A garganta de ouro de Nelson Falkembach
Nascido em 29 de março de 1946 na cidade de Soledade, batizado como Nelson EdiFalkembach dos Santos, um dos nove filhosde Edson dos Santos e Célia Falkembach, é conhecido pelo apelido carinhoso “Nelsinho dos Monarcas”, grupo este que integrou por cerca de quarenta anos.
A paixão de Nelson pela música começou muito cedo, influenciado pelo convívio familiar, quando avós e tios,tocavam cavaquinho, violão, gaitaalém de cantarem quando se reuniam, mas foi na escola que realizou suas primeiras apresentações, aos nove anos de idade, em festas juninas e quermesses.
Um dos irmãos mais velhos de Nelson, Armando Jurandir Falkembach dos Santos (já falecido), conhecido no meio artístico como Timbira, também foi músico profissional, e o influenciou nesse caminho que seguiria.
O repertório no seio familiar de Nelson abrangia gêneros como samba, música de seresta, boleros, tangos e choros.
Mudou para São Leopoldo ao ganhar uma bolsa de estudos, e nesse novo ambiente escolar começou a ter contato com o canto orfeônico além das aulas de música.Apesar do incentivo dos professores, Nelson teve que largar a escola devido às dificuldades da vida, passando a trabalhar como servente de pedreiro e pintor para garantir seu sustento.
Nelson e seus colegas da construção civil reuniam-se nos finais de semana para fazer musicas em barzinhos, mas com a chegada da Ordem dos Músicos do Brasil, proibiu esse tipo de atividade, pois o dono do bar lucrava com a presença dos músicos, portanto, deveria ser regulamentada essa atuação.
Essa proibição fez com que Nelson e seus amigos resolvessem encarar o desafio e fazer as provas para obter a carteira profissional da Ordem dos Músicos do Brasil, mas para isso começaram a fazer aulas de música com o maestro Zezinho de Porto Alegre, que ensinava aulas práticas e teóricas. Nelson optou pela percussão, sendo aprovado e obtendo a carteira profissional em 1967, desde então abandonou a profissão de pedreiro e assumiu por completo a profissão de músico.
Nelson participou em Porto Alegre nessa época da Grande Caravana Gaúcha, onde diversas duplas de música gaúcha excursionavam conjuntamente, realizando shows em diversas partes do estado, em ambientes como casas noturnas, circos e teatros; tendo como acompanhamento de um mesmo grupo de instrumentistas, dos quais, Nelson era o baterista.
Nelson voltou a morar em sua cidade natal Soledade, onde passou a trabalhar como sonoplasta na Rádio Cristal AM, e cantava em festivais de música, quando foi convidado a integrar profissionalmente seu primeiro conjunto, chamado ODEROM (fusão dos nomes dos dois proprietários do conjunto, Odelar e Romildo). Esse grupo não tocava exclusivamente música gaúcha, e sim música popular em geral, que incluía boleros, sambas, tango, valsas, milongas e choros. O grupo era formado basicamente por estudantes, e com o passar do tempo, cada integrante foi seguindo outra profissão, e após cerca de dois anos e meio, Nelson foi convidado para fazer parte de outro conjunto.
Esse grupo era chamado de Nininha e seu Conjunto (Nininha era natural de Erebango, mas a sede de seu grupo era em Ibirubá, de onde seu marido era natural), onde Nelson Falkembach permaneceu por quatro anos e onde gravou dois LPs, chamados Adeus Passo Fundo e Fazendo Amizade.
O primeiro contato de Nelson com a cidade de Erechim aconteceu no ano de 1976, quando participou da semana farroupilha, desfilando de caminhão pelo CTG Galpão Campeiro, quando dois importantes tradicionalistas de Erechim, Barbosinha (Romeu Feliciano Barbosa) e Alberto Pescador, encantados com sua voz, criaram o nome artístico com que Nelson viria a ser conhecido ao longo de sua carreira, “Garganta de Ouro”, além de sugerir que deveria ficar por Erechim e integrar algum dos grupos aqui radicados.
