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Saúde

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Ortopedia: o que você sabe sobre Fascite Plantar?

Por Divulgação
Foto Divulgação

Médico explica a doença e as diferenciações entre com e sem esporão de calcâneo

Após acordar e logo ao sair da cama os pés apresentam uma dor na região abaixo do pé? Fascite plantar pode ser a causa do problema.

Conhecida pela população e até por alguns profissionais da saúde por esporão de calcâneo, essa patologia na verdade é a Fascite Plantar. 

A cada ano aproximadamente um milhão de brasileiros procuram os consultórios médicos por dores no calcanhar. No passado, por ser a radiografia o único exame de imagem para avaliação de dores nos pés, a imagem do esporão embaixo do pé levou a culpa por dores nessa região. No entanto, pacientes que não apresentam o esporão na radiografia, e tem o mesmo quadro de dor, são exemplos de que não é a saliência de osso que a radiografia mostra a culpada de tudo. Observa-se que até 30 a 40% dos pacientes não apresentam esporão e mesmo assim sentem dores embaixo do pé ao sair da cama pela manhã e ao realizar os primeiros passos.

A população entre 40 e 60 anos é a mais acometida por essa doença, cuja causa é a inflamação e o processo degenerativo que envolve a fáscia plantar (aponeurose que inicia junto ao osso calcâneo e se dirige até a parte anterior do pé), por isso o nome Fascite plantar.

A partir de novos exames de imagem como a ultrassonografia e a ressonância nuclear magnética podemos constatar alterações nesta estrutura que não eram vistas na radiografia (já que a radiografia só mostra a estrutura óssea).

A formação de osso conhecida como esporão é apenas uma consequência do processo de degeneração que se desenvolve na fáscia plantar e tendão do músculo flexor curto dos dedos, estimulada por trauma repetitivo e tensão local, que acaba por dar origem a uma calcificação em forma de espora (esporão) no inicio da fáscia plantar.

Alguns fatores podem contribuir para o surgimento da Fascite Plantar:

- Sobrepeso (obesidade) tão comum na população nos dias de hoje;

- Calçados muito flexíveis (chinelos de dedo, rasteirinhas...), calçados desconfortáveis;

- Atividades que envolvam longo tempo de permanência em pé;

- Atividades que causem trauma repetitivo como longas distâncias de caminhada ou corridas (envolve atletas inclusive);

- Encurtamento muscular da panturrilha e tendão de aquiles.

Tratamento:

- Repouso;

- Aplicação de gelo local;

- Medicação: analgésicos e anti-inflamatórios são usados (apesar de estudos mostrarem que o uso de anti-inflamatórios de uso oral trazem mínimo benefício);

- Infiltração com corticosteróides: evitar ao máximo devido à possibilidade de complicações como ruptura da fáscia plantar, riscos para pacientes diabéticos e risco de lesão no coxim gorduroso plantar. A resposta é apenas à curto prazo.

- Alongamento do pé antes mesmo de sair da cama e dar os primeiros passos.

- Palmilhas: as usadas no calcanhar ajudam a distribuir o peso, e nos casos de alterações de posicionamento as palmilhas semi-rígidas ajudam a reequilibrar o pé e com isso eliminar fatores que contribuem no quadro doloroso.

- Calçado adequado: tênis confortável ou calçado com solado adequado (sem a flexibilidade exagerada proporcionada pelo chinelos de dedo, sapatilhas e rasteirinhas com solado fino).

- Fisioterapia: alongamento e fortalecimento dos músculos envolvidos, correção da postura e da marcha (forma de caminhar) trarão resultados duradouros. Poderão ser prescritos também exercícios para serem realizados em casa.

- Terapia por ondas de choque: inovação no tratamento. Procedimento não invasivo que através de ondas de som causam uma alteração local e estimulam a remissão do processo doloroso com 03 sessões, aplicadas uma vez por semana, obtendo bons resultados. Não necessita repouso maior ou afastamento das atividades.

- Cirurgia: utilizada em casos especiais. Não envolve a retirada do esporão como alguns pacientes imaginam, mas sim a liberação de um nervo local que pode estar comprimido e a fasciotomia plantar (liberação através de um corte de parte da fáscia plantar). Exige um longo tempo de imobilização e sem apoio de peso sobre o pé.

 

Dr. Miguel F. do Amaral Neto

Ortopedia e Traumatologia

Especialista em cirurgia do Pé e Tornozelo

Clínica de Fraturas