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Saúde

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Mês destaca a campanha de conscientização sobre o ceratocone

Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

O quanto você cuida da saúde dos olhos? Não parou para pensar sobre isso? Então, a dica é: não deixe de monitorar e procure o especialista caso sinta qualquer diferença no dia a dia. O alerta é reforçado neste mês, tendo em vista que algumas doenças oculares podem ser um tanto “silenciosas” e quando iniciam os sintomas, já pode estar em um quadro mais grave. Nesse sentido, a campanha ‘Junho Violeta’ chama a atenção para o ceratocone. Uma doença degenerativa que faz com que a parte anterior ao globo ocular, fique mais fina e enfraquecida, dessa forma, a córnea adota o formato irregular de um cone. Para explicar melhor o assunto, a reportagem do Bom Dia conversou com o médico oftalmologista e diretor do Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim, Fábio Vaccaro.

Segundo o especialista, no início da doença as pessoas podem não apresentar muitos sintomas, mas quando ela atinge um grau mais elevado, os primeiros sinais podem estar relacionados a baixa da acuidade visual, ou seja, a visão vai ficando distorcida, uma vez que o formato irregular prejudica a incidência dos raios luminosos no globo ocular, causando também, altos graus de astigmatismo, dor de cabeça, cansaço visual, fotofobia e a tendência de apertar os olhos para enxergar melhor. “Alguns fatores podem fazer com que o ceratocone aconteça com mais frequência. Entre eles, a hereditariedade, o ato de coçar os olhos com muita frequência e os casos de histórico de alergia, principalmente quando há componente hereditário. Além disso, a doença é mais comum em pessoas de origem árabe, asiática e com Síndrome de Down”, explica o médico.

Vale reforçar que, assim que os pais percebam esses comportamentos, e, ainda, a mudança muito expressiva do grau, especialmente no caso de astigmatismo, pode ser um sinal de alerta. De acordo com Fábio, o ceratocone normalmente surge na fase da adolescência e tende a aumentar na faixa dos 35 até os 40 anos.  “Com o passar do tempo, geralmente após os 30 anos, a córnea vai sofrendo um processo de endurecimento natural, de forma com que seja mais difícil uma evolução da doença após essa idade”, observa.

Opções de tratamento

Quanto as opções para tratar a doença, tudo irá depender do estágio em que ela se encontra. No que se refere ao aspecto clínico, no período inicial, quando é feito o diagnóstico e o paciente apresenta uma boa acuidade visual, a orientação é fortalecer a ideia de que ele não pode coçar os olhos, sendo também, prescritos colírios antialérgicos para que o ajude a perder esse hábito. “Na medida que a doença evolui e sinaliza para uma baixa visual, os óculos ou ainda as lentes de contato – em alguns casos pode ser usada a gelatinosa mas na maioria dos casos é a lente rígida - irão corrigir a visão. Do ponto de vista cirúrgico, existem três formas de tratamento: nos estágios iniciais, quando o paciente ainda apresenta uma boa visão, porém, já há sinais de piora no quadro, com base nos exames, é indicado um tratamento chamado crosslinking – que irá provocar o endurecimento da córnea para que ela pare de avançar e não produza um cone maior. O procedimento é feito no ambiente cirúrgico do consultório”, relata o oftalmologista.

Contudo, se o paciente prosseguir com a baixa de visão, mesmo com o uso de óculos ou lente de contato, ou ainda, apresentar uma intolerância à lente de contato, é indicada uma cirurgia de implante de anel intracorneano. “O conhecido implante de anel de Ferrara vai possibilitar que a pessoa tenha uma melhora da visão com óculos ou lente. No Instituto de Olhos Santa Luzia realizamos essa técnica com laser. A função do anel é melhorar a qualidade da córnea, diminuindo o formato de cone. Também trabalhamos na tentativa de estabilizar a evolução do quadro”, destaca Fábio.

Sobre a necessidade de transplante

O especialista de Erechim salienta que, em casos extremamente avançados da doença, onde o uso de óculos e lente de contato não funcionam mais e a curvatura da córnea está muito avançada, a indicação mais adequada, sendo um dos últimos recursos, é a cirurgia de transplante de córnea. “Apesar de todos os avanços registrados no campo da Oftalmologia, esse é um procedimento que apresenta muitos riscos, principalmente rejeição, e, também, nesse período de pandemia, está havendo uma redução drástica no número de doadores. Ao mesmo tempo, o transplante pode registrar excelentes resultados quando bem indicado”, acrescenta.

A região Alto Uruguai apresenta uma incidência alta de pacientes com alergias, inclusive nos olhos. Diante disso, há muitas pessoas com ceratocone.

No que se refere ao impacto da pandemia, o médico enfatiza que, assim como todas as doenças que necessitam de acompanhamento, no ceratocone isso não é diferente e o cenário causa preocupação. “Muitos jovens estão diminuindo as suas consultas de rotina e, diante disso, muitas vezes perdemos o melhor momento de fazer o tratamento adequado. Por isso, reforçamos: quem possui algum tipo de doença ocular, prossiga com suas medidas sanitárias de prevenção à covid-19 e realize seus acompanhamentos para não deixar de fazer o diagnóstico na fase adequada em que possa realizar um tratamento que evite a piora”, pontua.

Do mesmo modo, é essencial que as pessoas alérgicas ou que tenham muita coceira nos olhos, se conscientizem que esse é um gesto perigoso e que pode causar prejuízos à qualidade visual.

Nesse sentido, o diretor do Instituto de Olhos Santa Luzia avalia que as campanhas de alerta sobre o tema são muito importantes, tanto que o Conselho Brasileiro de Oftalmologia instituiu o ‘Junho Violeta’ onde os especialistas intensificam as ações visando auxiliar na conscientização da sociedade. “É fundamental esclarecer sobre o que é a doença, seus riscos e incentivar as pessoas a seguir as ações preventivas para evitar sérios danos à visão e a qualidade de vida, como um todo”, conclui o especialista Fábio Vaccaro.