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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Apocalipse

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Conversava com minha filha enquanto escutávamos músicas do tempo em que eu tinha a idade dela. Foi quando perguntei o que sentia quando as ouvia e o que representavam essas, no caso, aquelas músicas para ela. Que sentido fazia? Sting, Elton John, Roxette, Simon and Garfunkel. De tudo um pouco. Foi quando, criativamente, me descreveu que gostaria de estar vivendo o tempo de agora, mas embalado apenas pelas músicas daquele tempo, como se fossem grandes novidades.

Que tempo foi esse?

Se repararmos bem, o tempo a que se referem essas músicas foi uma lacuna do final do século passado. Tempos de paz, em que pese as grandes divisões políticas que ocorreram. Unificação das Alemanhas e fim da União Soviética, divisão da Tchecoslováquia e a sangrenta separação da Iugoslávia entre outros conflitos, com direito à Guerra das Malvinas. Só o Brasil ficou de fora, enquanto lambia as feridas internas. O Tocantins, naquele tempo, nem parte do Brasil fazia. Já lá estava, mas não tinha este nome. Herança da Nova República. Mas, que República?

Meio ambiente

Durante o século passado, ouvíamos falar em apocalipse apenas nas aulas de religião ou quando algum amigo mais velho queria impressionar alguém com alguma teoria do fim do mundo. Parecia algo tão distante. Coisa de filme, de Hollywood ainda por cima. Foi também naquelas décadas que começamos a falar em meio-ambiente, em preservação, IBAMA, Chico Mendes, José Lutzemberger entre outras celebridades que nos faziam despertar para os cuidados com o planeta. Seguimos. Nada mudou. Os americanos continuavam sedentos por petróleo, fomentando guerras no Oriente Médio, enquanto ouvíamos nossas bandas favoritas numa propaganda de refrigerante.

Bomba nuclear

Depois que vivemos os tempos da Guerra Fria, quando líderes mundiais ainda tinham algum resquício de sanidade mental, passamos a acreditar que o desastre nuclear tinha ficado restrito aos episódios de Chernobyl e do Césio 137 em Goiânia. Os de radiação “pouco enriquecida”. Até que acordamos, depois de trinta, quarenta anos, com uma humanidade diferente daquela que ouvia Legião Urbana. A esquerda que salvaria o mundo nada fez, a não ser fazer acordar a tal “extrema direita”. E aqui chegamos. Conquistamos o bilhete para a final. Quem perder vai ganhar e quem ganhar vai perder. Alguém lembra dessa frase?

Fim do mundo

Estamos vivos. Entre mortos e feridos, depois de uma Pandemia que ceifou milhões, chegamos ao fim do mundo. Com ou sem bomba atômica, conseguimos o pior cenário e ainda nem nos demos conta. Não vamos acabar com o planeta. Acreditem, ele não vai explodir. Tampouco vamos exterminar a raça humana como pensávamos há quarenta anos. Não iremos para o céu dos dinossauros. O que conseguimos, isto sim, foi acabar com a humanidade. Não somos mais tão humanos como já fomos. Não há mais limites para os homens que governam. Não há mais famílias como outrora. A cultura ocidental está desaparecendo aos poucos. Não há mais respeito. Chegamos no tempo do bem contra o mal e passamos a viver a era do “uns contra os outros”. Estamos bem próximos de acabarmo-nos, aos poucos, quase sem perceber. Esse é o verdadeiro fim do mundo. O planeta continua, os humanos continuam, mas o que conhecíamos por humanidade, enquanto sentimento racional, esta sim, nos dá sinais de que acabou. O verdadeiro apocalipse é agora.

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