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Saúde

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Mamografia: exame possibilita rastreamento precoce do câncer de mama

Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

Para o Brasil, estimam-se 66.280 casos novos de câncer de mama, para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres. O rastreamento do câncer de mama é primordial, pois ele é determinante para o diagnóstico precoce que, consequentemente, aumenta a possibilidade de cura e diminui a mortalidade. A equipe do Centro de Imagem da Mama (CIM) do Hospital São Vicente de Paulo, pontua que a mamografia é o exame que apresenta o melhor custo benefício para detecção do câncer de mama, pois, quando realizada anualmente por mulheres acima de 40 anos, contribui para a redução da mortalidade em razão da doença, em até 30% ou mais. Isso acontece não apenas porque a detecção e diagnóstico precoce aumentam as chances de cura, mas também porque a realização do tratamento clínico e cirúrgico na fase inicial da doença permite uma abordagem menos agressiva.

O câncer de mama é o tumor não cutâneo mais frequente entre as mulheres e a principal causa de morte por tumor no Brasil e no mundo. Entretanto, diferentemente dos países desenvolvidos, no Brasil, a mortalidade pelo câncer de mama continua aumentando. O aumento contínuo da mortalidade através do câncer de mama é em decorrência da falta de programas populacionais adequados de rastreamento com mamografia ou a baixa adesão das mulheres aos programas oferecidos, principalmente, devido à falta de informação ou acesso a informações distorcidas. Assim como a falta de acesso em tempo hábil aos tratamentos recomendados. É necessário estimular o acesso de todas as mulheres à realização de uma mamografia de qualidade, permitindo um diagnóstico preciso, um tratamento rápido e menos agressivo.

Estudo

Uma pesquisa sueca revelou que mulheres que realizam mamografia morrem menos do que aquelas que não fazem o exame rotineiramente. Segundo o estudo, nas mulheres diagnosticadas com câncer de mama e que realizavam a mamografia periodicamente, a redução da mortalidade foi de 60% em 10 anos após o diagnóstico, se comparada àquelas que não realizaram o exame regularmente. O levantamento mostrou, ainda, que a redução da mortalidade foi de 47% em 20 anos após o diagnóstico, se comparada com aquelas que não realizaram o exame rotineiramente. A diferença é atribuída à detecção precoce e tratamento em uma fase inicial da história natural do câncer de mama entre as mulheres que realizavam mamografia regularmente. Apesar dos avanços no tratamento (radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia), as mulheres que participaram do rastreamento mamográfico, tiveram a vantagem adicional da detecção precoce e receberam um benefício muito maior com uma terapia menos agressiva.

O maior dano às mulheres que optarem por não participar do rastreamento é o aumento significativo do risco de morte por câncer de mama, bem como uma taxa significativamente maior de câncer de mama avançado, com necessidade de um tratamento mais agressivo. Para cada morte por câncer de mama evitada pelo rastreamento mamográfico, uma mulher será poupada dos estágios terminais da doença e ganhará uma média de 16,5 anos de vida.

Recomendações para o rastreamento

Rastreamento das mulheres com risco populacional usual:

•          Rastreamento anual para mulheres entre 40 a 74 anos, preferencialmente com mamografia digital.

•          A partir dos 75 anos, o rastreamento deve ser individualizado. Recomenda-se rastreio com mamografia para mulheres que tenham expectativa de vida maior do que 7 anos, portanto uma avaliação das comorbidades é muito importante.

Rastreamento das mulheres de alto risco para câncer de mama:

•          Mulheres com mutação dos genes BRCA1 ou BRCA2, ou com parentes de 1° grau com mutação provada, devem realizar o rastreamento anual com mamografia a partir dos 30 anos de idade.

•          Mulheres com risco ≥ 20% ao longo da vida, calculado por um dos modelos matemáticos baseados na história familiar, devem realizar o rastreamento anual com mamografia iniciando 10 anos antes da idade do diagnóstico do parente mais jovem.

•          Mulheres com história de terem sido submetidas a irradiação do tórax entre 10 e 30 anos de idade devem realizar rastreamento anual com mamografia a partir do 8° ano após o tratamento radioterápico.

•          Mulheres com diagnóstico de síndromes genéticas que aumentam o risco de câncer de mama (como Li-Fraumeni, Cowden e outras) ou parentes de 1° grau acometidos devem realizar o rastreamento anual com mamografia a partir do diagnóstico.

•          Mulheres com história pessoal de hiperplasia lobular atípica, carcinoma lobular in situ, hiperplasia ductal atípica, carcinoma ductal in situ e carcinoma invasor de mama devem realizar rastreamento anual com mamografia a partir do diagnóstico.

'Fake News':

Uma questão que deve receber atenção é o fato de muitas fake news circularem pela internet sobre a mamografia. O Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alertam que a mamografia é o único exame que, quando feito de forma sistemática após os 40 anos em mulheres assintomáticas, é comprovado que leva a uma redução da mortalidade pelo câncer de mama. Essa informação é baseada em estudos realizados em mais de 500 mil mulheres, onde observou-se a redução da mortalidade entre 10 a 35% no grupo de mulheres submetidas ao rastreamento em relação àquelas que não foram. Assim, o rastreamento mamográfico a partir dos 40 anos ou, dependendo do país, 50 anos, é a recomendação das principais sociedades médicas do Brasil e no mundo.

No Brasil, a ultrassonografia e a ressonância magnética são usadas como rastreamento complementar, após a mamografia, reservadas para um grupo de mulheres específicas, como as de alto risco ou com mamas densas.

Ainda, o CBR, a SBM e a Febrasgo alertam que o risco de câncer radioinduzido é extremamente baixo, considerando as doses de radiação envolvidas em cada exame. Além disso, as Instituições salientam que o risco de câncer de tireoide induzido pela mamografia é insignificante, portanto, não se recomenda o uso de protetor da tireoide. E ainda, que a compressão da mama durante o exame não aumenta o risco da disseminação do tumor, pelo contrário, é essencial para a qualidade do exame.