Maior parte dos tipos de cegueira pode ser evitada
Você já parou para pensar como está a saúde da sua visão? Caso não tenha feito isso, uma dica: observe e caso tenha alguma suspeita de problemas, procure um especialista.
A orientação acontece em meio a uma campanha que visa chamar a atenção para cuidados que podem fazer a diferença e prevenir complicações como a cegueira: o ‘Abril Marrom’.
O movimento surgiu em 2016 a partir da iniciativa do professor doutor, Suel Abujamra, médico e especialista em Oftalmologia. O mês foi escolhido pois em 08/04 é comemorado o Dia Nacional do Braille. A data é o nascimento de José Álvares de Azevedo (1834), o professor responsável por trazer, em 1850, o alfabeto Braille ao Brasil.
Já a cor marrom foi definida para a campanha, por ser a cor de íris mais comum nos olhos dos brasileiros.
O médico oftalmologista de Erechim, André Hermes Agnoletto, destaca que a iniciativa é fundamental, já que a maioria dos casos de cegueira é tratável quando diagnosticada precocemente. Além disso, vale ressaltar que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 60% a 80% dos casos de cegueira são evitáveis; e conforme o IBGE, mais de 6 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência visual. “Essa campanha é importante pois há muitos problemas que, caso seguidas as orientações e tratamento, podem ser controlados, evitando sérias complicações”, reforça.
De acordo com o especialista, as principais causas de cegueira são:
Reversíveis
Erro de refração (falta de óculos) – é algo mais fácil de resolver e também é possível prevenir. Quando o paciente chega ao consultório, conseguimos detectar o grau necessário e com o uso de óculos ou lente, há melhora do quadro.
Catarata: principal causa de cegueira reversível no mundo no momento atual. Com o envelhecimento da população, pode ocorrer o envelhecimento da lente natural que é o cristalino. É um processo natural, porém, quando há baixa de visão, deve ser feita a cirurgia para que a saúde e bem-estar do campo visual se restabeleça.
A catarata também pode ser prevenida, por meio do uso de óculos de sol e o ato de evitar a exposição direta por muito tempo. A diabetes e o tabagismo também estão relacionados à doença mais precoce.
Ceratocone - outro problema que pode ser tratado, mas merece uma atenção especial, pois, caso contrário, pode levar à necessidade de um transplante de córneas. Trata-se de uma alteração que acontece na córnea (mais pontiaguda), a primeira camada do olho. Ela é transparente, não é possível enxergar o que acontece nela, mas é responsável pela visão, como se fosse a primeira lente.
A doença é considerada multifatorial, por isso há de se levar em conta a predisposição genética e, ainda, o fator ambiental que é o ato de coçar os olhos com muita frequência, visto que é uma região muito sensível.
Irreversíveis
Glaucoma: afeta o nervo óptico e pode levar à perda da visão. Costuma se relacionar à pressão do olho, sendo que alguns pacientes apresentam elevação. Para aferir, é somente no consultório, não há como fazer isso em casa. O problema acomete uma pequena parcela da população, em torno de 2% a 3%, geralmente pessoas de idade mais avançada e da raça negra (pode chegar a 8%).
Vale salientar que a maior parte dos tipos de glaucoma não gera sintoma e a perda que ocorre, não é possível de ser recuperada.
A única forma de prevenir é fazendo exames de rotina para conferir se há algum tipo de lesão no nervo ou a pressão do olho está aumentada.
Toxoplasmose: uma doença infecciosa causada por um parasita (Toxoplasma Gondii) encontrado nas fezes de felinos. Até por isso é chamada “doença do gato” – injustamente, já que somente felinos infectados é que podem transmitir a doença.
Os sintomas da toxoplasmose ocular são bem parecidos com os de uma gripe forte. Vista avermelhada, sensibilidade à luz e sensação de embaçamento. Um sinal que chama atenção e facilita o diagnóstico é a existência de pontos pretos flutuantes que atrapalham a visão. Quando o parasita se aloja na retina, provoca lesões recorrentes e, inclusive, pode danificar a visão permanentemente.
Na região há um percentual expressivo de pessoas com a doença. Entre os sinais de alerta está o olho vermelho, dolorido e a baixa de visão.
Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI): muito comum em idosos a partir dos 60 anos e se define como uma alteração na parte central da visão, que acumula uma proteína e pode levar a uma cegueira definitiva. É mais comum em pessoas brancas, de origem germânica. Nos Estados Unidos é uma das principais causas de complicações.
Reflexos da pandemia
No que se refere aos impactos da pandemia causada pelo coronavírus, na rotina de consultas e atendimentos, o especialista avalia que muitos pacientes conseguiram manter seus controles, seguindo todos os protocolos de prevenção à covid-19. “Contudo, teve uma parcela expressiva da sociedade que se prejudicou, com receio de sair de casa e, até mesmo, nos casos de idade mais avançada, onde a exposição era mais arriscada. Isso também é complicado, pois, quanto mais tempo passa, aumenta-se muito a perda de visão”, alerta, citando que: “o cenário da pandemia nos preocupa muito e isso só tende a aumentar, pois há pessoas que ainda não foram para o consultório, estão com sintomas ou deveriam manter seus acompanhamentos”, salienta.
Modernidade e mais precisão
Na opinião do oftalmologista, os avanços na parte técnica e de recursos tecnológicos foram expressivos ao longo do tempo. Os equipamentos/ instrumentos são mais sensíveis e possibilitam diagnósticos ainda mais precisos. “Ao mesmo tempo, são estruturas modernas e mais portáteis – podendo ser levadas até à casa de um paciente que não tem condições de se deslocar, por exemplo”, pontua.
Alimentação
Conforme o oftalmologista de Erechim, bons hábitos alimentares, com a ingestão de legumes, vegetais, frutas, favorecem na prevenção da perda visual. Do mesmo modo que alguns comportamentos podem prejudicar esse cuidado, tais como, coçar o olho com frequência. “Caso entrar alguma sujeira na região ocular, é importante não colocar água da torneira, mas sim, um colírio e limpar bem a área externa”, frisa.
Atendimento precoce, faz a diferença
André reforça que, no passado, o acesso ao serviço de saúde era mais complicado. Porém, hoje em dia, caso ocorra algum problema, o ideal é deixar tudo e procurar o atendimento médico no mesmo dia. “Essa ação pode contribuir muito e evitar complicações. Quanto mais precoce for o atendimento, maiores as chances de se recuperar a visão. Sendo assim, caso sejam seguidas as medidas de prevenção, é possível evitar a perda visual ou corrigir os problemas”, salienta o médico.