Porém o compromisso assumido por Nelson com “Nininha e seu Conjunto” falou mais alto, até que Chicão (João Ademir Alves Portela), o acordeonista do grupo Os Marajás (e sobrinho de Gildinho e Chiquito), foi a Soledade convida ló a trabalhar com seus tios do grupo Os Monarcas, porém aceitou somente fazer uma visita, e participar de um baile de aniversário do conjunto Os Monarcas no mês de abril de 1978, onde Nelson cantou algumas músicas e tocou bateria.
Essa participação encantou os irmãos Correa, que foram a Soledade convidar Nelson Falkembach, que aceitou fazer uma experiência de trinta dias, que tornou se quase quarenta anos, integrando um dos mais relevantes conjuntos de música tradicionalista do Rio Grande do Sul.
A primeira participação de Nelson na discografia de Os Monarcas aconteceu a partir do 4º LP do grupo, intitulado Valentão Bombachudo em 1978,seguido de Isso é Rio Grande de 1980, Grito de Bravos de 1982, Rancho sem Tramela de 1985, Chamamento de 1986,Fandangueando de 1988, Do Sul para o Brasil de 1989, O Melhor de Os Monarcas de 1990, Cheiro de Galpão de 1991, Os Monarcas de 1992, Eu vim para dançar de 1994, Rodeio da Vida de 1995, Dose Dupla de 1996, Os Sucessos do grupo Os Monarcas de 1996, Do Rio Grande Antigo de 1997, Locomotiva Campeira de 1999, No Tranco dos Monarcas (2000), 30 Anos de Estrada de 2001, A Gaita Gaúcha dos Monarcas de 2002, Alma de Pampa de 2003, 16 Grandes Sucessos de Os Monarcas de 2003, Só Sucessos de 2004, Série Duplo pra Você de 2005, Os Sucessos do grupo Os Monarcas de 2005, Recordando o Tempo Antigo de 2006, Os Monarcas 35 Anos Ao Vivo de 2007 (CD e DVD), A Marca do Rio Grande de 2008, Os Monarcas Interpretam João Alberto Preto de 2009, Cantar é coisa de Deus de 2011, Os Monarcas 40 Anos Ao Vivo de 2012, Alma de Gaita de 2013, Perfil Gaúcho de 2015 (último disco de estúdio gravado por Nelson com o grupo), e o DVD Os Monarcas 45 Anos de 2017, onde Nelson recebe uma homenagem de seus colegas. Dessa forma, Nelson totalizou aproximadamente trinta discos e três DVDs com o grupo Os Monarcas.
Ao longo da carreira de Nelson Falkembach junto com o grupo Os Monarcas, o conjunto recebeu diversas premiações como o prêmio Sharp na década de 1990, seguindo por diversos Discos e DVD´s de Ouro.
Como compositor Nelson tem cinco composições gravadas, como exemplo as músicas Tropeiro e Cantar Estradeiro, gravada pelos Monarcas, além de outras Nininha e seu Conjunto, além de cerca de quinze composições inéditas.
Paralelamente Nelson participou de diversas gravações, seja cantando, como com João Chagas Leite, por exemplo, ou tocando bateria e percussão,como com Os Gaudérios e Tropeiros Araganos.
Nelson Falkembach tem cinco filhos, dois deles tornaram se músicos, Edinelson(Nelsinho) que atuou como percussionista de Os Monarcas, além de tocar bateria em grupos comoTchêSarandeio, Karisma e 5º Estação;além de Jones dos Santos Falkembach, que toca trompete, atuando em grupos como a Banda Sinfônica Erechinense e na banda do exército brasileiro.
Ao longo de sua careira Nelson Falkembach gravou como interprete várias músicas que fizeram sucesso com Os Monarcas, como por exemplo, Sistema Antigo (LP Isso é Rio Grande), Cheiro de Galpão (LP Cheiro de Galpão), Vai que vai (Eu vim para dançar), Aquerenciado (Os Monarcas), Tirando o Chapéu pra Deus (Os Monarcas Interpretam João Alberto Preto) entre tantas outras.
Atualmente Nelson está aposentado e morando em seu sítio, na localidade de Vista Alegre, no interior de Aratiba, em que busca em seu cotidiano a tranquilidade da vida no campo e rememorando o tempo desua infância.
Nelson deixa um conselho aos seus jovens colegas de profissão, “Sejam previdentes e contribuam com o INSS, pois a velhice chega para todos, e para poder aproveitar essa fase da vida é necessário ser previdente desde cedo”.