Eleições em Portugal
No próximo dia oito de feveriro os portugueses vão às urnas para eleger seu novo chefe de Estado, mais precisamente, o Presidente da República de uma “democracia parlamentarista”. Embora este tema possa parecer estranho ao leitor brasileiro, como o chamado Denorex (parece mas não é), há certas reflexões que não podem ser esquecidas.
Parlamentarismo
No regime brasileiro, escolhido no Plebiscito de 21 de abril de 1993, o Presidente da República exerce, ao mesmo tempo, as funções de Chefe de Estado e de Chefe de Governo. No regime parlamentarista, adotado por Portugal, o presidente figura apenas como Chefe de Estado, cabendo ao parlamento escolher o Primeiro Ministro, a quem cabe governar. Com poderes mais limitados, especialmente no que diz respeito à governança, pode o Presidente da República, em alguns casos, dissolver o parlamento e chamar novas eleições, como ocorreu em 2024 e 2025. Logo, no cenário geopolítico atual, a figura do presidente acaba por ser muito importante, dado o iminente estado de guerra por que passam os países europeus.
Chefe de Governo
Após oito anos de governo socialista, encerrados com a queda de António Costa, o governo português passou a ser liderado pela Direita de Luis Montenegro. No entanto, o partido que mais cresceu em representatividade legislativa foi o Chega, do já conhecido André Ventura, uma espécie de Jair Bolsonaro dos portugueses. Tal como ocorre no Brasil com o chamado Centrão, o Primeiro Ministro, para conseguir governar, precisa fazer concessões. Assim, ou Montenegro escolhia o Partido Socialista, ou escolhia o Chega, as duas maiores bancadas depois da governista. Por sorte, há pautas em que o Chega e o socialistas votam a favor, ou contra, mas em conjunto. Isso ainda funciona por aqui.
Presidenciais
Depois do primeiro turno (aqui chamado de primeira volta), os portugueses terão de escolher para os próximos cinco anos, um presidente entre o Partido Socialista e o Chega. Dilema que o atual Primeiro Ministro vive diariamente. Os socialistas tiveram mais votos, mas agora dependem do apoio dos candidatos que não lograram êxito para a segunda volta. Até aqui, o que vemos, não é nada muito diferente do que se ensaia no Brasil e no mundo. Polarização. O nefasto fenômeno político que põe em disputa dois lados bem opostos, fazendo com que o voto, ou vai para quem o eleitor realmente quer, ou não vai para quem ele justificadamente não quer. É como se o voto em Lula fosse contra Bolsonaro e vice-versa. A polarização acaba, por fim, gerando o voto contra e não a favor. Vota-se em um para evitar o outro. Por mais que se queira uma terceira via, quando esta vence, acaba tendo de ceder espaço para os extremos. Este é um dos problemas da polarização.
Confiança
Mas… se os brasileiros andam assustados com tudo o que tem acontecido na cena política, há uma luz no fim do túnel. Enquanto em Portugal, como todo o resto do planeta, adota-se a velha cédula de papel na hora de escolher seus representantes, o Brasil é muito mais evoluído, pois tem a urna eletrônica. Por isso é que o Brasil vai dar certo. Porque o dia em que tudo for feito do mesmo modo que a urna eletrônica, que diferente de tudo que acontece no país, é incorruptível, inviolável, à prova de qualquer fraude ou manipulação, todos os problemas do mundo (e do Brasil) estarão resolvidos. Agora, se o Brasil quiser voltar no tempo e adotar as cédulas de papel, onde se pode ver onde realmente as pessoas votam, isso sim, será um retrocesso. Tenhamos calma! Com o tempo, até os aviões serão fabricados com essa tecnologia infalível. Viva a urna eletrônica, a última esperança confiável do Brasil!