Achados e perdidos ou, perdidos e achados?
A gente perde o que achou, ou achou o que perdeu? Obviamente, a segunda alternativa é a mais lógica. Quem já não perdeu (extraviou), algo e teve dificuldade em encontrá-lo, ou até jamais recuperou o que havia perdido: Chaves, óculos, documentos, sombrinhas e guarda-chuvas, livros que emprestamos e que não são devolvidos, dentre outros objetos passíveis de perdas e de extravios. Perdidos e achados (“Lost and founds”), em inglês e, não: achados e perdidos, em português.
Lembro-me ainda com saudade e lá vão anos, de um guarda-chuva alemão, daqueles retráteis, a prova de ventos e de tempestades, muito além da qualidade dos existentes hoje, na maioria dos casos, “made in China”, cuja durabilidade tem curto prazo. Na realidade, eu não perdi esse objeto de estimação. Um colega meu, pasmem se apossou dele, logo na sala dos professores.
Há poucos dias, após anos de posse e de uso cotidiano perdi por distração uma bolsa térmica (vazia) lembrança de alguns anos atrás, da Aproffapes URI presente de Natal, em cujo interior veio uma ave natalina junto com uma cesta farta de produtos próprios para serem consumidos nas festas de final de ano.
A dimensão e o sentimento da perda e não “perca”, como alguns dizem e como costumava repetir um eminente político, que foi governador por dois estados, (“as percas internacionais”), se mede, muitas vezes, não pelo valor monetário do objeto, mas pelo valor sentimental. E é esse sentimento que me leva a escrever este texto.
A protagonista deste texto era a referida bolsa, (azul por fora e forrada de branco no interior), sempre dormitando no bagageiro do carro, a efetiva e fiel companheira nas idas e vindas às feiras e aos supermercados, até porque, se para nós não é costume, em outros países não é novidade ver os consumidores portando esses utensílios, mormente para acondicionar produtos perecíveis como congelados, carnes, e demais. Já, as sacolas de plástico que aqui ainda reinam absoluto, são raridade por lá e, se disponíveis aos clientes, devem ser pagas.
Menos mal que disponho de outras bolsas, duas de tamanho menor e, a terceira maior, sem contar a caixa térmica, também imprescindível, uma versatilidade de tantas pessoas em ocasiões diversas quando se faz necessário: passeios, piqueniques, acampamentos, enfim.
Ainda, no mesmo dia da perda refiz o trajeto pelo qual realizei as compras para, com alguma esperança, reaver o objeto perdido, caso tivesse deixado em um deles: Mercado Popular e Mercado Público, e mais dois estabelecimentos. Infelizmente minhas buscas foram malogradas.
Espero que a pessoa que encontrou e se apropriou desse objeto faça bom uso, embora ela possa se expor, pois é personalizada. As mãos que certamente se apossaram dela estão em dissintonia com a sua consciência, esta que deve ter-lhe cochichado que aquilo não lhe pertencia e que esta história de que o ditado popular “achado não é roubado” não é bem assim: não explica e nem justifica, coisa alguma.
Por sua vez, quem já não ouviu, leu ou viu relatos de pessoas honestas, dentre elas garis, catadores de lixo ou demais que avisam seus donos ao deixar cair no chão, alertando-os, ou então entram em contato com seus proprietários para devolver objetos encontrados carteira com dinheiro e outros ítens valiosos, quando não perdidos e extraviados por aí ou nos lixões, descartados erroneamente por seus proprietários.
Digamos que, essa pessoa que encontrou e se apossou da bolsa cometeu um pequeno pecado, (talvez venial). Esta perdoada! Pior é mesmo quando políticos e administrados mal-intencionados roubam milhões dos erários municipal, estadual, federal e de outras empresas e entidades privadas. Dignos de serem decapitados e defenestrados são os que afanam recursos, da educação e saúde, entre outras. Esses não merecem perdão algum.