algum. Como imigrante, jamais serei natural do lugar onde estou e, como expatriado, é impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo. No fim, este jornal, esta coluna, acaba por ser uma das poucas coisas boas que me restaram do Brasil, um “cordão prateado” que me mantém ligado às origens, mas que na semana passada, falhou.

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