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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Inteligência Artificial

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Lembro-me bem do dia em que os bancos implantaram os terminais de atendimento eletrônico. Os sindicatos, prevendo o fim dos tempos áureos de arrecadação, bradavam em defesa do emprego dos bancários. Mesmo assim, tudo avançou, inclusive o lucro dos bancos. Mas hoje há um outro fantasma silencioso a tomar conta dos empregos de milhões de pessoas: a inteligência artificial.

A experiência

Fui à uma das milhares de farmácias que tem a cada esquina de Porto Alegre. Até já escrevi sobre isso quando chamei o consumo de medicamentos de “novo alcoolismo”. Tinha de buscar as fraldas do meu pai. Na recepção, me pediram de tudo, procuração (dessas que fazemos em tabelionato), documento de identidade e a receita da farmácia popular. Quando questionei a gerente (já nem era mais a atendente) onde estava escrito que era preciso tanta burocracia, um sorriso sarcástico tomou conta daquela boca. “Está no gov-br”, disse a gerente. Me fiz de sonso, insisti. Foi quando ela sacou a sua arma de destruição em massa: pegou o celular e perguntou pra inteligência artificial. Fiquei sem resposta. Como ousar contra ela?

O resultado

Depois que a máquina escreveu aquilo que a gerente queria (e que não tinha inteligência humanóide para dizer), entendi o quanto a inteligência artificial é boa. Se antes chorávamos os empregos dos bancários, agora poderemos ficar todos em casa enquanto essa tecnologia trabalha. Me digam, caros leitores, para que aprender algo novo, estudar e se especializar, se a “AI” ou “IA”, tanto faz, resolve todos os problemas da nossa vida? Daqui para frente, peço licença para dizer em tom de ironia, até para que os apaixonados pelo Chat GPT também possam entender. Essa inteligência vai revolucionar as nossas vidas.

Escolas

Com a inteligência artificial avançando, não será mais preciso estudar. Quer coisa melhor? Basta que o governo crie uma escola que ensine a ler e digitar. Escrever não será mais preciso. Talvez até o quinto ano, como fez o Presidente do Brasil, já seja o suficiente. Basta aprender a perguntar. “Alexa, o que devo vestir hoje? Alexa, o que dizem os astros? Alexa, tô com fome!” E por aí vai, ou será que vai por AI? Não importa, a ironia me permite dizer que tudo será mais fácil. Poderemos terminar com as faculdades. Para que tantos cursos? Para que tantos advogados, se a justiça vai ser operada por um robô de testa lustrosa e superinteligente? Para quê tantos fóruns e tribunais se tudo vai parar na suprema corte? Quanto dinheiro vamos economizar!

Premeditado

George Orwell, no clássico 1984 já previa tudo isso. Muito antes do ano que deu nome ao livro. Imaginem! Em pouco tempo até o nosso voto virá pronto, baseado em nossas interações com esse universo robótico. Pelo celular poderemos “confirmar” o nosso candidato. Se não estivermos satisfeitos, daí teremos de caminhar até a zona eleitoral, para dar tempo de no caminho alguém comprar o nosso voto e exercer a cidadania do nosso bolso.

Armagedom

Por isso, meus caros e-leitores, caminhamos para o apocalipse, como retratei há duas semanas. Não será o fim da raça humana. Não se preocupem! Se antes éramos seres humanos regidos por uma inteligência superior, que muitos ainda duvidam da existência, agora seremos humanóides operados por uma inteligência artificial. Esse é o verdadeiro apocalipse, o triste fim da humanidade. “Alexa, como faço para trocar minhas fraldas? Ela responde: o que são fraldas?”.

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